O cérebro também come?
É verdade: o cérebro também come, necessitando de uma alimentação equilibrada para funcionar correctamente. Com os nutrientes certos, pensamos mais depressa, temos melhor memória e concentração.
Quem não se lembra do famoso – mas detestado – óleo de fígado de bacalhau? Era dado às crianças, primeiro sob a forma de líquido, mais tarde de cápsulas. O seu sabor amargo tornou-o impopular e ainda hoje falar nele dá origem a um esgar de rejeição. Porém, havia uma boa razão, uma óptima razão para infligir tal “tormento” aos mais pequenos: é que o óleo de fígado de bacalhau é rico em substâncias essenciais para o correcto desenvolvimento do cérebro. É o caso dos ácidos gordos, mas também das vitaminas do complexo B.
Hoje em dia já ninguém o toma, mas o cérebro continua a necessitar de ser alimentado. É que aquilo que comemos afecta directamente o desempenho cerebral: está provado que os nutrientes adequados estimulam a inteligência, melhoram o humor, favorecem a estabilidade emocional, aguçam a memória, fortalecem a concentração e aguçam o raciocínio. Além de que contribuem para manter a mente jovem.
Uma questão de química
Pensar é um processo químico. O cérebro é constituído por 100 mil milhões de células – os neurónios – que comunicam umas com as outras através de alguns milhares de passagens – as sinapses. De um neurónio para o outro, a informação é transmitida por mensageiros especiais – os neurotransmissores.
Estes mensageiros são constituídos por aminoácidos, substâncias existentes nas proteínas, ou seja, em alimentos como a carne, o peixe e os lacticínios. Para que os aminoácidos sejam transformados em neurotransmissores são necessários sais minerais e vitaminas.
São três os principais mensageiros do cérebro humano: a acetilcolina, a dopamina e a serotonina. A acetilcolina estimula os neurónios, estando associada à capacidade de memória, mas também está envolvida nos movimentos voluntários dos músculos e na inibição comportamental. Entre os alimentos que a fornecem incluem-se a gema do ovo, os amendoins, a carne, o peixe, o queijo e vegetais como os brócolos e a couve-flor.
Já a dopamina está relacionada com o movimento, a atenção e a aprendizagem, bem como com a excitação emocional. Encontra-se nos alimentos ricos em proteínas. Quanto à serotonina, tem implicações no humor, nas sensações de prazer e felicidade, bem como no sono e no apetite.
Gorduras são essenciais
Mais de 60 por cento do cérebro é composto por gordura.As células são protegidas por uma espécie de película isolante – a mielina – constituída por 75 por cento de gordura. Além disso, as gorduras funcionam como mensageiros, regulando o sistema imunitário, a circulação sanguínea, os processos inflamatórios, a memória e o humor.
[Continua na página seguinte]
E de todas as gorduras os ácidos gordos ómega 3 são essenciais ao desempenho do cérebro. A sua falta pode abrir caminho a depressão, perda de memória, dificuldades de aprendizagem, hiperactividade com défice de atenção e outras disfunções do foro mental.
Destes ácidos, o DHA é produzido pelo organismo, mas está igualmente presente no leite materno e no peixe gordo (salmão, sardinha, bacalhau, entre outros). Importante é também o ALA, que, não existindo naturalmente no organismo, deve ser obtido através dos alimentos, sobretudo dos óleos vegetais (de girassol ou de soja, por exemplo).

