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Dor neuropática: Não mata, mas mói

27 Novembro, 2009 0

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Na Unidade da Dor do Hospital dos Lusíadas, os médicos José Caseiro e Armando Barbosa entenderam que o último recurso seria a neuroestimulação, já que “não havia solução com medicamentos”. Posto isto, Francisco Crespo foi submetido a uma cirurgia há pouco menos de um mês. “Com esta intervenção, reduziu-se significativamente a dor. De cem por cento, passei a ter 40% de dor. Agora, reconheço uma melhoria na minha qualidade de vida.”

A enfermeira Cátia Medeiros sabe tão bem, quanto Francisco Crespo, o que é estar aprisionada à dor neuropática. A saga desta jovem de 23 anos, diabética tipo 1, começou em Dezembro de 2007, quando foi internada por causa de uma cetoacidose – uma complicação que resulta da incapacidade do organismo transformar a glicose em energia, devido à carência de insulina.

Dias depois do internamento, Cátia Medeiros começou a ter os primeiros sintomas: “dores musculares, sensação de queimadura nas pernas, nas costas e na zona abdominal”. Os médicos ainda lhe prescreveram fármacos para as dores musculares. E até chegou a usar um colar cervical, porque as dores eram sobretudo nessa região. Mas nada funcionou. “Cheguei ao ponto de a minha mãe ter de me ajudar a tomar banho, porque não conseguia tocar no meu corpo, por causa das dores”, lembra. “Não podia tomar duche, devido aos jactos de água. Tinha de entrar dentro da banheira cheia, devagarinho. Fiquei muito limitada”, considera.

Depois de várias tentativas para apagar a dor, pensou-se que o problema desta jovem era “de foro psicológico”. Cátia Medeiros chegou a ser internada num Serviço de Psiquiatria durante 10 dias. Findo o internamento, passou a fazer visitas diárias ao Hospital de Dia, onde eram administrados alguns fármacos. “A dor persistia, pelo que a minha mãe, por indicação de uma enfermeira, decidiu levar-me a um outro psiquiatra. Este especialista disse que, atendendo à característica dos sintomas, talvez se tratasse de dor neuropática.” Depois desta consulta, a jovem foi assistida por um neurologista, que pediu a Cátia Medeiros para fazer um exame, o qual revelou a existência de dor neuropática de grau moderado, devido à diabetes tipo 1.

 

A dor não é toda igual

Segundo um estudo elaborado recentemente, estima-se que entre 8 a 9% da dor crónica tenha origem neuropática. Mas afinal que sofrimento é este que provoca tanto desassossego? “Trata-se de uma dor que ocorre devido a uma lesão ou a um deficiente funcionamento de zonas do sistema nervoso central ou periférico que percepcionam sinais de dor”, esclarece o Dr. Francisco Sampaio, fisiatra e representante da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR).

Entre as patologias do sistema nervoso periférico que podem originar esta dor, a Dr.ª Teresa Vaz Patto, anestesista e vice-presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), destaca a “zona, as nevralgias do trigémio [nervo sensitivo da cabeça] e a neuropatia diabética”. Já o acidente vascular cerebral e alguns tipos de tumor surgem como as principais situações que alteram o sistema nervoso central.

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