Hipertensão arterial » Doença crónica e sem cura - Médicos de Portugal

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Hipertensão arterial » Doença crónica e sem cura

1 Novembro, 2004 0

As doenças cardiovasculares e as doenças coronárias estão intimamente ligadas à hipertensão arterial (HTA), cuja incidência aumenta com a idade. Urge, pois, controlar os valores da pressão arterial para evitar patologias como enfartes do miocárdio ou acidentes vasculares cere­brais. Todos os mamíferos têm e necessitam de um determinado valor de pressão no seu sistema circulatório arterial – pressão arterial.

«Esta pressão permite ao sangue circular em todo o organismo e perfundir os diversos órgãos, levando até eles o oxigénio e os nutrientes de que necessitam para funcionar», diz o Dr. Manuel Almeida, cardiologista no Hospital de Santa Cruz, acrescentando:

«É importante saber que os valo­res da pressão devem estar dentro de um determinado intervalo, de forma a que o sangue possa cir­cular adequadamente, sem provocar lesões nas paredes das artérias.»

Nos jovens, as paredes das artérias são elásticas e contêm células musculares, cuja contracção e relaxamento provoca o estrei­tamento ou o alargamento do diâmetro das artérias, afectando, assim, o valor da pressão do sangue no seu interior.

A elasticidade das artérias é importante, pois, permite acomodar o sangue que o coração ejecta cada vez que se contrai, evitando subidas bruscas e acentuadas da pressão arterial.

De acordo com o cardiologista, «o sistema vascular é dinâmico, por exemplo, quando se faz um esforço, assiste-se a uma redistribuição do fluxo sanguíneo, em especial para os músculos e para o cérebro. Isto ocorre devido à dilatação selectiva de alguns territórios vasculares e à contracção de outros».

«Com o avançar da idade», continua, «as artérias tendem a ficar rígidas e a perder a sua capacidade para dilatar e acomodar de forma adequada as variações no volume de sangue circulante, sobretudo se houver uma sobrecarga hídrica, pelo que a pressão arterial tende a aumentar».

Alguns factores de risco podem ser controlados

A hipertensão arterial, em 90-95% dos casos, não tem causa conhecida. É uma doença crónica sem cura, mas controlável na maioria dos casos. Existem, no entanto, factores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver HTA.

«Alguns destes factores de risco são passíveis de controlo, como a obesidade, o consumo exagerado de sal e de álcool, o sedentarismo e o stress», diz o médico, indicando outros factores que não são controláveis:

«A raça (as pessoas de origem africana desenvolvem mais HTA e de uma forma mais acentuada); a hereditariedade (existe uma tendência para a HTA); idade (em geral quanto mais idosa a pessoa maior a probabilidade de desenvolver HTA).»

Ainda em relação à idade, o médico refere que «os homens tendem a desenvolver tensão alta entre os 35 e os 50 anos, enquanto as mulheres tendem a desenvolvê-la mais tardiamente, após a menopausa».

Hipertensos podem sofrer enfartes ou AVC

De um modo geral, a presença de HTA implica um maior esforço do coração e das artérias. O coração tem de bombear o sangue para as artérias com mais força por períodos longos de tempo e, desta forma, tende a ficar maior. Um coração um pouco maior pode funcionar me­lhor inicialmente, mas se a dilatação prosseguir e se se tornar demasiada pode prejudicar significativamente o seu funcionamento.

Com a idade, todas as pessoas, independentemente de serem ou não hipertensas, ficam com as artérias mais rígidas e menos elásticas. Mas a presença de HTA acelera e agrava mais este processo.

Desta forma, segundo explica Manuel Almeida, «as paredes arteriais tendem a ficar mais frágeis, aumentando o risco de “tromboses cerebrais” ou de enfartes cardíacos. Pode igualmente danificar os rins e a visão. Além disso, os doentes hipertensos têm três vezes mais probabilidades de desenvolver doença das coronárias, seis vezes mais de desenvolver insuficiência cardíaca e sete vezes mais de terem um acidente vascular cerebral».

O aumento sustentado da pressão arterial tem, ainda, outras consequências ao nível do coração.

«Por um lado, o aumento do trabalho efectuado pelo músculo cardíaco provoca a sua hipertrofia (o seu desenvolvimento), aumentando as suas necessidades energéticas e tornando-o menos resistente às obstruções ao fluxo sanguíneo no interior das artérias coronárias, consequência do desenvolvimento das placas ateroscleróticas. Esta situação pode condicionar o aparecimento da angina de peito, de enfarte do miocárdio e de insuficiência cardíaca», salienta Manuel Almeida, prosseguindo:

«Por outro lado, a tensão arterial alta faz parte de uma constelação de factores que se interrelacionam, ou seja, a obesidade favorece a subida da tensão arterial, mas também está associada à dislipidemia (colesterol elevado), à diabetes e, eventualmente, ao tabagismo e ao stress. Esta associação de factores de risco que tende a ocorrer em conjunto favorece sobremaneira o agravamento da doença aterosclerótica e das suas complicações cardiovasculares e cerebrovasculares.»

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