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Apetite & Ansiedade

20 Julho, 2009 0

É claro que, do ponto de vista clínico, há justificações para a perda pontual de apetite. Mas muitas vezes o problema é educacional. E pode mesmo decorrer de um certo sentimento de culpa das mães – tradicionalmente responsáveis pela alimentação da família, mas que, hoje em dia, trabalham fora de casa, investem na carreira profissional com a consequente falta de tempo para estar em casa, fazer compras ou refeições. O resultado pode ser a tentação de compensar os filhos, oferecendo-lhes ou, pelo menos, permitindo-lhes o acesso a todos aqueles alimentos considerados pouco saudáveis.

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Limites e exemplos

A falta de limites é um risco, em muitas áreas da educação de um filho, mas também no que toca à alimentação. Os primeiros cuidados impõem-se logo no primeiro ano de vida, com a introdução de novos ingredientes na dieta infantil, que até aos quatro meses se faz exclusivamente de leite, materno ou não. É então importante oferecer à criança variedade – no sabor e na textura dos alimentos, para que ela vá provando de tudo um pouco e para evitar que crie aversão a alguns deles. É claro que haverá sempre um ou outro que ela rejeita e, nesse caso, convém não a forçar, substituindo esse alimento por outro do mesmo grupo nutricional.

Há que respeitar o gosto da criança, mas também não se pode facilitar.

A criança precisa de aprender a conhecer os novos sabores para poder aceitá-los, um conhecimento só possível quando o alimento lhe é oferecido várias vezes. Há mesmo estudos que indicam que são precisas dez tentativas para a aceitação do alimento. Por isso, nada de eliminar um determinado alimento da dieta infantil só porque a criança torce o nariz da primeira vez que o prova. Há que insistir e só depois, face a uma recusa sistemática, escolher uma alternativa.

Neste processo educativo, é fundamental que pais e filhos partilhem a refeição. Não apenas no sentido de se juntarem à mesa para o almoço e o jantar, mas também no sentido de que todos adultos e crianças – devem comer o mesmo prato, os mesmos alimentos. Se os pais não comem legumes, como convencerão a criança de que são saborosos? Há que dar o exemplo, mesmo que às vezes isso implique alguns amargos de boca… Além de que os miúdos não perdoam – e, mais cedo ou mais tarde, serão eles a chamar a atenção para a incongruência dos pais, deixando-os a braços com uma explicação nem sempre fácil de dar.

Outra regra de ouro é não substituir a refeição quando a criança diz que não gosta e se recusa a comer. É uma tentação correr para a cozinha a prepararlhe o seu petisco preferido, mas o preço a pagar pode ser elevado: é que ela vai perceber que, recusando-se a comer, lhe farão a vontade e vai usar esse trunfo sempre que o almoço não lhe agradar. É uma espécie de chantagem, em que as crianças são peritas, uma armadilha em que os pais caem facilmente.

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