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Leucemia: Células sem controlo

2 Maio, 2017 0
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Em 2002, o registo nacional estava na cauda dos registos europeus, com o menor número de inscritos, mas em 2009 é já o segundo maior, depois da Alemanha. O que traduz o maior crescimento percentual no mundo.

Doentes de 18 nacionalidades encontraram já neste registo a compatibilidade de medula que lhes deu nova oportunidade de vida: no total, foram 129 os doentes beneficiados (até Março), 54 dos quais portugueses.

É fácil ser dador de medula óssea. Basta ter entre 18 e 45 anos e ser saudável. Uma vez feita a inscrição, o candidato a dador é submetido a um conjunto de análises, cujos resultados serão guardados numa base de dados e que serão usados sempre que um doente, nacional ou internacional, seja proposto para transplante.

Estima-se que cerca de 80 por cento dos doentes têm, pelo menos, um potencial dador compatível, embora nem todos os doentes para os quais é identificado um dador cheguem à fase de transplante.

Uma vez determinada a compatibilidade, o passo seguinte é a colheita de células da medula óssea do dador para transplante no doente. As células tanto podem ser colhidas do interior dos ossos pélvicos (caso do transplante de medula), o que requer geralmente anestesia geral e uma breve hospitalização, como no sangue periférico (caso do transplante de células estaminais), para o que é necessário que o dador tome previamente um medicamento que aumenta a produção dessas células.

Além destes métodos, existe a possibilidade de utilização de células estaminais do cordão umbilical, colhidas imediatamente após o parto e de seguida criopreservadas (guardadas no frio).

Uma vez transplantadas, estas células vão substituir as doentes e estimular a produção de células saudáveis. É uma nova possibilidade de vida que se abre.

A leucemia é, como qualquer outro tipo de cancro, consequência de um desenvolvimento anómalo de células.

Quase sempre por causas difíceis de identificar, o que acontece é que a renovação celular é alterada. Num organismo saudável, as células crescem e dividem-se para formar novas células à medida que vão sendo necessárias, cumprindo-se um ciclo que passa pela substituição das células que envelhecem e morrem. Mas este processo ordeiro pode correr mal, formando-se novas células sem que haja declínio de outras, ou seja, sem que o organismo delas precise.

Na leucemia, o que se verifica é uma produção anómala de um tipo específico de células sanguíneas – os glóbulos brancos, que fazem parte do sistema imunitário, contribuindo para o combate a infecções. Com o tempo, estas células ultrapassam, em número, as células saudáveis, quer os glóbulos brancos, quer os vermelhos (que transportam oxigénio para os tecidos), quer as plaquetas (que ajudam ao controlo de hemorragias).

Tudo isto se inicia na medula óssea, a substância mole que existe no interior dos ossos e que é como que uma fábrica das células sanguíneas. Mas, como todas as células, também estas circulam por todo o corpo, pelo que a doença pode manifestar-se de diversas formas, em função do número e da localização das células tumorais.

Há, no entanto, sintomas comuns que, não sendo exclusivos da leucemia, funcionam como sinais de alerta: febre e suores nocturnos, fadiga e fraqueza persistentes, infecções frequentes, perda de apetite e de peso, facilidade em sangrar e fazer nódoas negras, pequenas pintas vermelhas na pele, dor nos ossos e articulações, nódulos linfáticos inchados (sobretudo no pescoço, axilas e virilhas), inchaço ou desconforto abdominal (devido ao aumento do baço).

 

Em adultos e crianças

É comum considerar-se que a leucemia é uma doença oncológica de crianças. Mas, apesar de ser o tipo de cancro mais comum entre as crianças, afecta igualmente adultos, havendo formas que predominam entre os mais pequenos e outras que não os afectam.

Existem várias classificações para a leucemia. Uma delas tem a ver com a rapidez com que a doença progride, distinguindo-se entre aguda e crónica. É aguda quando as células anómalas são imaturas e, portanto, incapazes de cumprir a sua função: multiplicam-se rapidamente, pelo que a doença também se agrava rapidamente.

Já a leucemia crónica envolve células mais maduras que, por algum tempo, conseguem funcionar correctamente: multiplicam-se mais lentamente, a doença vai piorando à medida que o número de células anómalas aumenta, mas a pessoa pode não apresentar sintomas durante muito tempo.

Outra classificação da leucemia passa pelo tipo de glóbulos brancos afectados. É linfocítica quando surge em células linfóides – linfócitos, que fazem parte do tecido linfático, existente em várias partes do organismo, nódulos linfáticos, amígdalas e baço.
E é mielóide quando se declara nas células mielóides, ou seja, nas células que, mais tarde, tanto podem dar origem a glóbulos brancos como vermelhos ou plaquetas.

Da conjugação entre estes dois critérios resultam quatro tipos de leucemia. O mais comum é a leucemia mielóide aguda, que tanto ocorre em crianças como em adultos. Nas crianças o tipo mais frequente é a leucemia linfocítica aguda. As formas crónicas – tanto a linfocítica como a mielóide – afectam sobretudo adultos.

Há algumas pessoas com risco acrescido de desenvolver leucemia: é o caso das que estão sujeitas a níveis elevados de radiação (como aconteceu com as vítimas da explosão do reactor nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986) e das que estão expostas de forma prolongada a substâncias químicas como o benzeno. Mas também de quem sofre de doenças genéticas como a síndrome de Down ou já foi submetido a tratamentos com determinados medicamentos anticancerígenos.

No entanto, ser possuidor de um destes factores não significa que se vá desenvolver necessariamente a doença. Aliás, muitos doentes não apresentam qualquer factor de risco.

 

Tratamento complexo

A leucemia é uma doença complexa no que respeita ao tratamento, desde logo porque, ao contrário de outros cancros, não existe um tumor sólido que possa ser removido. Existem diversas opções, com a decisão médica a basear-se em critérios como o tipo de leucemia, o estado geral de saúde e a idade do doente.

A quimioterapia é uma das opções, envolvendo a administração de fármacos para matar as células cancerígenas. Outra possibilidade é a radioterapia, que consiste na utilização de raios de alta energia para travar o crescimento das células. Alguns doentes beneficiam com a imunoterapia, administrada por injecção numa veia e que reforça as defesas do organismo contra o cancro.

Existe o transplante de medula óssea retirada do próprio ou de dador compatível, mas que tem vindo a ser substituída pelo transplante de células estaminais – do sangue periférico ou do cordão umbilical.

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