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Alcoolismo nos jovens

3 Novembro, 2011 0

“Para alguns jovens, pode mesmo representar a inclusão num grupo de pares”, esclarece Samuel Pombo. E adianta: “O álcool, integrado num processo de mimetização de comportamentos, funciona como um agente facilitador dessa integração.” Em alguns casos, prossegue, “pode simbolizar um ritual de transição para a idade adulta ou um comportamento de rebeldia, face a uma realidade discordante”.

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Passar do que é socialmente aceitável para o limiar do consumo abusivo parece ser o padrão “típico dos jovens”, considera Rita Lambaz. E por abuso entende-se um consumo regular “acima das seis bebidas, para os rapazes e quatro, no caso das raparigas”. Acresce que, em ambientes lúdicos (contexto de discotecas, bares ou concertos) existe, ainda, uma certa “vulnerabilidade para experimentar outras substâncias, nomeadamente o haxixe, ecstasy, e adoptar um padrão de policonsumos”, indica a psicóloga.

“É frequente encontrar jovens com necessidades de afecto, confiança, autonomia e segurança. O álcool surge como uma forma ilusória de satisfazer estas carências”, justifica. A intervenção no terreno “deve pautar-se pela criação de um espaço empático, seguro, livre de críticas ou julgamentos, onde o próprio se perspectiva na nova relação com a substância”.

O foco da intervenção consiste no “olhar psicológico e nas necessidades internas e específicas de cada jovem”, tentando libertá-lo do espartilho da dependência do álcool. Em todo o processo educativo, os pais são a peça-chave, cabendo-lhes a responsabilidade de ensinar e supervisionar os filhos a “beber de forma adequada e com controlo”, refere Samuel Pombo. “Os pais e interventores de saúde mental têm um papel fundamental enquanto motivadores da mudança de comportamento no adolescente, adoptando uma atitude empática, compreensiva, despojada de crítica. É esta a base de uma ‘política’ de proximidade com o adolescente”, completa.

 

Danos colaterais

Segundo o Prof. Rui Tato Marinho, hepatologista do Hospital de Santa Maria, “serão necessários, em média, entre cinco a 10 anos de consumo excessivo para desenvolver cirrose hepática ou cancro do fígado”. Mas, se um jovem começar a beber aos 13 anos, é de esperar que “por volta dos 30 anos” apresente complicações no fígado. “A cirrose e o cancro do fígado representam 10% da mortalidade em Portugal. Prevê-se que, nos próximos anos, aumente no adulto jovem, à semelhança do que se tem passado em outros países”.

De acordo com o especialista, a cirrose hepática na mulher jovem aumentou 1000% no Reino Unido. Já na Rússia, a taxa de mortalidade nos jovens (perto de 90%) é a mais elevada da Europa, em parte, devido ao consumo exagerado de álcool. “A esperança média de vida do homem russo é de apenas 59 anos”, indica o especialista.

“E da máxima importância continuar a passar a mensagem de que só se deve consumir bebidas alcoólicas depois dos 18 anos”, reforça. Isto porque, antes dessa idade, o fígado não está preparado para o somatório das consecutivas “bebedeiras”. Em consequência disso, podem resultar, a longo termo, as cirroses hepáticas, definidas pelo especialista como “uma doença que consiste na destruição do fígado e morte das suas células”.

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