Doenças respiratórias: À boleia do frio
Pode também ocorrer corrimento do ouvido, o que significa que o muco exerceu tal pressão sobre o tímpano que o perfurou. Em regra, ao fim de dez dias o corrimento desaparece e o tímpano tapa-se espontaneamente.
Dor de ouvidos e febre não chegam para diagnosticar uma otite, pois podem ser sinais de outra qualquer doença. Para ter a certeza, o médico examina o tímpano através de um pequeno instrumento – ortoscópio: uma cor vermelha e um formato abaulado permitem confirmar a otite.
O caminho normal até à cura passa por aliviar os sintomas, administrando um analgésico/anti-inflamatório (em supositórios ou xarope). Desentupir o nariz é fundamental, o que se consegue com a ajuda de soro fisiológico ou de um spray de água do mar. O recurso a gotas nasais deve ser discutido com o médico, pois algumas são desaconselhadas para menores de sete anos e podem ser perigosas em caso de sobredosagem.
Em regra, a otite média aguda cura-se sem um tratamento específico: ao fim de dois dias a dor começa a ceder e a temperatura a descer, sendo necessários uns dez dias para o completo restabelecimento da criança.
Mas se, volvidos três dias, não se registarem melhoras, poderá ser necessário recorrer a um antibiótico, uma decisão do médico assitente.
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Bronquiolite
Doença muito comum em crianças com idade inferior a dois anos. Aproximadamente 80% dos casos ocorrem durante o primeiro ano de vida, com um pico de incidência entre os 2 e os 6 meses de idade.
Caracteriza-se, como o nome indica, por uma inflamação dos bronquíolos: estes canais respiratórios ficam inflamados mais estreitos e produzem uma grande quantidade de muco, o que aumenta ainda mais a obstrução e a dificuldade em respirar.
De origem vírica, a maior parte das vezes é causada pelo vírus sincicial respiratório, mais activo a partir de Novembro e até final do Inverno. As crianças que frequentam creches e ainda não desenvolveram o seu próprio escudo de protecção são mais vulneráveis. É geralmente benigna, apesar do elevado grau de contágio, assumindo uma forma mais grave quando os bebés têm menos de três meses, podendo ser necessária a hospitalização nos casos mais severos.
Os seus sintomas iniciais são semelhantes aos da constipação – secreção nasal, tosse, com ou sem febre.
Após alguns dias, à medida que a doença progride podem surgir dispneia e pieira e com o agravamento do quadro respiratório tornam-se evidentes sinais de dificuldade respiratória.
É como se no peito da criança se travasse uma luta de gatos, perfeitamente audível. Respirar tornar-se penoso, o que interfere com a alimentação. Com o aumento da obstrução dos canais respiratórios, pode aparecer uma coloração azulada nos lábios, a chamada cianose, indicadora da deficiente oxigenação do sangue.
Cerca de dez dias depois, os sintomas costumam desaparecer. Para isso contribui naturalmente o tratamento, à base de antipiréticos (quando é necessário baixar a febre) complementados por uma abundante ingestão de líquidos (para manter a criança hidratada e compensar a falta de apetite). Os antibióticos ficam de fora porque nada fazem contra o vírus.

