Apetite & Ansiedade
É quase inevitável: a falta de apetite dos filhos alimenta a ansiedade dos pais. Mas, o que eles (não) comem, nem sempre é sinónimo de um problema, existindo estratégias para lhes abrir o apetite.
Histórias de crianças que não têm apetite enchem o quotidiano, cruzando-se nas conversas de mães que desesperam à vista de um filho que se recusa a comer, obrigando a mil e uma manobras de diversão para ingerir uma refeição. São histórias que falam da recusa em comer a sopa, o peixe ou os legumes, mas também alimentos que normalmente são mais apelativos para as crianças.
Falam de colheradas empurradas à custa de muita paciência, de refeições que se arrastam como se de uma batalha se tratasse. A verdade é que a alimentação é uma das principais fontes de ansiedade dos pais. Independentemente da idade dos filhos, o que eles comem ou não é sempre gerador de alguma preocupação. De tal forma que, a determinada altura, os próprios filhos usam essa “arma” contra os pais.
Importa, no entanto, saber que aquilo que os pais consideram falta de apetite – e que tem, geralmente, a ver com a quantidade ingerida – pode ser normal à luz do desenvolvimento da criança. Desde logo, porque a criança não precisa sempre da mesma quantidade de nutrientes.
E depois, porque, com a idade, se vai tornando mais selectiva face ao que come, manifestando preferências.
Além disso – e não é menos importante – é influenciada pelos hábitos familiares à mesa.
Durante o primeiro ano de vida, o crescimento da criança processa-se com muita rapidez – cerca de 25 centímetros em altura -, mas a partir do segundo ano esse ritmo desacelera, até que entre os três e os seis apenas cresce, em média, cinco a sete centímetros por ano. Ora, a diferentes velocidades de crescimento correspondem diferentes necessidades nutricionais e energéticas, o que se reflecte no apetite.
Pelo segundo ano de vida, outro obstáculo se impõe entre a criança e as refeições: nessa idade, já se movimenta facilmente pela casa, facto que lhe estimula a curiosidade e torna mais árdua a tarefa de a manter sentada à mesa, em frente a um prato de comida.
Além disso, à medida que cresce, a criança torna-se mais autónoma, o que, em termos alimentares, significa que vai sendo mais selectiva, começa a fazer escolhas, nem sempre as mais saudáveis. Até porque, quando chega a idade escolar, tem à sua disposição uma variedade de guloseimas que perturbam o apetite à hora das refeições. E antes disso há o apelo dos brindes oferecidos em troca de um pão, de chocolate ou batatas fritas.
Mais tarde, e sobretudo sobre o sexo feminino, é exercida uma certa pressão social que induz as adolescentes na crença de que magreza é sinónimo de beleza e sucesso. Dominadas por um receio intenso de ficarem gordas, vão-se privando de alimentos – ficam pele e osso e, mesmo assim, não gostam do que vêem ao espelho. É a conhecida anorexia nervosa, um distúrbio do comportamento alimentar que ameaça seriamente a saúde de muitas jovens.

