Uma alimentação equilibrada na criança
Quando introduzir
o iogurte?
O uso do iogurte na alimentação do bebé a partir dos 6 meses de idade é fonte de controvérsia. Neste ponto, as opiniões dos especialistas divergem.
Para a Prof.ª Helena Saldanha, internista dos Hospitais da Universidade de Coimbra, «a introdução do iogurte na alimentação da criança deve acontecer progressivamente», porque o tubo digestivo também amadurece da mesma forma, «devendo evitar-se os iogurtes de sabores, dando-se preferência aos naturais».
A intenção é prevenir as intolerâncias, que são extremamente frequentes em idades para além dos 6 meses. Os iogurtes magros são, na mesma medida, um alimento funcional, porque têm as mesmas características dos iogurtes feitos com leite inteiro, no que diz respeito, por exemplo, à absorção do cálcio e ainda assumem uma vantagem, segundo esta especialista:
«Reduzem a ingestão de ácidos gordos saturados em indivíduos que já possuem certa riqueza em ácidos gordos que ultrapassam todas as recomendações.»
Já o Dr. João Breda, nutricionista da Direcção-Geral de Saúde, de Lisboa, refere que, «à medida que os alimentos são introduzidos na dieta alimentar, a microflora intestinal torna-se também diversificada, uma vez que ao nascer o corpo humano não possui bactérias. Elas são adquiridas em vida».
Há evidências e vários investigadores que concordam, segundo João Breda, que o iogurte deve entrar na dieta de uma criança por volta dos 6 meses de idade. No entanto, neste aspecto, «também há que fazer valer a sensatez, conhecer as necessidades, os desejos, qual a cultura em que o ser humano está inserido e as possibilidades de utilização de determinado tipo de alimentos».
Por outro lado, o Prof. Jaime Salazar de Sousa, pediatra do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, deixou bem vincado que «não existe qualquer comité internacional ou nacional de nutrição pediátrica que diga que o iogurte é ou não aconselhável a partir dos 6 meses de idade».
Entretanto, Gonçalo Cordeiro Ferreira salienta os benefícios do iogurte para a flora bacteriana intestinal, mas sustenta que, perante a presença da proteína de leite não tratada, «deverá ser iniciado apenas depois dos 10 meses, preferencialmente natural e não adoçado».
Para substituir o leite, que pode
o bebé comer primeiro?
Aqui há uma regra importante que o pediatra Gonçalo Cordeiro Ferreira sublinha:
«Os novos alimentos devem ser introduzidos sepradamente ao longo do tempo, com uma semana, no mínimo, entre cada um, para avaliar e identificar o aparecimento de possíveis reacções de intolerância.»
A inclinação deste especialista é colocar os cereais (farinhas infantis) em primeiro lugar, «porque estamos a administrar à criança um sabor conhecido, por serem preparados com leite». Os cereais garantem um aporte mínimo de leite (pelo menos 500 ml por dia) e contêm ferro, vitaminas e hidratos de carbono, que são boa fonte de energia.
No caso da doença celíaca, que é genética, não há qualquer relação entre a prevenção e a altura em que a criança toma contacto com o glúten, revelando as primeiras manifestações patológicas.
Tarde ou cedo a doença aparece, mas, segundo Gonçalo Cordeiro Ferreira, «é, no entanto, razoável administrar as farinhas com glúten depois dos 6 meses», para evitar problemas durante o período de maior desenvolvimento da criança.

