Nascimentos múltiplos: O “milagre” da multiplicação
Não é um milagre, mas fruto de vários factores como a idade da mulher e a reprodução medicamente assistida, mas a verdade é que os nascimentos múltiplos estão a aumentar: quando se espera um, é a surpresa de dois ou mais corações a bater no útero…
É quase inevitável: a notícia de uma gravidez, mesmo quando planeada e desejada, mergulha a mulher numa mistura de emoções nem sempre pacíficas.
Entre a alegria e a ansiedade, pontuam sentimentos díspares e é natural que assim seja: afinal, é uma nova etapa da vida que começa. E o nascimento de um filho é sinónimo de mudança, de novas rotinas e responsabilidades, mas sobretudo de um papel único.
Assim é quando se espera um filho. Apenas um. Imagine-se quando à confirmação laboratorial da gravidez se segue a surpresa de descobrir na imagem da primeira ecografia o perfil de mais do que um feto, acompanhado do bater de mais do que um pequeno coração.
E, tal como os bebés se multiplicaram, também os sentimentos se sucedem a uma intensidade redobrada. E entre eles é natural que domine uma sensação de incapacidade, o receio de não se ser capaz de criar mais do que um filho.
Como alimentá-los, dar-lhes banho, mudar-lhes a fralda, confortá-los? As perguntas e as dúvidas são, certamente, mais do que muitas, ganhando contornos bem concretos à medida que a surpresa se dissipa.
Idade e infertilidade
Este é um cenário que se coloca cada vez com mais frequência. Gémeos sempre os houve, mas há factores actuais que contribuem para uma prevalência acrescida: à hereditariedade juntam-se agora a idade da mulher e a reprodução medicamente assistida.
A hereditariedade sempre pesou, com a existência de antecedentes familiares a aumentar a probabilidade de uma mulher gerar gémeos. Uma anterior gravidez de gémeos também tem influência.
Tal como a idade da mãe: é que, a partir dos 30, as hormonas relacionadas com a idade podem fazer com que os ovários libertem mais do que um óvulo em cada ovulação, pelo que todos eles poderão ser fertilizados.
É, de certa forma, o que acontece em consequência dos tratamentos de infertilidade as tecnologias mais utilizadas, como a fertilização in vitro, envolvem a implantação no útero feminino de mais do que um ovo fertilizado, com maior probabilidade de nascerem gémeos ou outros múltiplos.
Há gémeos e gémeos
Os gémeos nascidos em consequência destes tratamentos são os chamados gémeos fraternos ou dizigóticos.
Resultam da fertilização de dois óvulos por dois espermatozóides diferentes: cada um tem a sua própria placenta e o seu próprio saco amniótico.
Tanto podem ser ambos do sexo masculino ou do feminino ou um de cada, sendo tão parecidos quanto dois irmãos nascidos de gestações diferentes. Já o mesmo não acontece com os chamados gémeos idênticos ou monozigóticos.
Menos comuns, resultam de um único ovo fertilizado que se divide, dando origem a dois fetos que podem partilhar a placenta mas que possuem sacos amnióticos individuais. São geneticamente iguais, com os mesmos cromossomas (recentemente foi evidenciada diferença no genoma) e características físicas muito semelhantes, o que os torna dificilmente diferenciáveis: são do mesmo sexo e têm o mesmo tipo de sangue e a mesma cor de cabelos e olhos.

