Os benefícios do aleitamento materno
“A amamentação pode ser mantida até aos dois anos de idade”, aponta. Depois dos seis meses, vão sendo introduzidos, progressivamente, novos alimentos semi-sólidos, semana a semana. “Deste modo, a criança vai-se habituando a um novo sistema de comer. Em vez de sugar, o bebé passa também a deglutir a comida.”
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É nesta altura que se começam a introduzir carnes, “o mais biológicas possível”, o ovo e as hortaliças”. Para o especialista, quando se inserem novos alimentos, há que estar atento a algumas reacções por parte do bebé, nomeadamente se determinado produto provoca obstipação. O pediatra diz que as crianças alimentadas com o leite materno são menos propensas a estas situações, comparativamente aos bebés que recebem leite artificial.
As mulheres que queiram continuar a amamentar depois dos seis meses (período em que vigora a licença de maternidade), podem continuar a apostar no aleitamento materno. “As mães podem retirar o leite, conservá-lo e administrá-lo mais tarde.” No entanto, como afirma Israel Macedo, o leite da mãe vai sofrendo algumas alterações, a partir do momento em que se introduzem novos alimentos no cardápio do bebé. “O que inicia o processo de desmame e modifica a composição do leite é o facto de a criança começar a mamar menos.”
Contudo, seguindo as directrizes da OMS e da Unicef, na fase de introdução de novos alimentos, o bebé deve manter pelo menos uma refeição diária com leite materno. Para Israel Macedo, sendo o leite materno o alimento mais completo, é o mais adequado às necessidades do recém-nascido, Há até estudo que sugerem que o aleitamento materno pode ter benefícios nos bebés prematuros, reduzindo a incidência de casos de enterocolite necrotisante: a principal causa de morbimortalidade em crianças que nascem antes do tempo.
Assim, defende o pediatra que, “raramente”, se consideram situações em que a mãe seja impedida de amamentar. “A não ser que esteja a tomar doses elevadas de certos medicamentos, que adulterem a composição do leite”, esclarece. Mesmo quando a mulher tem de se ausentar por algumas horas, pode optar por extrair e conservar o leite.
Mama mater promove o aleitamento materno
Muitas mulheres, após o nascimento do primeiro filho, sentem-se inseguras ao amamentar. Este é um dos motivos que conduz ao abandono do aleitamento materno. Mas, para contrariar esta tendência, a Mama Mater (http://www.mamamater.eu/) tenta “empoderar” as mulheres. E como? “Através dos Cantinhos da Amamentação, instalados em centros de saúde e hospitais, tentamos aumentar os níveis de confiança das mães”, diz Adelaide Órfão, presidente da Associação, sedeada no centro de saúde da Parede, perto do Cascais.
“Estes espaços [existem mais de 100 locais espalhados por todo o país] tentam ajudar as mães a ultrapassar as dificuldades e os obstáculos que as podem impedir de amamentar. Com a ajuda de profissionais formados para o efeito, as mães obtêm todo o aconselhamento necessário.” Apesar de não haver estatísticas relativamente ao aleitamento materno, a responsável indica que, “quando as mulheres se encontram preparadas e disponíveis, amamentam mais e com um elevado grau de satisfação pessoal”.

