Arquivo de Sénior - Médicos de Portugal

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O envelhecimento é uma experiência psicoafectiva altamente exigente e cujas mudanças afectam em muitos casos a imagem que os indivíduos têm de si próprios, especialmente porque existe a diminuição de algumas capacidades. É nessa altura da vida que o ser humano se confronta com o luto de pessoas próximas e com a sua própria morte. Se a capacidade de resposta, a este momento de vida, não for a mais adequada, podem acontecer desequilíbrios, causadores de sofrimento psicológico. Precisamos então de nos preparar.


 


1. SOB O ASPECTO COGNITIVO: precisamos de estimular a atenção, a memória, o raciocínio.


- Ganhe hábitos de leitura e nunca os perca!
- Leia romances, ficção ou livros históricos, leia sobre política, leia jornais e acompanhe os conflitos.


- Pense e reflicta sobre o mundo à sua volta!


- Crie argumentos e defenda-os.


- Faça jogos intelectuais!


- Faça palavras cruzadas; charadas; leia em voz alta!


- Faça o máximo de contas sem recorrer à calculadora.


- Faça jogos de palavras para alargar o vocabulário!


- Escreva. Divirta-se utilizando o cérebro.


 


2. SOB O ASPECTO COGNITIVO: precisamos de estimular a motivação, que de todas é a tarefa mais complexa.


- Reforce a confiança em si! É mais fácil faze-lo quando antes já confiávamos nas nossas capacidades.


- Não descure o repouso!


- Mantenha a curiosidade e o interessa pelas novidades! Procure conhecer sítios e pessoas novas!


- Converse com os seus amigos e escute-os. Reserve tempo para a socialização.


- Mantenha-se emocionalmente disponível e aberto.


 


Estas simples recomendações tendem a maximizar as capacidades individuais. Todas as soluções ou acções são bem-vindas, desde se utilizem os recursos intelectuais e emocionais disponíveis, sendo que doses de optimismo facilitam em muito!





As úlceras de pressão, mais conhecidas como escaras, desenvolvem-se na pele que reveste as áreas mais “ossudas” do corpo, tais como calcanhares, tornozelos, ancas mas também na pele das nádegas, e resultam maioritariamente de dois factores desencadeantes: a pressão resultante da imobilidade e a fricção. É por isso que acontecem, com mais probabilidade, em pessoas que passam demasiado tempo em cadeira de rodas ou numa cama, em consequência de doença prolongada ou de uma fase de recuperação de uma doença que exija imobilidade.


O que estas situações têm em comum é o facto de a pele e os tecidos subjacentes estarem sujeitos a uma pressão continuada, ficando como que “presos” entre o osso e a cadeira de rodas ou a cama. O resultado é uma maior dificuldade na circulação sanguínea, o que faz com que a pele vá ficando privada de oxigénio e nutrientes.


É que o sangue é, por assim dizer, o “meio de transporte” destes elementos essenciais à vida e também à saúde da pele.


Com o tempo e a pressão prolongada, sem que sejam tomadas medidas, os danos começam a tornar-se visíveis.


Primeiro, a pele fica avermelhada. Depois, começa a haver acumulação de fluidos ficar inflamada, podendo surgir bolhas. Se nada for feito, a ferida abre-se, aumentando o risco de infecção e deixa de ser superficial, avançando eventualmente até às camadas mais profundas da pele.


No limite, pode haver destruição do músculo e até do osso. Qualquer parte do corpo pode ser afectada, mas as zonas mais frágeis são, naturalmente, aquelas sujeitas a uma maior pressão e que têm menos quantidade de músculo ou gordura, sendo a pressão exercida directamente sobre o osso. No caso de pessoas com dificuldade de locomoção que passem a maior parte do tempo numa cadeira de rodas, por exemplo, é mais comum que as feridas aconteçam nas nádegas, na coluna vertebral, nomeadamente no cóccix, e na região anterior das pernas e até dos braços. Já as pessoas acamadas costumam apresentar mais lesões na cabeça (atrás e dos lados), nas omoplatas, nos cotovelos, nas ancas e na parte inferior da coluna, e ainda na parte de trás e lateral dos joelhos, pulsos e pés.


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No tempo mais frio, as constipações e gripes são frequentes. A explicação é mais simples do que parece. "Este tempo é propício ao desenvolvimento e propagação dos germens seus causadores. A sua prevenção deve basear-se em medidas gerais, como evitar o contacto com indivíduos infectados e a presença em espaços fechados com muitas pessoas, bem como, no caso da gripe, a vacinação, que está formalmente indicada nos idosos, devendo ser administrada anualmente", explica Manuel Teixeira Veríssimo, Professor da Faculdade de Medicina de Coimbra (FMC) e Coordenador do Núcleo de Estudos de Geriatria da Faculdade de Medicina de Coimbra.


Importante também é a vacinação contra a pneumonia que deverá ser feita de 5 em 5 anos. As temperaturas frias estão habitualmente associadas ao agravamento de doenças, especialmente do foro respiratório e cardíaco. "Nas doenças cardíacas, o frio pode agravar os sintomas da angina de peito, aumentar um pouco a tensão arterial e o risco de o idoso ter um acidente cardiovascular.

No caso das doenças respiratórias, agrava a asma, o enfisema e a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), em geral, e favorece também o aparecimento de pneumonias. A hipotermia é outra das consequências possíveis", acrescenta o especialista. As próprias quedas, ocorrência frequente entre os idosos, principalmente nos menos capazes fisicamente, são mais frequentes no tempo frio.



Frieiras para que vos quero?


Há que referir ainda as frieiras que têm diversos factores na sua origem, "que vão da predisposição genética até factores hormonais e circulatórios, sendo o frio e a humidade condições que contribuem para o seu aparecimento". A prevenção é a melhor maneira de contrariar o problema, constando esta de alguns cuidados como manter o ambiente aquecido e usar adereços adequados como luvas, calçado quente e gorros de lã.

"Uma vez instaladas, as frieiras melhoram com calor moderado e massagem suave, sendo também útil o exercício físico que activa a circulação corporal e, consequentemente, aumenta a temperatura corporal. Na maior parte dos casos, as frieiras curam-se apenas com recurso à prevenção e à protecção das extremidades", acrescenta Manuel Teixeira Veríssimo.

Em situações mais graves, "nomeadamente quando há ulceração, o doente deverá recorrer ao médico para fazer outro tipo de tratamento, nomeadamente com substâncias vasodilatadoras. Os cremes com cortisona estão contra-indicados, pois induzem a vasoconstrição secundária e, naturalmente, pioram a situação".


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As rugas, o tom grisalho no cabelo, os movimentos mais condicionados ou a falta de resistência para certas actividades são alguns sinais do tempo. O envelhecimento é inevitável e tanto melhor se for conseguido com qualidade de vida.


Neste sentido, é importante prevenir algumas situações que possam ter consequências negativas, tais como: hábitos menos saudáveis, algumas doenças ou até mesmo acidentes. E, no que toca a acidentes, as quedas são frequentes em idades mais avançadas, não tendo o mesmo impacto quando acontecem na juventude, pois o organismo está mais frágil.


De acordo com dados da Comissão Europeia, nos 27 Estados- -membros, ocorrem mais de 40 mil mortes de pessoas idosas devido a quedas. A taxa de mortalidade é seis vezes mais alta em pessoas com mais de 80 anos do que no grupo etário dos 65 aos 79 anos. A variação da taxa de mortalidade é mais elevada quando comparada com outras lesões.


Em Portugal é o Observatório Nacional de Saúde que acompanha os acidentes domésticos e de lazer, através do sistema de recolha de dados ADELIA - Acidentes Domésticos e de Lazer: Informação Adequada.
Segundo dados do relatório de 2006-2008, publicado em dezembro de 2010, entre janeiro de 2006 e dezembro de 2008, o número total de acidentes domésticos e de lazer reduziu de 23.079 para 15.697, sendo os bebés e os idosos os mais afetados. De acordo com os dados recolhidos nos hospitais, a habitação foi o local mencionado na maioria das ocorrências enquanto, de acordo com a informação recolhida nos centros de saúde, a informação apontava para a escola/instituição como o local do acidente.


A queda foi a principal causa dos acidentes em todos os grupos etários, em especial nos maiores de 75 anos, sendo a “concussão, contusão, hematoma” o tipo de lesão mais frequente tanto nos hospitais como nos centros de saúde.


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Ninguém está preparado para receber a notícia de que um familiar sofre de doença de Alzheimer. A pensar nos familiares que têm de reaprender a viver e de ganhar formas estratégicas para lidar com esta patologia que se pode tornar incapacitante, a Associação Alzheimer Portugal organiza workshops com regularidade. O objectivo é responder a questões frequentes e saber quais os apoios sociais existentes para o acompanhamento da pessoa com demência. Os exercícios são práticos. O desafio é recompensador. Os formandos têm a possibilidade de abordar diversas questões que surgem desde o início da doença até aos novos cuidados que passaram a fazer parte da sua vida diária. No final, pretende-se que adquiram capacidades para lidar com as dificuldades da doença e prestar os cuidados essenciais para o bem-estar e a melhor qualidade de vida dos seus familiares.


"Muitas vezes, os cuidadores informais não sabem como lidar com a doença de Alzheimer. É importante percebermos a fase da patologia em que o familiar está, e termos sempre em conta a sua história de vida. É fundamental promover a dignidade/qualidade de vida da pessoa com demência", indica Marisa Mendes, responsável pelo workshop intitulado "Alzheimer, Um Desafio Pessoal: Respostas Sociais Dirigidas à Pessoa com Demência e Seus Cuidadores".


 


Por onde começar?


Quando o cuidador informal recebe a notícia de que um familiar sofre de Alzheimer, encontra-se perdido porque não tem conhecimento dos apoios que existem. Muitos dos cuidadores nem sequer sabem da existência da Associação. Que respostas dar? Como as obter? Como enfrentar a doença e cuidar dos familiares? Marisa Mendes tentará responder a estas e a outras questões e dará algumas dicas importantes para que os cuidadores informais desempenhem este papel principal com coragem, determinação e conhecimento. "Os cuidadores que participam nestes workshops podem até não necessitar daquela informação no momento - numa fase inicial, por exemplo -, mas podem querer saber como cuidar da pessoa com demência a longo prazo porque se sentem perdidos. Há que tentar fornecer as respostas a curto, médio e longo prazo que são específicas para cada fase", indica a assistente social da Alzheimer Portugal.


 


Apoios sociais


Uma pessoa com demência necessita de ter este acompanhamento regular. "O utente deve ser visto por um médico especialista, que lhe prescreverá determinada medicação adequada à fase da patologia em que se encontra. No entanto, a intervenção não farmacológica também é fundamental porque as actividades direccionadas para a pessoa com demência são muito benéficas, sobretudo para estimular e evitar a progressão da patologia", aconselha Marisa Mendes.


Os cuidadores informais podem ainda contar com Centros de Dia e com o Serviço de Apoio Domiciliário, os quais, dependendo das instituições, se responsabilizam pelo fornecimento das refeições, pela higiene pessoal e pelo apoio na medicação que o utente tem de tomar. "A Alzheimer Portugal tem uma bolsa de auxiliares, a quem damos formação específica e que já possuem experiência nesta área. O familiar pode trabalhar e contratar um auxiliar para alguns momentos do dia, desempenhando funções muito específicas relacionadas com o dia-a-dia e o acompanhamento da própria pessoa com demência", acrescenta a assistente social.


Os familiares que optarem por colocar a pessoa com demência num lar deverão ter em conta que é necessário estarem atentos a algumas características específicas que uma instituição deverá ter. Há que procurar bem e não descurar nenhum aspecto.


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Todos os estudos demográficos mostram um progressivo aumento da quantidade de velhos nos países desenvolvidos. Nos últimos cem anos, em Portugal, por exemplo, praticamente duplicou o valor da expectativa de vida masculina. Esse desenvolvimento deve-se principalmente à melhoria das condições de higiene, à redução da taxa de mortalidade, a terapêuticas mais eficazes, a uma melhor prevenção da doença aguda com a idade.


É certo que envelhecer é um processo fisiológico normal. Ficar-se velho não é uma doença. Mas, no envelhecimento, o corpo sofre uma série de modificações morfológicas e funcionais, caracterizadas essencialmente por uma tendência em reduzir a eficácia de todos os órgãos e sistemas. E assim, um corpo envelhecido é, para muitas pessoas, percepcionado como um corpo deteriorado, estragado, socialmente inútil.


Muitos países desenvolvidos, ou que pretendem ser desenvolvidos, têm uma prática em que a idade é um atributo sem valor social. Pode falar-se numa verdadeira discriminação social. Esta perda de valor é ainda mais acentuada quando a idade está associada com outros factores de vulnerabilidade, como a pobreza, a baixa educação, a solidão, ser pensionista, ser mulher.


A resignação dos próprios idosos, que aceitam muitas vezes sem reacção a desvalorização de que são alvo, é preocupante e tem sérias consequências para a sua própria saúde física e mental.


A depressão, a falta de motivação, a perda de auto-estima, o desinteresse pelo mundo que os rodeia, o isolamento, são co-factores muito importantes, que vão contribuir para uma menor expectativa de vida e, acima de tudo, para uma menor qualidade de vida. Especialmente no caso dos homens, já que muitas vezes as mulheres se refugiam nas suas melhores habilitações sociais e afectivas.


A Medicina moderna não pode demitir-se destes aspectos, não pode esquecer que para além de curar, tem de cuidar. O seu desafio é também promover uma velhice com qualidade, considerar que ela é a última oportunidade para uma desenvolvimento individual digno.


 


Nuno Monteiro Pereira
Urologista





A ciência ainda não descobriu a "cura" anti-envelhecimento, mas já desvendou algumas fórmulas que permitem prolongar a juventude por mais tempo. A "velhice", segundo os especialistas, é um conceito que já passou de moda. "Actualmente, promove-se o envelhecimento activo, porque a chamada terceira idade não tem, necessariamente, de ser uma fase negativa", explica a Dr.ª Maria João Quintela, chefe da divisão de Saúde no Ciclo de Vida e em Ambientes Específicos da Direcção-Geral da Saúde (DGS).


Para a especialista, o passar dos anos não tem de ser encarado como uma fatalidade, mas sim como uma oportunidade, até porque a maior parte das pessoas idosas não corresponde à imagem dos "coitadinhos" de bengala e com dificuldades de locomoção. "A idade da reforma não tem de ser obrigatoriamente um período de ruptura.


Qualquer aposentado pode continuar activo, desde que se sinta estimulado para realizar outras tarefas." Segundo Maria João Quintela, a reforma é um período de adaptação a uma vida nova. Mas não tem de ser penosa, nem tem de corresponder a um "corte abrupto com a rotina". O segredo está em preparar, ao longo dos anos, a fase de transição.


Porque com a reforma sobra mais tempo para investir em projectos que foram, consecutivamente, protelados.


"Esta é a altura ideal para agarrar novas oportunidades e abraçar novos papéis sociais. Há idosos que se dedicam ao voluntariado ou que investem em formação. Todas estas actividades ajudam o sénior a sentir-se útil na sociedade, para além do contributo positivo que os mais velhos representam para a economia." A especialista indica que "saber envelhecer" é uma "obrigação geral", já que construir um bom envelhecimento é um processo contínuo ao longo da vida.


Os seniores deixam como herança para as gerações mais novas o conhecimento e a experiência, razão pela qual devem ser considerados socialmente como elementos activos e "nunca passivos".


Mas, para que isto aconteça, a sociedade precisa de estar logisticamente preparada para acolher os seus idosos. Foi a pensar nos mais velhos residentes no meio urbano que surgiu o projecto "Cidades Amigas das Pessoas Idosas", da responsabilidade da Organização Mundial de Saúde.


Em Portugal, este programa já arrancou em Lisboa, mas espera-se que, a curto prazo, se "alastre" por todo o país. A iniciativa surgiu porque, cada vez mais, "há um número crescente de idosos habitar nos grandes centros urbanos". A ideia deste programa é "promover o envelhecimento activo, criando condições para que os idosos não se sintam limitados". Este programa contempla medidas que favoreçam a adaptação social dentro do meio ambiente: "desde transportes à prevenção de acidentes e violência, passando por uma melhor informação, promoção da saúde e participação na comunidade", acrescenta Maria João Quintela.


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Com o Verão, sobe a temperatura e há maior probabilidade de os idosos desidratarem, mas este problema é transversal a todas as estações. Várias causas ligadas ao envelhecimento contribuem para que seja frequente a desidratação nos mais velhos. Por isso, é indispensável incentivá-los a beberem água, advertem Cláudia Afonso e Leonor Murjal.


Avança a idade e com ela os mais velhos sentem menos sede e bebem menos água. Esta situação, aliada à "redução da capacidade de concentração da urina, às alterações da composição corporal, a uma diminuição da elasticidade da pele (perde-se água por esta via) e à ingestão excessiva de alimentos doces e salgados, devido à redução da capacidade sensorial que leva a uma maior apetência para um consumo abusivo destes alimentos", contribui para haver casos de desidratação, explica Cláudia Afonso.


A especialista refere que a exposição excessiva ao sol, a atmosfera seca e o uso de diuréticos são, também, potenciais factores de risco e aconselha os idosos a beber água, mesmo no caso de não sentirem vontade de o fazer.


 


Água, fruta e hortícolas a colorirem o Verão


Uma dieta rica em fruta e hortícolas pode ajudar a prevenir a desidratação nos idosos, mas deve ser acompanhada pela ingestão apropriada de água que é, regra geral, de 2 litros diários, refere a nutricionista. Mas, deve ser evitada a ingestão de frutas e saladas mal lavadas e de alimentos deteriorados pela temperatura, que pode originar complicações gastrointestinais, cuja maior prevalência se verifica no Verão, alerta Leonor Murjal, médica de saúde pública. Por isso, recomenda que se faça uma lavagem adequada dos produtos hortícolas e frutas e que se conservem os alimentos a uma temperatura fresca.


Já o consumo de água pode aumentar se houver perdas substanciais de água, se estiver muito calor ou em caso de febre, refere Cláudia Afonso. Acrescenta que "um excelente indicador que nos mostra se tudo está bem no que se refere à quantidade de água necessária, é a urina, que deverá ser abundante clara e sem cheiro". Mas, avisa que a ingestão excessiva de água pode ser prejudicial, "pois se por um lado a capacidade renal não permite de forma tão eficiente a concentração da urina, também há a perda de capacidade para a sua diluição."


 





“Preocupado porque está a envelhecer? Preocupado com o seu lugar na sociedade aos 60, aos 70 ou aos 80? Há muito para fazer depois dos 60 – e a sociedade está a tomar cada vez mais consciência e a apreciar o contributo que as pessoas idosas podem ter. É isso o que significa o envelhecimento activo – aproveitar mais da vida à medida que fica mais velho, quer seja no trabalho, em casa ou na comunidade. E isso pode ajudá-lo, não apenas como um indivíduo, mas à sociedade no seu todo”.


Esta é a mensagem de abertura do site na internet dedicado ao Ano Europeu para o Envelhecimento Activo e Solidariedade entre Gerações, que se assinala este ano, 2012. Uma iniciativa  destinada a aumentar a consciência para o contributo que as pessoas idosas podem dar à sociedade, visando encorajar os decisores políticos e parceiros relevantes a todos os níveis a agirem no sentido de criarem melhores oportunidades para o envelhecimento activo e para o reforço da solidariedade entre gerações.


E o que é o envelhecimento activo?
Significa, na interpretação da Comissão Europeia, envelhecer com saúde e como membro da sociedade de pleno direito, sentindo-se preenchido na profissão, independente na vida quotidiana e envolvido como cidadão. O desafio é tirar o máximo partido das potencialidades de cada um mesmo numa idade avançada.


São três as áreas em que este Ano Europeu se propõe promover o envelhecimento activo. Uma delas é o emprego: à medida que a esperança de vida aumenta em toda a Europa, a idade da reforma também aumenta, mas – alerta a organização da iniciativa – muitas pessoas receiam não serem capazes de manter os actuais empregos ou encontrar outro emprego até conseguirem reformar-se com uma pensão decente. Daí a necessidade de “dar aos trabalhadores mais velhos melhores oportunidades no mercado de trabalho”.


A participação na sociedade é outra das áreas em foco. O ponto de partida é a convicção de que a reforma não significa inutilidade. O contributo das pessoas mais velhas à sociedade, como cuidadores de outros, nomeadamente os cônjuges ou os netos, é pouco valorizado, bem como o seu papel como voluntários.


O que este Ano Europeu se propõe é precisamente valorizar estes papéis.
Finalmente, a independência. É um facto que a saúde declina à medida que se envelhece, mas há muito que pode ser feito para contrariar e para lidar com este declínio. Pequenas mudanças no ambiente podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida, com os promotores do Ano Europeu a defenderem a importância de os idosos serem responsáveis pela sua própria vida tanto quanto possível.


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Envelhecer não significa deixar de ouvir as seguintes recomendações: “Não fique mais 3 horas sem comer e não salte refeições; tome sempre o pequeno-almoço; beba pelo menos 8 copos de água por dia, mesmo que não sinta sede; coma pelo menos 3 peças de fruta por dia; e inicie sempre as refeições principais com um prato de sopa. Diminua a ingestão de sal pela substituição por ervas aromáticas, e alimentos com alto teor de gordura e açúcar só nos dias de festa”, como explica a dietista Célia Lopes.

Mastigar devagar é uma regra de ouro, e se ao envelhecer deixamos, em muitos casos, de ter a dentição completa, devemos garantir uma correta mastigação pela adequação da consistência dos alimentos a cada idoso. Devido à falta de dentição e/ou placa dentária, as pessoas de mais idade toleram melhor alimentos moles e fáceis de mastigar, mas isso não significa que apenas comam sopa e papa! Devem ser recomendadas refeições apetitosas e fáceis de confecionar.

A alimentação no envelhecimento deve basear-se nos princípios da Roda dos Alimentos, da mesma forma que a alimentação de um adulto. Deve fornecer os nutrientes necessários para o dia a dia, tais como as proteínas, os hidratos de carbono e os lípidos, sem esquecer as vitaminas e minerais. No entanto, existem exceções, já que as recomendações para a população em geral não têm em conta as alterações do metabolismo e o processo de fragilidade por vezes associado ao envelhecimento.



BAIXO PESO AFETA CERCA DE 25% DOS IDOSOS

O baixo peso, e subsequente fragilidade, afetam cerca de 25% dos idosos, segundo um estudo realizado pela Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica, estando associados ao aumento de risco de dependência de terceiros, da morbilidade e até da mortalidade.

Fatores a ter em conta são a perda de peso não intencional, o cansaço, a diminuição de força muscular, situações de mobilidade reduzida e baixos níveis de actividade física. Assim, é importante questionar o idoso sobre se sente fadiga, se tem dificuldade em subir um lance de escadas, se tem dificuldade em andar um quarteirão, se tem mais do que 5 doenças crónicas e se perdeu peso não intencionalmente nos últimos 6 meses. Consoante as respostas a estas questões, pode verificar-se que se está na presença de uma síndrome de fragilidade do idoso.

Nunca é demais lembrar que a perda de peso só é aceitável nas dietas de emagrecimento e não apenas porque envelhecemos! A fraqueza no idoso pode ser reversível, desde que se adeqúe a sua alimentação às necessidades nutricionais específicas desta faixa etária (proteínas, energia, vitamina D) e que se associe um programa de atividade física adaptado às capacidades individuais de cada um.

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