Uma alimentação equilibrada na criança
A batata, a cenoura e uma verdura, que é boa fonte de fibras, são os primeiros legumes a que a criança deve ter acesso. Só mais tarde virá a carne, de preferência magra. Nas frutas, há que evitar os citrinos e os morangos, porque são potencialmente alergénicos. A gema de ovo e o peixe revelam maior probabilidade de causar alergia do que a carne.
A clara do ovo deve ser consumida só depois de 1 ano de idade, na mesma altura que o leite de vaca em natureza e em que a criança deve ser encorajada a sentar-se à mesa com a família, para a refeição, desde que já tenha adquirido «capacidade de mastigação e o treino na separação dos sabores e que na família não se abuse de alimentos picantes ou salgados», adverte Gonçalo Cordeiro Ferreira.
Obesidade juvenil:
a doença pediátrica mais comum
Foi escolhido um único conceito para definir a obesidade em idades diferentes – na adolescência e na infância. Chamam-lhe obesidade juvenil e, segundo a Dr.ª Carla Rego, do Serviço de Pediatria do Hospital de S. João, no Porto «adquiriu, nos últimos anos, o estatuto da doença pediátrica mais comum, não só em países tecnologicamente desenvolvidos, como em países em desenvolvimento, constituindo um grave problema de saúde pública».
Partindo desta ideia, podem sintetizar-se alguns pontos fundamentais que a sustentam.
Considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma doença crónica, a obesidade assenta em larga medida na hereditariedade e na modificação dos hábitos de vida das populações. Cada vez mais se regista o acesso fácil «a alimentos baratos e de elevada densidade nutricional», refere a médica.
Para além deste facto, no que diz respeito às crianças, a avaliação disponibilizada por vários autores sugere também uma redução do gasto energético na dependência da actividade espontânea diária e do exercício físico organizado.
Paralelamente, é notória a redução da actividade física associada a tarefas diárias, tal como é crescente o número de horas passadas a ver televisão e a jogar computador, registando-se um aumento do índice de inactividade da infância para a adolescência, sobretudo no sexo feminino.
Estes são alguns dos factores ambientais que, em conjugação com uma base genética predisposta, esta especialista julga serem «responsáveis pela crescente prevalência da obesidade juvenil».
Em 1997, um estudo europeu que incluiu Portugal estimava que cerca de 70% dos portugueses com mais de 15 anos era sedentário.
Carla Rego não tem dúvidas, pela revisão de estudos recentes publicados, que «o risco de obesidade na idade adulta é pelo menos o dobro para uma criança obesa, quando comparada com uma eutrófica.»
Por outro lado, o risco é ainda maior se os progenitores forem obesos. «Na criança, quanto mais cedo se manifestar o excesso de peso maior será o efeito da obesidade parental no risco de obesidade futura do seu filho», adianta.
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