Arquivo de Criança - Médicos de Portugal

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O sarampo foi absolutamente fatal para muitas - demasiadas - vidas. A vacina ajudou a conter a expansão desta doença altamente contagiosa, mas não impede que continue a existir.


Causada por um vírus facilmente propagado pelas secreções nasais ou bocais, a infecção respiratória estende os seus efeitos aos olhos e à pele.


Aliás, é precisamente na pele que se declaram os sintomas mais visíveis - as manchas avermelhadas. O percurso descendente é uma característica, por isso surgem primeiro na cabeça até chegarem aos pés num processo que dura cerca de três dias.


Paralelamente às manchas, a febre elevada, tosse, irritação da garganta, secreções nasais e dores musculares compõem os sintomas apresentados.


Na boca, surgem pequenos pontos irregulares com um centro esbranquiçado - são as manchas de Koplik, que geralmente precedem as erupções cutâneas. Nos olhos, a inflamação e a vermelhidão típicas da conjuntivite, a que se associa uma particular sensibilidade à luz - daí que, no tempo em que o sarampo era generalizado, as crianças eram mantidas num ambiente escuro e as entradas de luz cobertas com panos vermelhos.


O vírus do sarampo possui um período de incubação de aproximadamente 10 dias, com variação que pode ir dos 7 aos 18 dias, após o contágio, com a doença a prolongar-se entre 4 a 7 dias. O período de maior contágio ocorre 2 a 4 dias antes das erupções cutâneas e perdura até 2 a 5 dias após o aparecimento das mesmas. É então que a simples presença de um doente
pode significar o contágio de todos os que com ele contactem, havendo 90 por cento de probabilidades de isso acontecer se não tiverem sido vacinados.


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O mongolismo, mais tarde conhecido como síndrome de Down, foi descrito, pela primeira vez, na Grã-Bretanha, no séc. XIX, pelo médico inglês John Landgdon Down, com base em algumas características observadas em crianças internadas num asilo de Inglaterra.

“Na segunda metade do séc. XX, J. Lejeune e colaboradores descobrem que o mongolismo resultava da presença de um cromossoma 21 supra-numerário (três cromossomas, em vez dos dois habituais), pelo que esta doença genética passou a designar-se, correctamente, por trissomia 21 (literalmente, três cromossomas 21)”, explica o Dr. Miguel Palha, pediatra do desenvolvimento e Director Clínico do Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças. Todos nós temos, no nosso ADN, 46 cromossomas, ou seja 23 pares. O trissómico não tem 46 cromossomas mas sim 47, localizando-se esse cromossoma extra, no par 21.

O risco de nascimento de uma criança com trissomia 21 aumenta com a idade da mãe. “Para as mães com idade superior a 35 anos, a probabilidade de se ter um filho com esta deficiência é significativamente mais elevada”, afirma Miguel Palha.



Características físicas e psíquicas

As pessoas com trissomia 21 têm uma incidência muito elevada de anomalias associadas. “O aspecto exterior (fenotipo) é muito característico: cabeça pequena, fendas palpebrais orientadas para fora e para cima (como nos povos orientais), orelhas pequenas e de implantação baixa, língua exposta fora da boca, pescoço curto e largo, mãos e pés pequenos e quadrados, baixa estatura, entre outros”, descreve Miguel Palha. Podem ainda verificar-se algumas perturbações na fala, decorrentes de uma macroglossia (língua grande) e de uma cavidade oral pequena. “Adicionalmente, a macroglossia relativa é um dos mais significativos e um dos mais evidentes estigmas físicos da trissomia 21”, acrescenta o especialista.

Estas são algumas das diferenças entre os portadores desta patologia e os outros. Quase todas as crianças com trissomia 21 apresentam ainda um défice cognitivo, “embora em dimensões muito variáveis. De um modo geral, é ligeiro a moderado”. No entanto, estas crianças podem ter uma vida normal e “alcançar bons níveis de autonomia pessoal e social”. São também muito meigas, alegres e “com grande capacidade para as trocas sociais”, acrescenta Miguel Palha.

Para que isto aconteça, os seus pais devem procurar associações que apoiem os portadores de trissomia 21. É o caso do Centro de Desenvolvimento Infantil “Diferenças”, com sede em Lisboa, e da Associação para portadores de trissomia 21 (Apatris 21), localizada no Algarve. Ambas as instituições desempenham um trabalho de extrema importância nesta área.

“Aqui, no Diferenças, as crianças têm um plano médico e um plano educativo. Vão uma vez por ano ao médico e têm uma rotina estabelecida, onde são avaliados os problemas de oftalmologia, de cardiologia, entre outros”, explica a Dra. Susana Martins, terapeuta ocupacional. No plano educativo, as crianças frequentam sessões de educação especial ou terapia da fala. “Os pais devem estar presentes em alguns destes encontros. A ideia é explicarmos o que estamos a fazer para que continuem o trabalho em casa.”

O desenvolvimento de uma criança com trissomia 21 é mais lento. No entanto, ela vai desenvolver e realizar todas as suas capacidades e actividades, mas comparativamente com as outras crianças, sempre um pouco mais tarde e mais lentamente. Por esse motivo, os pais de algumas destas crianças ficam surpreendidos com a sua evolução. “À partida, conseguem fazer um processo de aprendizagem adequado, se for muito bem treinado”, acrescenta Susana Martins.





Há circunstâncias em que pode haver solução, outras há que se tornam irreversíveis.

Esta ideia aplica-se ao cidadão comum, mas sobretudo a grupos profissionais de risco, a quem a lei do trabalho obriga a testes auditivos periódicos. Mas também existem programas em curso para a despistagem de limitações auditivas a recém-nascidos, como o atestam institui­ções como o Hospital de D. Estefânia, em Lisboa.

É precisamente por aqui que tudo começa, no que toca a uma boa saúde auditiva, antes de avançarmos por outros caminhos. Até porque qualquer perturbação auditiva à nascença, por pequena que seja, pode trazer outras complicações no futuro, nomeadamente num ponto importante: a fala.

Nos primeiros três anos de vida é fundamental que as faculdades auditivas sejam normais, porque vão ter influência no desenvolvimento da linguagem.

Por isso, não só é aconselhado que qualquer deficiência seja detectada o mais cedo possível, como também a terapêutica indicada deve arrancar antes dos seis meses de idade

Outras razões que justificam a realização do rastreio? As probabilidades de uma crian­ça nascer com carências auditivas acentuadas cifram-se num ou dois casos por cada 1000, mas 90% das crianças nascidas com problemas sérios a esse nível não têm antecedentes familiares ou factores de risco que anunciem um prognóstico de surdez.



Primeiro exame dura pouco
e não dói

Os avanços tecnológicos obtidos nesta matéria dão garantias em diversos aspectos.

«Nas crianças mais pequenas, até aos três anos, utilizam-se técnicas próprias para despiste da audição, como pesquisa de potenciais evocados auditivos, jogos interactivos, visionamento de imagens, mas também exames como o timpanograma. Este consiste na introdução no ouvido de um dispositivo adequado a bebés ou crianças um pouco mais velhas, que tem a capacidade de medição da pressão, emitindo igualmente sons muito leves. Isso traduz-se numa curva de funcionamento do ouvido, ou seja, do conjunto formado pelo tímpano e pelo conjunto de ossículos e pequenos músculos associados», refere o Dr. Borges Guerra, otorrinolaringologista do Hospital de Pulido Valente, em Lisboa.

Estes exames nos recém-nascidos são efectuados durante o sono, duram pouco tempo e não significam dor. Podem ser repartidos por duas fases: uma primeira, antes de sair do hospital, em que os resultados obtidos não indicam qualquer deficiência. Mas por vezes há dúvidas, porque o ouvido não deu resposta, por vários motivos: a audição está realmente atingida ou havia líquido no interior do ouvido, por exemplo. Aí haverá uma repetição dos testes, que será decisiva.

Em fases mais tardias, o audiograma, a pesquisa de reflexos tem como objectivo testar a reacção do ouvido a sons com determinadas frequências e, desse modo, verificar como está o sistema auditivo, refere o especialista. Isto porque há sempre que contar com o inesperado: infecções ou traumatismos que podem contribuir para danificar o aparelho auditivo.

Borges Guerra considera ainda que as crianças não devem começar a usar apare­lho numa fase tardia, se antes já havia um motivo para tal.

Como meio complementar da história clínica e da observação médica, a TC (tomo­grafia computadorizada) é uma ajuda preciosa para descobrir com mais pormenor se há líquido acumulado, fibroses ou anomalias das estruturas do ouvido.





As infecções das vias superiores são as mais comuns e podem, manifestar-se como constipação, gripe, anginas e faringite. As infecções das vias respiratórias inferiores manifestam-se sobretudo através de bronquiolite e pneumonia.


As IR têm uma elevada prevalência nas crianças, principalmente na faixa etária até aos 5 anos. Pode dizer-se que as IR afectam sobretudo as crianças e estima-se que cerca de 50 % das doenças que as afectam até aos 5 anos de idade são IR.


As causas das IR são maioritariamente vírus. Já as infecções mais graves do tracto respiratório inferior são frequentemente originadas por bactérias ou têm origem mista.


 


As IR e a criança


As infecções respiratórias superiores, em todas as idades, caracterizam-se por sintomas nasais como o pingo do nariz, nariz entupido, dores de garganta, mal-estar geral e febre. Podem surgir ainda queixas de acordo com os órgãos envolvidos (gânglios linfáticos do pescoço, dores de ouvidos, vertigens…).


As IR inferiores caracterizam-se por dificuldade respiratória, pieira, febre alta, cansaço e falta de apetite. Estes conjuntos de sintomas podem estar sempre presentes ou apenas surgirem alguns deles.


O organismo da criança é por natureza mais vulnerável e daí poder ser mais afectado pelos factores de risco. A atenção à evolução das IR na criança é da maior importância, são geralmente infecções com uma evolução benigna e autolimitada. Mas há factores de risco que podem contribuir para um agravamento da infecção: caso do tabagismo passivo, a existência de alergias, contacto com poluentes, tanto no ambiente doméstico como no meio circundante, há também de ter em conta o ambiente das creches ou infantários. O maior número de consultas abona esta evolução benigna, devem-se a problemas das vias respiratórias superiores, tais como o resfriado, a congestão nasal e a faringite.


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A pele do bebé é imatura e frágil, sendo que o seu amadurecimento se prolonga até aos oito, nove anos. Nos primeiros meses, a camada superficial é demasiado fina para suster a acção de agentes externos, pelo que é muito sensível e propensa a inflamações. O pH cutâneo é neutro e vai ganhando acidez, o que reduz a defesa face a microorganismos patogénicos.


Além das pregas cutâneas profundas e numerosas que exigem uma higiene cuidada, a segregação sebácea e sudorípara não é suficiente para lubrificar a epiderme e a película hidrolipídica protectora da pele. Daí que seja frequente a pele secar e gretar facilmente, sendo comum o aparecimento de pequenas borbulhas e manchas avermelhadas.


Como os mecanismos de defesa da pele ainda são deficientes, qualquer lesão ou irritação pode implicar um risco de infecção. E com tantas fragilidades, são necessários cuidados elementares para cumprir esse papel de defesa.


Todos os produtos utilizados na higiene do bebé devem ser apropriados, de modo a prevenir alergias, sem álcool e sem sabão (neutros), sob pena de agredirem uma pele que é, afinal, delicada. As compressas devem ser de utilização única e o soro fisiológico em unidose, de modo a prevenir eventuais contágios.


Da fralda ao banho, passando pelo cordão umbilical, unhas, nariz e ouvidos, a higiene do bebé é essencial. Fazer uma listagem dos produtos necessários é muito útil:



Banho


Opte por uma solução de lavagem que se mistura na água, adequada tanto para o corpo, como para o cabelo. Uma vez preparada, a água do banho passa-se sobre a pele com a ajuda de uma esponja muito suave, de compressas, ou directamente com a mão. As crianças podem tomar banho diariamente, mas não se deverá exceder os 25 minutos; a temperatura da água deve estar entre os 30º e os 32º C e a temperatura ambiente entre 24º e 26º C. A secagem deve ser metódica, evitando deixar zonas húmidas no corpo e usando toalhas suaves, preferencialmente de algodão.


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A Hiperactividade ou, mais exactamente, a Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHT A) resulta de uma disfunção no sistema nervoso central, mas pode ser agravada por factores ambientais e emocionais.


Afectando 3 a 7 por cento das crianças em idade escolar e sendo mais comum nos rapazes, tem como principal consequência a significativa redução da capacidade de concentração, espelhada na análise de situações do quotidiano - a actividade motora é muito acentuada, inadequada ou excessiva.


Os problemas tendem a agravar-se quando se espera que o comportamento seja mais calmo ou exemplar. E a escola - é um desses ambientes, daí que os professores sejam os primeiros a queixar-se do comportamento das crianças hiperactivas. Mais do que a família, são eles que se apercebem da desordem.


A criança tem dificuldade em manter um foco de atenção e em medir os perigos e os efeitos dos actos praticados sem pensar, como perder o material escolar, correr pela sala, agitar os colegas, etc... etc...


Temos, no cérebro, uma zona de autocensura, que nos ajuda a controlar os ímpetos, o que não acontece nos hiperactivos. Por isso, as crianças hiperactivas parecem "ligadas à corrente", alimentadas por uma fonte inesgotável de energia, deixando pais e professores à beira de um ataque de nervos.


Mas - cuidado - este tipo de comportamento não deve ser confundido com "má educação". E quanto uma criança é muito irrequieta e exuberante, tal não significa, necessariamente, que seja hiperactiva. Por outro lado, algumas crianças com esta perturbação apresentam problemas de atenção mas não de comportamento.


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As crianças são muito suscetíveis a infecções. Por um lado, porque nos primeiros anos de vida, o seu organismo não está completamente desenvolvido e o sistema imunitário ainda não desempenha em pleno as suas funções de defesa. Por outro, porque o facto de frequentarem creches e infantários as deixa mais expostas aos microorganismos. Daí que, quando um menino adoece, adoeçam logo mais dois ou três…


Devido à conjugação destes dois factores, é quase inevitável que as infecções se repitam, sobretudo as do sistema respiratório, mas também as gastrointestinais. São quase sempre benignas e os sintomas passageiros.


Mas não é por isso que os pais se preocupam menos quando veem a criança com febre, tosse, dores de garganta, sem energia ou sem apetite.


É natural que procurem uma solução que lhes proporcione alívio rápido. Daí que pensem, muitas vezes, nos antibióticos. Afinal, são considerados medicamentos “potentes”.


E são de facto “potentes”, mas isso não os torna adequados para todas as situações de doença. Na verdade, para estas infecções da infância, o mais provável é que não sejam o tratamento mais adequado. É que estas infecções são, na maioria das vezes, de origem viral – todos os pais já ouviram, certamente, falar nos surtos de viroses que acontecem nos infantários.


É uma designação genérica para um conjunto de sintomas, mas atesta que a causa é um vírus, contra o qual os antibióticos não são eficazes. É que estes medicamentos foram concebidos para tratar infecções causadas por bactérias.


Usá-los no tratamento de constipações, gripes e outras afeções da garganta muito comuns entre as crianças não resolve o problema: não cura a criança nem impede o contágio. Outra razão de peso é conhecida pelo nome de resistência bacteriana: ou seja as bactérias acabam por desenvolver mecanismos de sobrevivência aos medicamentos concebidos para as combater, ficando mais resistentes.


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A amamentação é recomendada nos primeiros quatro a seis meses de vida do bebé, na medida em que o leite materno possui propriedades que o tornam único, indo assim ao encontro das suas necessidades nutricionais nesta etapa do crescimento e desenvolvimento. O leite materno é rico em proteínas e gorduras, essenciais para o seu pequeno organismo, que ainda não possui reservas. Os constituintes do leite materno são ainda valiosos na protecção do sistema imunitário do bebé, aumentando a sua defesa contra infecções.


No entanto, o aleitamento materno nem sempre é possível devido, por exemplo, a algumas doenças que impedem que a mãe dê de mamar.


Isto não significa, porém, que o bebé fique privado de uma alimentação adequada, visto que existem leites e fórmulas infantis – normalmente designados por “leite em pó” ou “leite em lata” – que respondem às necessidades nutricionais do bebé.


São, no fundo, leites concebidos “à imagem” do leite materno, pois na sua composição entram nutrientes semelhantes. E tem sido até possível enriquecê-los com novos elementos, como por exemplo alguns ácidos gordos essenciais e agentes pré e próbióticos, importantes para o desenvolvimento do bebé.


 


Bebés diferentes, fórmulas diferentes


Os leites e fórmulas infantis ajudam o bebé a crescer e a desenvolver-se de forma saudável, indo ao encontro das diferentes fases de desenvolvimento e até de diferentes necessidades.


Assim, consideram-se três tipos de leite. Os leites para lactentes (ou leites 1) destinam-se a bebés até aos quatro ou seis meses e têm o leite de vaca como fonte de proteínas. Os de transição dividem-se em leites 2, adequados entre os quatro e os 12 meses, e leites 3 (ou de crescimento), para crianças dos 9/12 aos 36 meses.


Qualquer um destes leites está disponível em formulações distintas que permitem alimentar bebés com indicações particulares, como alergias, cólicas, obstipação e desconforto digestivo.


Cada vez mais as alergias se manifestam cedo na infância, nomeadamente a alergia às proteínas do leite de vaca. Quando isso acontece, o bebé não pode ser alimentado com um leite infantil “normal”, sendo necessário recorrer a fórmulas hipoalergénicas, à base de proteínas do soro de leite hidrolisado (isto é, as proteínas do leite de vaca que foram submetidas a um processo químico que lhes retirou a maior parte das substâncias que podem causar alergia).


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É uma das doenças mais comuns na infância, pelo que poucas crianças lhe escapam: até porque a varicela - é dela que falamos - é altamente contagiosa. Trata-se de uma infecção viral causada pelo vírus varicella zoster, da família dos vírus herpesviridae que causam, entre outras doenças, o herpes ou a mononucleose. Esta é uma família com cerca de uma centena de membros, mas de que apenas oito provocam doença nos seres humanos.


Mais comum no final do Inverno ou início da Primavera, a varicela contrai-se através do contacto directo com a pele infectada ou com partículas de saliva libertadas na tosse ou nos espirros de um doente. A facilidade do contágio é acentuada pelo facto de uma pessoa poder infectar outra ainda antes de os sintomas da varicela nela se manifestarem.


E que sintomas são esses? Os mais típicos - e quase sempre suficientes para o diagnóstico - são pequenas bolhas cheias de líquido, que pontuam a pele, sobretudo no tronco, mas que podem também surgir no rosto, no couro cabeludo e nos genitais ou até espalhar-se por todo o corpo. Antes das bolhas, porém, as manifestações iniciais da varicela consistem em manchas rosadas, planas e superficiais.


São estas manchas que se vão transformando até se formarem bolhas de paredes muito finas que contêm um líquido transparente. As bolhas acabam por se romper, deixando pequenas lesões na pele que vão secando, até que se forma uma crosta. Também ela acaba por desaparecer e, se tudo correr bem, não ficam marcas. Estas diversas fases da varicela podem estar presentes em simultâneo num mesmo corpo.


Nalguns casos, a varicela manifesta-se de uma forma tão ligeira que são poucas as bolhas a denunciá-la. Mas noutros as bolhas irrompem às centenas.


E enquanto nuns corpos a doença se confina aos locais já referidos, noutros emerge em locais tão inacessíveis como o céu da boca ou o interior do recto e da vagina, causando grande incómodo.


 


A tentação de coçar


As bolhas são o sinal mais visível da varicela, mas há outros: febre, dores abdominais e falta de apetite, dores de cabeça e mal-estar geral. Contudo, estes sintomas costumam ser ligeiros, com o maior incómodo a provir de uma comichão extrema.


A vontade de coçar é mesmo a maior das tentações para quem tem varicela, pois surge como a única forma de obter alívio. Todavia, este é um gesto com alguns riscos associados: é que coçar pode abrir caminho a lesões cutâneas e, com elas, a uma infecção bacteriana. Daí que aos pais de uma criança com varicela se recomende que lhe cortem as unhas e as mantenham rigorosamente limpas, de forma a minimizar o risco.


Há outros riscos associados à varicela. Embora esta seja geralmente uma doença benigna, podem desenvolver-se algumas complicações, de que uma pneumonia viral e a encefalite (inflamação do cérebro) são os exemplos mais graves.


Além disso, existe sempre a possibilidade de se desenvolver zona, também conhecida por herpes-zoster. Cada pessoa tem apenas um episódio de varicela na vida, mas o vírus permanece latente, como que adormecido nas células nervosas. Quando é reactivado, emerge, sob a forma de uma nova doença - zona. É o que acontece num em cada dez adultos que tiveram varicela na infância.


Aliás, ao contrário do que se passa na infância, em que é geralmente benigna, a varicela pode assumir contornos graves na idade adulta. Constitui ainda uma ameaça séria para a saúde das pessoas cujo sistema imunitário está debilitado, a ela sendo também vulneráveis as que tomam corticoides sistémicos.


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Filhos que não têm apetite, que rejeitam os legumes, que só comem com a televisão ligada ou que exigem manobras de diversão para engolir colherada atrás de colherada são o dia-a-dia de muitas famílias.


São momentos vividos com ansiedade pelos pais, que naturalmente se preocupam com a possibilidade de os filhos não estarem a alimentar-se devidamente. Por vezes, há razão para essa preocupação, pois aquilo que os pais consideram falta de apetite pode dever-se a um problema de saúde. Mas há situações em que é apenas uma questão educacional e outras ainda, a partir de determinada idade, em que são os próprios filhos a testarem os limites dos pais, usando a alimentação como “arma”.


Há, porém, alguns truques simples mas eficazes quando se trata de cativar os mais pequenos para as refeições e de introduzir alguma tranquilidade à mesa.


 


Diversificar desde cedo


Deve ser logo numa idade precoce que se apresenta às crianças a grande variedade de sabores e texturas que constitui a nossa alimentação.


Se forem provando um pouco de tudo, é menos provável que depois rejeitem alimentos. É claro que poderão não gostar de um ou de outro: há que insistir, mas se continuarem a não apreciar, há que escolher uma alternativa do mesmo grupo nutricional.


 


Dar o exemplo


É difícil convencer as crianças a experimentarem e aceitarem alimentos se os pais não derem o exemplo: como convencê-las das vantagens da salada ou dos brócolos se estes alimentos não estiverem no prato dos pais? Mais cedo ou mais tarde, serão os “miúdos” a perguntar porque é que eles têm de comer e os adultos não…


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