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Nas crianças, usar sem abusar

20 Dezembro, 2014 0

Quando as crianças estão doentes os pais fazem tudo o que podem para que elas melhorem. E muitas vezes acreditam que a utilização de antibióticos é a solução. Contudo, estes medicamentos não são adequados para todas as situações e, quando mal utilizados, até podem ser prejudiciais.

As crianças são muito suscetíveis a infecções. Por um lado, porque nos primeiros anos de vida, o seu organismo não está completamente desenvolvido e o sistema imunitário ainda não desempenha em pleno as suas funções de defesa. Por outro, porque o facto de frequentarem creches e infantários as deixa mais expostas aos microorganismos. Daí que, quando um menino adoece, adoeçam logo mais dois ou três…

Devido à conjugação destes dois factores, é quase inevitável que as infecções se repitam, sobretudo as do sistema respiratório, mas também as gastrointestinais. São quase sempre benignas e os sintomas passageiros.

Mas não é por isso que os pais se preocupam menos quando veem a criança com febre, tosse, dores de garganta, sem energia ou sem apetite.

É natural que procurem uma solução que lhes proporcione alívio rápido. Daí que pensem, muitas vezes, nos antibióticos. Afinal, são considerados medicamentos “potentes”.

E são de facto “potentes”, mas isso não os torna adequados para todas as situações de doença. Na verdade, para estas infecções da infância, o mais provável é que não sejam o tratamento mais adequado. É que estas infecções são, na maioria das vezes, de origem viral – todos os pais já ouviram, certamente, falar nos surtos de viroses que acontecem nos infantários.

É uma designação genérica para um conjunto de sintomas, mas atesta que a causa é um vírus, contra o qual os antibióticos não são eficazes. É que estes medicamentos foram concebidos para tratar infecções causadas por bactérias.

Usá-los no tratamento de constipações, gripes e outras afeções da garganta muito comuns entre as crianças não resolve o problema: não cura a criança nem impede o contágio. Outra razão de peso é conhecida pelo nome de resistência bacteriana: ou seja as bactérias acabam por desenvolver mecanismos de sobrevivência aos medicamentos concebidos para as combater, ficando mais resistentes.

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Como consequência, esses antibióticos tornam-se ineficazes, sendo necessários outros cada vez mais “potentes” para combater aquelas bactérias.

Na prática, isto significa que as doenças duram mais, pois é mais difícil travá-las, e que, por isso, o risco de complicações aumenta, sendo igualmente maior o risco de contágio.

Este é um verdadeiro problema de saúde pública.

Então, perante uma infecção viral infantil, qual deve ser o procedimento? Não há, naturalmente, uma “receita” igual para todos os casos, mas, por vezes, o melhor a fazer é dar tempo ao sistema imunitário da criança para actuar e combater o vírus.

Aliás, estas doenças da infância funcionam quase como um “teste” ao sistema de defesas do organismo, ajudando-o a fortalecer-se. É por isso que, à medida que cresce, a criança fica mais resistente, diminuindo a vulnerabilidade a vírus, bactérias e outros microorganismos.

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