Doenças respiratórias: À boleia do frio
Dois a três dias após o contacto com o vírus – e ele é muito fácil, bastando umas gotículas de secreções infectadas – surgem os sintomas: corrimento e congestão nasal, espirros, tosse. Por vezes também dor de garganta e dores de cabeça. Na maioria dos casos não há febre. Quatro a dez dias depois estes sintomas começam a desaparecer, sendo a tosse o mais persistente.
Repouso, ingestão abundante de líquidos, inalação de vapor de água, e medicamentos para controlo sintomático constituem o tratamento da constipação, uma doença em que os antibióticos não são eficazes dado ser causada por vírus.
A constipação e a gripe são situações distintas, embora tenham algumas manifestações clínicas semelhantes.
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Gripe
Muitas pessoas ainda consideram a gripe uma doença banal, confundindo-a com a constipação. São ambas infecções respiratórias, mas com consequências diferentes: é que a gripe pode evoluir para doenças mais graves como a pneumonia.
E isto porque é causada por um vírus muito agressivo e com grande capacidade de mutação. O contágio é fácil: um acesso de tosse, um espirro, a simples fala liberta gotículasem que o vírus influenza viaja para outros organismos. De tal forma que uma única pessoa é um perigoso foco de contágio. As crianças são, aliás, as principais disseminadoras da gripe, na medida em que são também as mais atingidas e nelas o vírus sobrevive mais tempo.
Febre elevada (superior a 38,5 ºC), arrepios intensos, calafrios, cefaleias, intenso mal-estar, dores musculares e falta de apetite são os principais sintomas desta doença, que tem também nos idosos um dos seus alvos preferidos. E é igualmente nos idosos, dada a sua vulnerabilidade, que a gripe pode assumir contornos mais graves, dando nomeadamente origem a pneumonias.
Também aqui os antibióticos de pouca ajuda são, dado que a gripe é uma doença vírica. O que há a fazer é controlar as suas diversas manifestações. E prevenir, tomando em cada Outono a vacina anti-gripal recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Sobretudo quando se é idoso, quando se vive em instituições (lares, por exemplo) ou quando se é portador de doenças crónicas.
Otite Média
Muito frequente entre os seis meses e os dois anos, a otite segue-se, quase sempre, a uma infecção vírica das vias aéreas superiores.
O ouvido médio comunica com a boca e o nariz (nasofaringe – parte superior da garganta e posterior do nariz) através da trompa de Eustáquio, canal que nas crianças é mais curto e estreito. Numa situação normal, o muco segregado no ouvido médio é evacuado através da trompa de Eustáquio, mas as infecções víricas provocam um inchaço das paredes da trompa de Eustáquio, podendo entupi-la e impedir o muco de sair, aumentando a pressão sobre o tímpano, com dor. Estão também reunidas as condições para uma infecção do ouvido médio (na maior parte das vezes é vírica): o pus e muco acumulam-se, exercendo pressão sobre o tímpano e inflamando-o.
Surgem então as dores de ouvido, uma dor repentina, acompanhada de febre. Os bebés ficam irritadiços, sem vontade de comer, parecem cansados. Às vezes, levam a mão às orelhas, coçando-as, como que a denunciar a origem do incómodo.

