Alcoolismo nos jovens
Para além das complicações hepáticas, existem outros efeitos colaterais da ingestão abusiva de álcool. “O coma é frequente em jovens com padrões de consumo ‘binge drinking’. Em situações graves, os adolescentes podem sucumbir à morte por overdose de álcool, já que as quantidades consumidas de etanol ultrapassam a tolerância do organismo”, informa Rita Lambaz.
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Paralelamente, os acidentes de viação continuam a ser a principal causa de morte nos jovens. “O consumo de álcool, associado à pouca experiência de condução, e o acesso a veículos de grande cilindrada são factores que culminam em acidentes com graves consequências para o próprio, família e sociedade”.
Prova dos níveis
-1 Cerveja = 4,5% de álcool;
-1 Copo de vinho tinto = 12% de álcool;
-Bebidas destiladas (Whisky, vodka ou martini) = 20% de álcool;
-1 Shot = a 45 e 60% de álcool. Há casos em que pode ser igual ao álcool etílico puro.
Radiografia da “ressaca”
A célebre “ressaca” é uma das consequências de quem bebeu a mais da conta. Os seus efeitos devem-se a várias causas: “Em primeiro lugar, na grande maioria dos casos, alterou-se o ritmo biológico. No período em que o organismo está habituado a descansar, teve lugar um esforço físico, não só para nos manter alerta, como também dispendido em actividades como dançar, conduzir ou relações sexuais”, assinala Rui Tato Marinho.
“Devido ao excesso de bebidas alcoólicas, muitos jovens ainda mantêm os níveis de alcoolemia ao acordar. Quem ingere mais de 10 bebidas numa noite pode demorar até 10 horas a metabolizar todo o etanol. Ao despertar, ainda se podem encontrar alterações provocadas pela presença de álcool no sangue: descoordenação motora, perturbação da marcha, afunilamento da visão, diminuição do tempo de reacção e alteração da capacidade de concentração.”
Plano nacional de alcoologia
Está em marcha, desde o dia 25 de Junho de 2008, a construção de um plano que visa o combate ao consumo de álcool. Este projecto contempla a implementação de mais de 80 medidas concretas, uma das quais é a alteração da idade (dos 16 passa para os 18 anos) em que é permitida a comercialização de álcool aos jovens.
“Estamos a aguardar a aprovação deste projecto por parte do Governo. Logo que haja luz verde, o próximo passo será a construção de uma proposta legislativa”, afirma o Dr. João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT).
Para além desta medida, prevê-se a criação de uma rede de referenciação na área da Alcoologia e a regulação do consumo de álcool em Portugal. “Somos um país com um consumo de álcool elevado per capita. Mas o que nos preocupa é que, nos últimos anos, tem havido um aumento da ingestão de álcool aos fins-de-semana ou em determinados contextos, ao nível das camadas mais jovens.”
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