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Leucemia: Células sem controlo - Médicos de Portugal

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Leucemia: Células sem controlo

2 Maio, 2017 0
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É nas células sanguíneas que a leucemia se desenvolve: são produzidos glóbulos brancos de que o organismo não precisa e o sangue deixa de cumprir a sua função. Este é o tipo de cancro mais comum entre as crianças.

A leucemia é, como qualquer outro tipo de cancro, consequência de um desenvolvimento anómalo de células.

Quase sempre por causas difíceis de identificar, o que acontece é que a renovação celular é alterada. Num organismo saudável, as células crescem e dividem-se para formar novas células à medida que vão sendo necessárias, cumprindo-se um ciclo que passa pela substituição das células que envelhecem e morrem. Mas este processo ordeiro pode correr mal, formando-se novas células sem que haja declínio de outras, ou seja, sem que o organismo delas precise.

Na leucemia, o que se verifica é uma produção anómala de um tipo específico de células sanguíneas – os glóbulos brancos, que fazem parte do sistema imunitário, contribuindo para o combate a infecções. Com o tempo, estas células ultrapassam, em número, as células saudáveis, quer os glóbulos brancos, quer os vermelhos (que transportam oxigénio para os tecidos), quer as plaquetas (que ajudam ao controlo de hemorragias).

Tudo isto se inicia na medula óssea, a substância mole que existe no interior dos ossos e que é como que uma fábrica das células sanguíneas. Mas, como todas as células, também estas circulam por todo o corpo, pelo que a doença pode manifestar-se de diversas formas, em função do número e da localização das células tumorais.

Há, no entanto, sintomas comuns que, não sendo exclusivos da leucemia, funcionam como sinais de alerta: febre e suores nocturnos, fadiga e fraqueza persistentes, infecções frequentes, perda de apetite e de peso, facilidade em sangrar e fazer nódoas negras, pequenas pintas vermelhas na pele, dor nos ossos e articulações, nódulos linfáticos inchados (sobretudo no pescoço, axilas e virilhas), inchaço ou desconforto abdominal (devido ao aumento do baço).

 

Em adultos e crianças

É comum considerar-se que a leucemia é uma doença oncológica de crianças. Mas, apesar de ser o tipo de cancro mais comum entre as crianças, afecta igualmente adultos, havendo formas que predominam entre os mais pequenos e outras que não os afectam.

Existem várias classificações para a leucemia. Uma delas tem a ver com a rapidez com que a doença progride, distinguindo-se entre aguda e crónica. É aguda quando as células anómalas são imaturas e, portanto, incapazes de cumprir a sua função: multiplicam-se rapidamente, pelo que a doença também se agrava rapidamente.

Já a leucemia crónica envolve células mais maduras que, por algum tempo, conseguem funcionar correctamente: multiplicam-se mais lentamente, a doença vai piorando à medida que o número de células anómalas aumenta, mas a pessoa pode não apresentar sintomas durante muito tempo.

Outra classificação da leucemia passa pelo tipo de glóbulos brancos afectados. É linfocítica quando surge em células linfóides – linfócitos, que fazem parte do tecido linfático, existente em várias partes do organismo, nódulos linfáticos, amígdalas e baço.
E é mielóide quando se declara nas células mielóides, ou seja, nas células que, mais tarde, tanto podem dar origem a glóbulos brancos como vermelhos ou plaquetas.

Da conjugação entre estes dois critérios resultam quatro tipos de leucemia. O mais comum é a leucemia mielóide aguda, que tanto ocorre em crianças como em adultos. Nas crianças o tipo mais frequente é a leucemia linfocítica aguda. As formas crónicas – tanto a linfocítica como a mielóide – afectam sobretudo adultos.

Há algumas pessoas com risco acrescido de desenvolver leucemia: é o caso das que estão sujeitas a níveis elevados de radiação (como aconteceu com as vítimas da explosão do reactor nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986) e das que estão expostas de forma prolongada a substâncias químicas como o benzeno. Mas também de quem sofre de doenças genéticas como a síndrome de Down ou já foi submetido a tratamentos com determinados medicamentos anticancerígenos.

No entanto, ser possuidor de um destes factores não significa que se vá desenvolver necessariamente a doença. Aliás, muitos doentes não apresentam qualquer factor de risco.

 

Tratamento complexo

A leucemia é uma doença complexa no que respeita ao tratamento, desde logo porque, ao contrário de outros cancros, não existe um tumor sólido que possa ser removido. Existem diversas opções, com a decisão médica a basear-se em critérios como o tipo de leucemia, o estado geral de saúde e a idade do doente.

A quimioterapia é uma das opções, envolvendo a administração de fármacos para matar as células cancerígenas. Outra possibilidade é a radioterapia, que consiste na utilização de raios de alta energia para travar o crescimento das células. Alguns doentes beneficiam com a imunoterapia, administrada por injecção numa veia e que reforça as defesas do organismo contra o cancro.

Existe o transplante de medula óssea retirada do próprio ou de dador compatível, mas que tem vindo a ser substituída pelo transplante de células estaminais – do sangue periférico ou do cordão umbilical.

Do próprio doente ou de outra pessoa, que tanto pode ser um familiar directo como um dador inscrito num registo nacional ou internacional. É preciso é que haja compatibilidade.

E entre irmãos essa compatibilidade é de um para quatro, mas fora dos laços familiares pode ser necessário pesquisar entre muitas centenas de milhar, por vezes até um milhão, de dadores inscritos nos registos. É um universo superior a 13 milhões de cidadãos solidários, um universo de esperança para os cerca de mil novos casos de leucemia que surgem todos os anos em Portugal.

 

Solidários até à medula

Era este o apelo subjacente a uma das mais recentes campanhas de sensibilização para a importância da doação de medula óssea e para a inscrição no registo nacional de dadores, o CEDACE. Uma campanha, entre outras, que motivou uma onda de adesões. De tal modo que, em Maio último, o registo somava 163 mil inscrições.

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