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Alcoolismo nos jovens

3 Novembro, 2011 0

Depois, passou para a área comercial, que exigia a Nuno mais moderação no consumo, porque um funcionário embriagado não era bem visto pelos clientes. Mas, afirma, contava os minutos que faltavam para largar o expediente.

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“Depois, desgraçava-me todo e fazia o rally das capelinhas.”. Experimentou de tudo um pouco, mas admite que a bebida de eleição era o Whisky, porque o fazia “atingir o pico mais rapidamente.”

Só ao cabo de alguns anos é que Nuno começou a apreciar realmente o que ingeria. Até conhecer o sabor e as sensações de algumas bebidas, tudo servia para saciar a “sede”. “Cheguei a beber álcool etílico e after shave porque não tinha dinheiro para consumir.

Estas foram algumas das insanidades que cometi”, desabafa. “Se no início comecei a beber para estar com toda a gente, numa fase posterior comecei a isolar-me. Só assim podia consumir álcool à vontade sem que ninguém me dissesse nada. Esta é uma janela do passado. De vez em quando espreito para não me esquecer de onde vim. Mas, actualmente, concentro-me no presente e na minha recuperação.”

Hoje, volvidos 20 anos de consumo continuado, Nuno decidiu pôr um ponto final no antigo estilo de vida. Por incentivo da esposa, procurou os Alcoólicos Anónimos (AA), mesmo estando ligeiramente contrafeito. A primeira reunião em que participou mudou a sua vida. Ainda recaiu uma vez, no espaço de quatro anos. Mas há quase dois anos que não toca numa gota de álcool. Tem o seu próprio negócio e sente que o “divórcio” com a companheira inseparável (a bebida) foi decisivo para começar do zero.

 

“Fogo” que arde sem se ver

Numa sessão pública, realizada em 2008, a Sociedade Portuguesa de Hepatologia (SPH) registou números alarmantes: um terço dos jovens, com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos, são consumidores activos de bebidas alcoólicas. “As medidas restritivas não chegam”, adianta o Prof. Fernando Ramalho, vice-presidente da SPH e responsável da Unidade de Hepatologia do Hospital de Santa Maria. Mais do que interditar, o especialista diz que é preciso formar e informar as camadas mais jovens, já que o alcoolismo é um problema do presente e do futuro.

“Quanto mais cedo se começa a beber, maior o número de indivíduos que tendem a tornar-se dependentes do álcool. Isto é especialmente grave se pensarmos nas consequências familiares, sociais e físicas. Os jovens que bebem regularmente apresentam problemas de adaptação na escola, défices de concentração e perturbações de natureza emocional.” Fernando Ramalho, parafraseando o psiquiatra Daniel Sampaio, diz que “é proibido proibir”. Antes de mais, “é preciso explicar as consequências do consumo exagerado de álcool” aos jovens. Um dos fenómenos que está em voga entre os jovens é o “binge drinking”, expressão importada do inglês que significa ingestão rápida de bebidas com elevado teor alcoólico.

“Antigamente, o processo de alcoolização acontecia ao final de quatro a cinco horas de ingestão de vinho ou cerveja. Neste consumo compulsivo, no espaço de uma hora já existem sintomas de intoxicação alcoólica”, fundamenta o Dr. Francisco Henriques, especialista em Adictologia e médico na Unidade de Alcoologia de Lisboa, integrada no Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT).

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