Dossier Diabetes: Controle-a, sff!
O que acontece com a glucose é que a sua entrada no organismo desencadeia a intervenção do pâncreas, fazendo-o fabricar insulina e lançá-la no sangue. É esta hormona que vai facilitar o acesso da glucose às células, funcionando como uma chave.
À medida que a insulina circula vai diminuindo a quantidade de açúcar no sangue (glicemia), o que, por sua vez, faz diminuir a actividade do pâncreas.
Mas sem insulina, ou com insulina em quantidade insuficiente, a glucose permanece no sangue – e níveis de açúcar mais elevados do que o normal podem abrir caminho a um vasto conjunto de problemas de saúde. É o que acontece com a diabetes.
Qual é a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?
Na diabetes tipo 1, o sistema imunitário – concebido para proteger o organismo de bactérias e vírus – ataca as células produtoras de insulina, no pâncreas, destruindo-as. O resultado é pouca ou nenhuma insulina para actuar sobre a glucose, o que faz com que ela se acumule no sangue. Também designada como diabetes insulinodependente, pode ocorrer em qualquer idade, mas surge tipicamente na infância e adolescência.
Bastante mais comum – correspondente à grande maioria dos casos – a diabetes do tipo 2 prende-se com a forma como o organismo metaboliza a glucose. Assim, em vez de penetrar nas células, a glucose mantém-se na corrente sanguínea, por uma de duas razões: ou o pâncreas produz pouca insulina ou as células se tornam resistentes a esta hormona.
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Quais são os principais factores de risco?
Em relação à diabetes tipo 1, não se pode falar propriamente em factores de risco. Não se conhecem ainda os mecanismos que estão por detrás da disfunção do sistema imunitário, tudo apontando para a influência de factores genéticos e a exposição a determinados vírus.
Já na diabetes tipo 2, estão identificados alguns factores de risco, com destaque para o excesso de peso e obesidade e para a inactividade. Está provado que quanto mais tecido adiposo se tem – sobretudo abdominal – mais as células se tornam resistentes à insulina.
O que se agrava num quadro de sedentarismo: é que o exercício físico ajuda a controlar o peso, na medida em que há um maior gasto de energia (logo uma maior utilização da glucose, o que torna as células mais sensíveis à insulina).
As mulheres apresentam um risco muito particular: as que tiveram diabetes gestacional ou deram à luz filhos com quatro ou mais quilos têm uma maior probabilidade de desenvolver diabetes.
Ter antecedentes familiares também aumenta o risco, o mesmo acontecendo com a idade: a incidência da diabetes tipo 2 aumenta à medida que os anos passam, embora esteja a aumentar significativamente entre as crianças e os adultos jovens. Uma influência nefasta de um estilo de vida em que predominam escolhas pouco saudáveis.
Quais os principais sintomas?
Os sintomas são comuns aos dois tipos: quando a glucose sobe para valores acima dos normais, o resultado pode ser aumento da quantidade de urina e da sede, sensação de fome, perda de peso rápida, fadiga e problemas de visão (como se estivesse nublada). A diabetes do tipo 2 também pode ser denunciada pela dificuldade em cicatrizar feridas e por infecções frequentes. Nem todas as pessoas apresentam estas manifestações, mas na sua presença deve consultar-se um médico.

