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Respirar: Doenças respiratórias matam mais no frio

29 Novembro, 2010 0

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TABACO É O GRANDE INIMIGO

Segundo o responsável ainda há tendência para subestimar e subvalorizar as doenças respiratórias, “olhadas muitas vezes como uma coisa natural e passageira”, reconhece, daí que o Fórum das Sociedades Científicas Internacionais tenha declarado 2010 como o Ano do Pulmão.

Mas o caso é sério. As doenças respiratórias foram responsáveis no ano passado por mais de 83 mil internamentos hospitalares. Para Teles de Araújo, o número dificilmente poderia ser minimizado de forma significativa, já que o “traduz um real aumento da incidência das doenças respiratórias no país”.

O médico não tem dificuldades em eleger o tabaco como o maior inimigo do pulmão e considera que o reforço da luta contra o tabagismo é a medida mais importante para pôr Portugal a respirar melhor. “É necessário aperfeiçoar a actual lei do Tabaco para alcançar estes objectivos”, conclui.

Como respira Portugal?
• Doenças respiratórias matam cerca de 40 pessoas por dia
• Mais de 30% da população sofre de doenças respiratórias crónicas
• 4 milhões de dias de trabalho ou de frequência da escola perdidos por ano devido a doenças respiratórias
• Custo com doenças respiratórias ascende os 600 milhões de euros/ano
• A prevalência de fumadores em Portugal tem diminuído. Em 20 anos diminuiu 22% nos homens, mas aumentou 80% nas mulheres
• 20% da população urbana portuguesa está abrangida por sistemas de monitorização contínua da qualidade do ar
• 20% das pessoas vivem em casas com problemas de humidade (factor relevante na prevalência de doenças respiratórias)
• 2608 óbitos

por DPOC em 2008
• 10% da população portuguesa tem asma (maioria por controlar)
• 25% a 30% tem rinite alérgica
• Entre 1998 e 2008 a mortalidade por asma caiu 49,8%
• Mortes por cancro do pulmão entre 1999 e 2008 aumentaram 18,9%
• Cancro do pulmão matou dez por dia em 2008
• 2565 novos casos de tuberculose em Portugal
• Portugal é o segundo país da Europa com mais mortes por pneumonia

Fonte: Relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias 2010

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Males de Inverno

Uma vida saudável, uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e uma boa condição física. A receita não é nova, mas é a mais sensata se quer evitar males maiores na estação das constipações, gripes e pneumonias, doenças respiratórias que se curam, mas que podem ser complicadas. A vacinação ajuda, mas não evita tudo.

“A gripe pode ser considerada uma doença mortal.” O alerta é do Dr. Raul Amaral-Marques, director do Departamento de Pneumonologia do Hospital Particular de Lisboa, que recorda: “Na altura dos surtos epidémicos ou de um aumento de casos de doença, a gripe é responsável pelo excesso de mortalidade por infecções respiratórias que surgem associadamente, em particular, os casos de pneumonia bacteriana secundária e nos indivíduos com mais de 65 anos de idade.”

A grande prova de que não se pode baixar a guarda à doença, segundo o especialista, está na própria História. “As grandes pandemias do último século, com milhões de mortes em todo o mundo, são motivo para que não se dê tréguas à vigilância desta doença”, ilustra, recomendando hábitos de vida saudáveis como arma contra estas doenças.

Se as constipações “são habitualmente benignas, pouco demoradas no tempo de doença e não têm tratamento específico”, em caso de gripe o cenário é outro. “Causada pelo vírus influenza, assume maior gravidade”, explica o pneumologista, acrescentando que “pode levar ao aparecimento de complicações, desde uma laringite a uma pneumonia provocada pelo próprio vírus, e quase sempre fatal, a uma pneumonia bacteriana secundária que, no caso do idoso e do portador de doenças crónicas debilitantes, pode também conduzir à morte”.

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