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Hipertensão arterial » Doença crónica e sem cura

1 Novembro, 2004 0

O que se pode fazer?

A maioria dos tratamentos envolve uma dieta, exercício físico e a toma de medicamentos de uma forma regular.

Dado que muitas pessoas com HTA são obesas beneficiam de uma dieta que proporcione uma redução do peso, o que, a acontecer, pode baixar de imediato os valores da tensão arterial. A moderação na ingestão de álcool pode ajudar no controlo do peso e da tensão arterial. Nalgumas pessoas a redução da ingestão de sal pode baixar os valores da tensão arterial.

«Alguns doentes irão necessitar de medi­cação regular para o controlo eficaz dos valores da tensão arterial. O tratamento é relativamente simples, na maior parte dos casos, podendo, no entanto, ser moroso e requerer alguma paciência por parte dos doentes e médicos», afirma o cardiologista, concluindo:

«A toma de medicamentos pode ser desa­gradável e ter alguns efeitos secundários. No entanto, é sempre melhor que sofrer uma trombose cerebral ou um enfarte do miocárdio. A maioria dos doentes que controle a sua tensão arterial vive uma vida longa e saudável. É, ainda, importante não esquecer que a velhice se prepara na juventude com estilos de vida e hábitos saudáveis.»

Como evitar os malefícios
da hipertensão?

Existem algumas coisas que os doentes podem fazer para colaborarem no seu tratamento:

1. Manter uma ligação estreita e regular com o médico. Irá ajudar a monitorizar e controlar a tensão arterial.

2. Tomar a medicação prescrita de acordo com as orientações recebidas. Se não se sentir bem com a medicação, deve informar o seu médico de forma a ajustar a medicação. Não suspender a medicação sem informar o médico.

3. Fazer um esforço para controlar o peso, seguir um regime alimentar

saudável e praticar exercício físico com regularidade (30 a 40 minutos por dia).

Sal, um dos principais
culpados

O consumo exagerado de sal na alimentação do dia-a-dia é um dos factores implicados na origem da hipertensão arterial, que pode ter especial relevo na população portuguesa, cujo consumo de sal diário é muito superior à média europeia.

«Apesar da muita informação vinculada em diversas campanhas, nomeadamente na comunicação social, pensa-se que o consumo de sal diário continua a ser muito elevado. Outros não menos importantes são a obesidade, provavelmente associada ao consumo de sal, à diabetes e ao sedentarismo», comenta Manuel Almeida.

Tensão arterial

A hipertensão arterial, de um modo geral, não apresenta sintomas. Desta forma, muitas pessoas são hipertensas sem o saberem, razão pela qual se trata de uma doença muito perigosa. A forma mais prática de a diagnosticar é medindo-a, por um profissional de saúde, de uma forma regular ao longa da vida.

«Os vulgares aparelhos de medição disponíveis e usados habitualmente não medem a pressão arterial directa, para isso seria necessário introduzi-los dentro das artérias (como se pode fazer nos hospitais). O que medem é a tensão na parede das artérias produzida pela pressão do sangue no seu interior, daí o termo tensão arterial», explica o Dr. Manuel Almeida.

A pressão arterial sobe durante a contracção ou batimento do coração (tensão máxima ou tensão sistólica) e desce durante o seu relaxamento entre batimentos (tensão mínima ou tensão diastólica). Daí que se meçam habitualmente dois valores para a pressão, por exemplo 120/70 mmHg, sendo o 120 a tensão máxima e 70 a tensão mínima em milímetros de mercúrio. Assim, a pressão arterial varia com os batimentos cardíacos, com a postura corporal, com o sono e com o exercício.

Conforme indica o especialista, «a tensão arterial num adulto saudável deve ser inferior a 140/85 mmHg. Nos diabéticos, nos doentes com insuficiência cardíaca e disfunção renal ela poderá ter de ser inferior a 130/85 mmHg. Se a tensão arterial ultrapassar ou se se mantiver nestes valo­res, então estamos na presença de uma hipertensão arterial».

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