Uma alimentação equilibrada na criança
O que comer nos primeiros meses de vida, quando substituir o leite e quando introduzir o iogurte, a obesidade juvenil – estes são alguns dos temas que se encontram cada vez mais na ordem do dia. Conheça as respostas de vários especialistas para uma alimentação equilibrada na criança.
O desenvolvimento normal de uma criança e a sua qualidade de vida em adulto dependem, entre vários factores, de uma alimentação equilibrada e correcta. Mas como podem ser entendidos estes conceitos e em que medida são aplicados?
Do leite para outros alimentos
Por volta dos 4 a 6 meses de idade, o bebé deve iniciar uma fase de transição, que os especialistas denominam de diversificação alimentar. O leite materno ou para lactentes, que até aí eram o principal elemento na dieta da criança, começam a ser insuficientes para garantir o aporte de nutrientes e de calorias necessárias ao seu crescimento. Por isso, têm de entrar em cena os alimentos sólidos, como cereais, frutas, legumes, carne e peixe.
O momento ideal para iniciar o processo passa, por um lado, «pela aquisição de uma maturidade neurológica e comportamental que permita ao bebé passar por uma forma de alimentação baseada nos mecanismos de sucção, seguida de deglutição, para outra em que terá de lidar com alimentos de consistência diferente, tendo de os engolir sem recurso à sucção (alimentação com colher)», salienta o Dr. Gonçalo Cordeiro Ferreira, pediatra do Hospital Fernando Fonseca, na Amadora.
A diversificação vai também depender, na opinião deste especialista, da maturação de enzimas do tubo digestivo que permitam digerir os novos alimentos. Neste âmbito inserem-se ainda o «aperfeiçoamento» metabólico ou da actividade excretora renal, para que que o corpo consiga «libertar-se» do aumento da carga de proteínas e minerais próprio da introdução de novos alimentos.
Há, porém, riscos a ter em conta nesta nova realidade com os quais o lactente se depara, que podem ser imediatos ou a longo prazo. Dentro dos riscos imediatos contabilizam-se a infecção, por causa de alimentos contaminados serem preparados nigligenciando a higiene, e o desenvolvimento de alergia a alguns dos novos alimentos.
Aliás, Gonçalo Cordeiro Ferreira considera que «o risco de alergia é tanto mais importante quanto mais precoce a introdução das proteínas estranhas na dieta, como a proteína do leite de vaca, em lactentes não amamentados, que pode mesmo acontecer antes da diversificação, pois o intestino imaturo do bebé tem uma permeabilidade aumentada a essas moléculas que pode levar a uma resposta alérgica».
A permeabilidade a que este pediatra alude diminui aos 4 meses, reduzindo-se o risco de alergia às proteínas, excepto em casos de importante predisposição atópica familiar.
A longo prazo pode registar-se o excesso de calorias e proteínas por causa da introdução dos sólidos, obesidade devido a maus hábitos à mesa, riscos cardiovasculares (aterosclerose e hipertensão arterial), a que está potencialmente associada uma alimentação muito rica em gorduras saturadas ou em sal. Para prevenir este cenário, o pediatra aconselha deixar de lado o sal nas refeições durante o primeiro ano de vida.

