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Respirar: Doenças respiratórias matam mais no frio

29 Novembro, 2010 0

O Inverno está à porta e com ele mais complicações no que toca aos problemas respiratórios. Gripes, asmas, rinites alérgicas, DPOC e pneumonias não são para brincadeiras, como mostra o último relatório sobre a matéria. No entanto, não é caso para se fechar em casa. Antes pelo contrário, procure espaços arejados, agasalhe-se e não ignore os sinais e sintomas que muitas vezes são mais do que “frutos da época” passageiros.

“Em Portugal, as doenças respiratórias continuam a constituir um problema relevante, o que aliás acontece no resto do mundo.” Quem o diz é o presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), Artur Teles de Araújo, que cita o relatório do Observatório Nacional de Doenças Respiratórias, recentemente apresentado para sustentar esta posição.

Se é verdade que “no combate às doenças respiratórias Portugal ocupa uma posição que não envergonha face aos outros países europeus”, não é menos verdade que “as doenças respiratórias crónicas, como a asma e a DPOC são das poucas doenças crónicas cuja tendência é para aumentar, nas próximas décadas, devido a factores como o fumo de tabaco, a poluição atmosférica e as alterações climáticas”.

Segundo Teles de Araújo, Portugal tem algumas vantagens relativamente a outros países. “Por termos uma incidência de fumadores relativamente baixa e uma qualidade do ar razoável, a incidência de DPOC e de cancro do pulmão é inferior à média europeia”, salienta. No entanto, sublinha que ainda há muito a fazer. “Não existe ainda o grau de acessibilidade aos cuidados de saúde que todos desejaríamos, e para o alcançar há que fazer um esforço que envolva todos: autoridades de saúde, técnicos e sociedade civil”, defende.

CANCRO MATA 10 POR DIA

Ainda que haja algumas boas-novas, as doenças respiratórias são “motivos de preocupação”. Sem excepção. “A asma e a DPOC atingem mais de 1,5 milhões de portugueses, causando um sofrimento considerável, perturbando o normal funcionamento da sociedade e implicando pesados custos directos e indirectos”, aponta o responsável. E contabiliza: “O cancro do pulmão mata mais de 10 portugueses por dia e é o tumor com maior mortalidade. As pneumonias têm tido uma incidência crescente, traduzida numa duplicação dos internamentos em 10 anos, tendo sido internados mais de 43 000 doentes com este diagnóstico em 2009.” Por estas razões, o pneumologista defende que “a prevenção e controlo das doenças respiratórias devam ser encarados como um todo”, propondo para tal que “no próximo Plano Nacional de Saúde haja um Programa Global com esse objectivo”.

A prevenção é ainda mais fulcral com a chegada do frio. “É um facto que as doenças respiratórias são mais frequentes no Inverno, havendo um aumento da mortalidade por estas doenças nesse período do ano”, explica. E esclarece: “Para tal contribuirá o facto de ser a época das epidemias sazonais de gripe, o clima que perturba os mecanismos de defesa do pulmão e as condições do ambiente interior (ver Editorial).” Quer isso dizer que o melhor é mesmo ficar em casa? “Penso ser preferível recorrer a outras soluções”, responde o especialista, lembrando que “depende das condições da habitação e do facto de nela estarem ou não pessoas infectadas, por exemplo com gripe”.

Em Portugal, apenas 20% da população está abrangida pela monitorização da qualidade do ar. Teles de Araújo garante que a qualidade “é boa na maior parte dos dias e dos locais”. Há, todavia, “nichos de população ainda expostos a condições não ideais”. É que a saúde respiratória e as condições sociais das populações estão “fortemente relacionadas”. “Pobreza, más condições habitacionais e exclusão social são aliados poderosos das doenças respiratórias, as quais, embora atinjam todos, o fazem preferencialmente nesses grupos”, explica o presidente da FPP. Idosos, crianças nos primeiros anos de vida, imunocomprometidos por outras doenças crónicas, reclusos, institucionalizados, toxicodependentes e socialmente excluídos são grupos de risco e que devem ser vigiados.

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