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Respirar: Doenças respiratórias matam mais no frio

29 Novembro, 2010 0

 

DPOC: A doença pulmonar silenciosa

Causada pelo tabagismo, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) afecta mais de um milhão de portugueses, segundo as últimas estimativas. Mantém-se silenciosa durante anos, e quando se manifesta já os doentes perderam mais de metade da capacidade respiratória.

“A maior parte das pessoas, ou não tem sintomas, ou não valoriza”. É esta a explicação para o facto de a DPOC ser detectada na fase tardia, em que os doentes já perderam uma grande parte da capacidade respiratória. “A doença pode aparecer por volta dos 40 anos e só ser diagnosticada aos 60”, explica a Prof.ª Cristina Bárbara.

A directora do serviço de pneumologia do Hospital Pulido Valente, em Lisboa, lembra também que a espirometria, o exame que permite averiguar o nível de obstrução das vias respiratórias, não está acessível nos centros de saúde, o que faz com que os doentes só sejam referenciados quando vão ao hospital com uma complicação maior. A responsável revela, contudo, que a Direcção Geral da Saúde tem a ambição de “implementar uma rede de espirometria no país”. Aliás, nos centros de saúde da área de acção do Hospital Pulido Valente isto já acontece: “temos um técnico de cardiopneumologia que se desloca aos vários centros”, desvenda a responsável, considerando que esta é a melhor metodologia.

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Uma doença incapacitante

Um diagnóstico precoce poderia evitar males maiores, já que a primeira medida de tratamento da patologia passa por acabar com exposição ao factor de risco: o fumo. “O que acontece é que normalmente as pessoas são diagnosticadas quando estão em internamento, numa fase em que a doença já se está a tornar muito incapacitante”, sublinha. E aí pouco há a fazer. É que a DPOC, como todas as doenças crónicas, não tem cura. A terapêutica apenas tem como objectivo reduzir os sintomas e as complicações da patologia, impedindo a degradação da função respiratória. A doença não regride”, esclarece a especialista.

Os broncodilatadores e a vacinação da gripe fazem parte do tratamento, mas há casos em que é preciso recorrer à oxigenoterapia, mesmo em casa. Se ao início, os sintomas são tosse e expectoração, que a maior parte dos fumadores associa ao catarro do tabaco, a médio prazo, há dispneia, ou seja, cansaço em actividades banais como subir uma rampa. Todos esses motivos costumam servir de escapatória. O doente arranja facilmente outro culpado para os sintomas, como por exemplo, a idade. À posteriori, porém, as coisas complicam-se e actividades corriqueiras “como lavar a loiça ou fazer a cama podem tornar-se mesmo impossíveis”, alerta a pneumologista.

 

Procure ajuda!

Cristina Bárbara deixa por isso um apelo a todos os fumadores para que não ignorem os sinais de alerta e procurem o médico de família que tem um papel fundamental neste processo. “Numa primeira fase é fundamental para reencaminhar o doente para uma equipa de especialidade, bem preparada, que dará todo o apoio na consulta de cessação tabágica. “As pessoas chegam presas por uma dependência que é preciso curar a maior parte das vezes com farmacologia”, explica. Numa outra fase, caberá ao clínico o “seguimento integrado de todas as doenças”, já que a par da DPOC surgem outras maleitas, como a osteoporose, as doenças gástricas, cardiovasculares, entre outras.

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