Os benefícios do aleitamento materno
Está comprovado cientificamente que a amamentação tem inúmeras vantagens, tanto para a mãe como para o bebé. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef têm feito, inclusive, várias campanhas de promoção do aleitamento materno exclusivo até aos seis meses de idade. Alguns estudos indicam que a ingestão de leite materno pode ter um impacto positivo na saúde da criança a longo prazo.
Amamentar ou não amamentar: eis a questão. Para o Dr. Israel Macedo, pediatra da Maternidade Alfredo da Costa, não existem dúvidas de que, sendo o leite materno o alimento “ideal para a criança nos primeiros meses de vida”, é necessário promover a amamentação. Em primeiro lugar, porque se trata de um “bem completo, com uma composição proteica e lipídica ajustada às necessidades do bebé”.
Segundo bastantes estudos, as crianças alimentadas com leite materno demonstraram ter menos infecções intestinais, respiratórias, cólicas, menos problemas alérgicos, traduzindo-se em menor necessidade de recurso à urgência nos primeiros anos de vida. Sabe-se, no entanto, que o leite materno produz benefícios a longo prazo. Um jovem adulto, alimentado nos primeiros meses de vida com leite materno, “apresenta um perfil lipídico mais saudável e uma tensão arterial mais baixa”. Mas as vantagens não se ficam por aqui. Se, por um lado, o bebé é o principal beneficiário, a mãe também ganha com o aleitamento.
“Para além dos laços afectivos e emocionais, que se estabelecem através do contacto físico, há uma grande probabilidade de a mulher que amamenta não vir a sofrer de depressão pós-parto. Paralelamente, o aleitamento vai provocar na mulher contracção uterina e tem até efeitos protectores ao nível do cancro da mama.”
Estes são os argumentos usados pela OMS e para Unicef, que, desde 1991, têm investido em acções de sensibilização e formação das mães. Segundo estas entidades, o aleitamento materno deve ser defendido em exclusividade até aos seis meses de vida do bebé. Mas, após esta data, com a introdução de outros alimentos no cardápio, a mulher pode continuar a amamentar, até aos dois anos de idade.
Embora não se saiba ao certo o número de mães que amamentam os seus bebés até aos seis meses de idade, em Portugal, Israel Macedo teme que um estudo sobre aleitamento materno, que está em curso, revele um panorama “pouco animador”. E, em parte, o abandono da amamentação deve-se à actual conjuntura laboral, já que “os vínculos de emprego são, actualmente mais precários”.
“Algumas mulheres deixam de amamentar para não prolongarem o período em que estão de licença de maternidade. Se estão a recibos verdes acabam por não activar todos os direitos de amamentação, até aos 18 meses, conforme prevê a lei. E isso acontece porque só ganham enquanto trabalham.”
Amamentar até quando?
A OMS e a Unicef defendem o aleitamento materno em exclusividade até aos seis meses de idade. Mas, segundo Israel Macedo, nada impede que a amamentação ocorra até mais tarde “Depois do meio ano de vida, o leite materno necessita de ser complementado com outros alimentos, até porque esta é a fase em que se começa a introduzir novos paladares na ementa do bebé”, fundamenta o pediatra.

