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Dor neuropática: Não mata, mas mói

27 Novembro, 2009 0

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“Para que se possa restituir o estado de saúde e bem-estar ao doente, permitindo que o mesmo seja integrado familiar, profissional e socialmente, é preciso diagnosticar e tratar precocemente. Como tal, os doentes, logo que tenham uma situação de dor intensa e persistente, devem procurar apoio médico, recorrendo tão cedo quanto possível ao seu médico assistente ou de família”, aconselha o fisiatra.

 

Alívio dos sintomas

De acordo com Luís Cunha Miranda, a eliminação da dor “pressupõe uma estratégia global que pode passar por tratamentos farmacológicos e não farmacológicos”. O médico, após fazer uma avaliação clínica do doente, “determinará o plano terapêutico”, atendendo à causa da dor.

“No caso da dor neuropática, algumas vezes, dominar a doença de base será a medida terapêutica inicial. Ao controlar diabetes, pode-se melhorar a neuropatia diabética, que cursa com este tipo de dor. Já no caso de dor neuropática associada a neoplasia da mama, a mesma pode ser minorada com a intervenção cirúrgica ao tumor”, fundamenta.

Mesmo não se conseguindo obter um grau zero de dor, os objectivos do tratamento implicam, pelo menos, a redução do sofrimento, o que, na vida de um doente, “tem por si só um impacto importante”. “No campo dos tratamentos não farmacológicos, existe um arsenal terapêutico, conhecido habitualmente por «agentes físicos», usado principalmente pela Medicina Física e de Reabilitação. Estas técnicas podem envolver, entre outras, a utilização do calor, do frio e de estímulos eléctricos (através da estimulação eléctrica transcutânea – TENS), uma terapia que pode ser empregue isoladamente ou em associação com a terapêutica farmacológica no tratamento destes doentes”, esclarece Francisco Sampaio.

Dentro do plano farmacológico, há um leque variado de medicamentos que permitem o alívio da dor. De entre o arsenal terapêutico disponível para o tratamento da dor neuropática, para além dos analgésicos anti-inflamatórios, Luís Cunha Miranda sublinha os bons resultados obtidos com os anticonvulsivantes. Estes fármacos foram inicialmente estudados para o tratamento de outras situações clínicas, nomeadamente a epilepsia. “Mas, depois de avaliados no tratamento da dor neuropática, demonstraram ter efeitos muito significativos na redução da dor e na melhoria da qualidade de vida”, considera o reumatologista.”Os anticonvulsivantes actuam ao nível do sistema nervoso central, modificando e melhorando a percepção que foi alterada pela dor neuropática.”

 

O quinto sinal vital

A dor pode ser avaliada consoante o tempo de duração e intensidade. Quando se prolonga no tempo, a dor é designada de crónica. Pelo contrário, a dor que se instala em determinado momento, em virtude de um estímulo, e depois desaparece é manifestamente um episódio agudo.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS), de modo a chamar a atenção para o sofrimento provocado pela dor, designou-a de quinto sinal vital. Embora tenha um carácter “subjectivo”, a dor pode ser quantificada, nomeadamente através de escalas de intensidade.

 

Conhece a sua dor?

A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), o Instituto Português de Reumatologia (IPR), a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e Reabilitação (SPMFR) e a Pfizer lançaram, no âmbito da Semana Europeia da Luta Contra a Dor que teve lugar de 12 a 18 de Outubro, a campanha “A sua dor é real e tem um nome”.

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