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10 a 20% da população já sofreu de “zona”

28 Junho, 2009 0

Alvo de rezas e mezinhas a zona sempre despertou a curiosidade popular. É na realidade uma doença frequente, já que 10 a 20% da população terá zona em alguma altura da vida, provocada pelo mesmo vírus da varicela.

Após a infecção inicial (que se manifesta pela varicela), o vírus aloja-se em gânglios nervosos, permanecendo aí inactivado ou activar-se mais tarde, originando doença, que se traduz pela zona. Esta reactivação é mais frequente em doentes com idade avançada ou com o sistema imunitário debilitado: doentes transplantados, a fazer quimioterapia, com linfomas, leucemias e VIH/sida.

 

Como se manifesta a zona?

Ao contrário da varicela, que se generaliza pela pele, a zona fica limitada a uma área – dermátomo -, ou seja, o território do nervo afectado. Nos dias antecedentes ao aparecimento das lesões na pele, os doentes poderão queixar-se de dor, ardor e formigueiros, o que pode levar a confusões diagnósticas com cólicas renais, infecções urinárias ou hérnias discais. Surge posteriormente uma erupção cutânea, com vesículas e bolhas preenchidas por líquido, sobre uma área avermelhada. Ao fim de alguns dias, as lesões tornam-se purulentas, rompem e transformam-se em crostas. A zona pode ocorrer em qualquer parte do corpo, mas é mais frequente no tronco e face. Tipicamente, só atinge um dos lados do corpo, mas nos doentes imunodeprimidos pode disseminar-se. Em rezas populares ainda se veicula o medo: “Eu te rezo cobrão (…) Não ajuntes o rabo com a cabeça.”

 

É contagiosa?

Até se formar a crosta, as vesículas contêm o vírus, daí que o contacto directo com as lesões por pessoas susceptíveis (crianças que ainda não tenham tido varicela, imunodeprimidos e grávidas) possa originar varicela.

 

Quais as complicações principais?

Em doentes imunodeprimidos ou com mais idade, as complicações podem ser mais graves. O aparecimento de numerosas vesículas fora do dermátomo, sobretudo nas primeiras horas, é um sinal de alarme para uma possível disseminação do vírus. A localização da zona na parte superior da face pode acompanhar-se por uma lesão do ramo oftálmico. E, por isso, o doente deve ser observado por um oftalmologista, de maneira a detectar precocemente alterações e a evitar complicações oculares graves. Outra complicação, mas esta facilmente evitável por uma higiene cuidadosa, é a infecção bacteriana secundária. Uma complicação tardia, que atinge alguns doentes, é a chamada nevralgia pós-herpética, definida como a dor que persiste mais de quatro semanas nas áreas afectadas, após a cicatrização das lesões cutâneas, que pode mesmo ser incapacitante e durar meses a anos.

 

Qual o tratamento?

Quanto mais cedo se iniciar o tratamento (o ideal será nas primeiras 72 horas após o início das lesões), com medicamentos por via oral (antivíricos), mais eficaz se torna a redução da dor e das lesões. O alívio da dor com analgésicos é fundamental, bem como manter a pele limpa para evitar infecções. No que se refere à dor tardia estão disponíveis várias armas terapêuticas, que incluem medicamentos orais e de aplicação tópica. Felizmente, a maioria das pessoas só tem zona uma vez na vida.

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