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Respirar: Doenças respiratórias matam mais no frio

29 Novembro, 2010 0

PNEUMONIA ATACA TODOS

O especialista Jorge Pires lembra, por seu turno, que “a pneumonia não é uma gripe mal curada, mas pode seguir-se a uma gripe, que debilita as defesas do nosso organismo”. O médico de Coimbra frisa que se trata de uma patologia que atinge todas as faixas etárias, mas é nos mais velhos que exige cuidados redobrados. “A maior parte das pneumonias trata-se em ambulatório, não precisa de internamento; mas há uma preferência das pneumonias pelas pessoas de idades mais avançadas e também pelas que têm patologias associadas, o que justifica hoje o maior número de internamentos e internamentos mais prolongados”, explica.

Um dos grandes problemas das pneumonias é ser detectada tardiamente, o que pode dificultar a sua cura. “A subvalorização de algumas situações por parte dos doentes advém do facto de as suas manifestações respiratórias e gerais serem por vezes pouco marcadas e se poderem confundir com outras patologias de menor gravidade”, evidencia o pneumologista. Jorge Pires sublinha, contudo, que existem sinais de alerta, como tosse, expectoração, muitas vezes amarela ou esverdeada, pieira ou ronceira, cansaço fácil e a falta de ar”, que não devem ser ignorados. O médico de família tem um papel fundamental, já que é “é o primeiro especialista a contactar com o doente e por isso é muito importante a sua capacidade de reconhecimento da patologia”.

O tratamento varia de caso para caso e pode não ser um bicho-de-sete-cabeças. “No caso das pneumonias adquiridas na comunidade, banais, o tempo até à cura pode ser de oito a dez dias se tudo correr bem, mas se assim não acontecer a cura pode demorar semanas”, informa.

Tal como a gripe, a pneumonia também pode ser uma doença contagiosa. “O doente com pneumonia tem, de um modo geral, tosse intensa e espirros que podem lançar no ar os microorganismos capazes de causar uma nova infecção.”

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GRIPE A: o que ainda está por vir

O ex-director-geral da Saúde Constantino Sakellarides disse recentemente ser necessário chegar a um consenso sobre a pandemia da gripe A porque “pesa na opinião pública a ideia de que a montanha pariu um rato”. Para Amaral-Marques, tal só foi possível “porque foram tomadas, de forma atempada e adequada, as medidas de contenção e de erradicação dos focos de infecção”. O médico ressalva, contudo, que “não se sabe o que ainda está para vir”. Não é possível dizer se haverá ou não um novo surto este ano. “Em anos normais, os picos de gripe surgem por volta da 4.ª a 6.ª semanas após o início de cada ano, o que quer dizer que só lá para o fim de Janeiro é que se deverá assistir a um pico de actividade gripal”, explica o médico.
Certo é que a vacinação contra a gripe sazonal já contempla o H1N1. “A Direcção-Geral da saúde (DGS) recomenda a vacinação sazonal em todos os grupos considerados de risco e amplamente divulgados através do micro-site da gripe”, elucida Amaral-Marques. E conclui: “Quanto à vacina pandémica, que ainda existe em quantidade suficiente nos centros de saúde, continua a ser recomendada para quem não foi vacinado no ano passado e esteja dentro dos grupos de risco considerados na altura.”

Cuidados a ter para evitar contágio:
• Se é um doente crónico e se está incluído no grupo da população de risco, deve vacinar-se contra a gripe e contra a pneumonia
• Limpe as mãos, principal elemento de transmissão das infecções
• Evite tossir e espirrar para cima dos outros
• Tenha cuidados especiais nos transportes públicos, em que a proximidade e o grande número de pessoas em espaços confinados facilitam, grandemente, as infecções respiratórias.

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