Avós: Pais 2 vezes - Médicos de Portugal

A carregar...

Avós: Pais 2 vezes

21 Julho, 2009 0

É a sabedoria popular que faz dos avós pais duas vezes, embora a realidade espere deles papéis bem diferentes dos tradicionais. Há avós mais jovens e avós mais activos: é a sociedade a mudar.

Longe vão os tempos das famílias alargadas, em que as sucessivas gerações coexistiam, partilhando o quotidiano e assumindo em conjunto a tarefa de cuidar e educar as crianças.

As famílias hoje são mais pequenas, muitas delas monoparentais. Os avós, esses, também mudaram. Mantêm até mais tarde uma vida activa, mesmo quando já se retiraram da vida profissional. Assim é particularmente nos meios urbanos.

Longe vão também os tempos em que os avós eram aqueles velhinhos amorosos que, pacientemente, contavam histórias aos netos. Hoje os avós são solicitados para outras tarefas, comprometendo-se de forma bem diferente com a vida dos netos. Por imposição da evolução social. As mentalidades abriram-se e as mulheres emanciparam-se, integrando-se no mercado de trabalho. E os avós desempenham, cada vez mais, o papel de cuidadores, preenchendo os tempos e as tarefas de que os pais estão ausentes.

Contudo, não há mudança que interfira com a mais-valia dos avós. Entre eles e os netos geram-se laços fortes que beneficiam ambas as gerações. Para os mais velhos, os netos representam o triunfo da vida, são símbolo do prolongamento da sua própria vida. E é este sentimento que alimenta o amor incondicional que sentem pelos netos e que, aliás, caracteriza esta relação tão especial. Este amor traduz-se numa atitude de pura sedução que torna os avós tão atractivos para as crianças.

Ocupam um lugar único, que nenhum outro membro da família consegue disputar. É um lugar que reflecte a disponibilidade de estar e de escutar, de partilhar histórias e brincadeiras.

Os avós desempenham ainda um papel essencial na descoberta da diferença. Desde logo a diferença de idades. E se viverem bem com a idade que têm, transmitem uma ideia positiva do envelhecimento, ajudando os mais pequenos a respeitar os idosos.

Os avós funcionam como uma ponte com o passado, integrando a história das diferentes gerações. Uma ponte também entre pais e filhos, transposta com o revelar de episódios de quando os pais eram crianças. Conhecer estas histórias torna as crianças mais próximas dos pais, mostra-lhes um lado desconhecido daqueles que, no dia-a-dia, exercem o difícil papel da autoridade. Este é, aliás, um exercício que os próprios pais podem praticar, na certeza de que criarão momentos de grande intimidade com os filhos. Esta partilha do passado ajuda a perceber que existe um lugar para todos na pirâmide genealógica.

Para as crianças, os avós são fonte de carinho inesgotável. São eles que proporcionam todos os extras que não chegam dos pais, apanhados quase sempre no furacão dos afazeres profissionais que pouco tempo deixam para ouvir os mais pequenos. E eles precisam de ser ouvidos. Porque o crescimento implica dúvidas, angústias e receios, pequenos conflitos internos e externos que, apesar de naturais, são perturbadores. Captar os sinais pode ser difícil, mas a disponibilidade dos avós – se forem próximos – é uma garantia de atenção e conforto.

Páginas: 1 2 3

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.