Nascimentos múltiplos: O “milagre” da multiplicação
Nalguns casos, raros, a separação entre os dois fetos não se completa: são os chamados gémeos siameses, unidos por uma parte do corpo.
Quanto aos múltiplos – trigémeos, quadrigémeos e por aí fora… – tanto podem ser idênticos, fraternos ou uma combinação de ambos.
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Riscos acrescidos, cuidados redobrados
Uma gravidez múltipla envolve alguns riscos acrescidos, bem identificados.
Desde logo é de esperar que os incómodos típicos – como náuseas, vómitos, fadiga e outros – sejam mais intensos. Comuns e mais intensas são também as dores abdominais, a falta de ar e a pressão sobre o osso púbico.
Hipertensão arterial, pré-eclampsia (pressão elevada combinada com a existência de proteínas na urina) e diabetes gestacional são complicações possíveis: são situações a gerir cuidadosamente na medida em que podem ameaçar a saúde dos fetos e da mãe.
Elevada é a probabilidade de parto prematuro. Uma gravidez dura, em média, 40 semanas, sendo considerado natural um intervalo de duas semanas antes e outras duas depois – entre as 38 e as 42 semanas. Mas, numa gestação de gémeos, é frequente que o trabalho de parto comece pré maturamente, entre as 35 e as 37 semanas.
Por vezes é possível controlar as contracções e retardar o parto, com a ajuda de fluidos e medicamentos: o objectivo é assegurar a maturidade dos pulmões dos fetos. Mas nem sempre é possível e o parto acontece, com frequência, por cesariana.
Isto não significa que o parto vaginal não possa ocorrer: é até mais fácil do que numa gestação única, pois os gémeos tendem a ser mais pequenos.
Mas a existência de mais do que um feto num espaço confinado como o útero pode dar origem a alguns problemas, nomeadamente pressão sobre a placenta ou o cordão umbilical de um dos bebés durante o trabalho de parto. Além de que dificilmente todos – mesmo que sejam “apenas” dois – estarão na posição certa para um parto vaginal. Daí que se recorra à cesariana como opção mais segura.
Qualquer gravidez implica cuidados pré-natais de modo a que tanto a mãe como o bebé se mantenham saudáveis ao longo dos nove meses. Uma gravidez múltipla torna estes cuidados mais importantes ainda. As visitas ao ginecologista/ obstreta são, por isso, mais prefrequentes.
E nessas visitas as recomendações médicas vão certamente no sentido de que a mulher deve alimentar-se correctamente: qualquer grávida o deve fazer, mas numa gestação de gémeos há que reforçar a suplementação de alguns nutrientes, como o ácido fólico, o cálcio, o ferro e as proteínas.
O ácido fólico é fundamental nos primeiros três meses para prevenir o risco de defeitos do tubo neural como a espinha bífida, sendo tomado sob a forma de suplemento. Quanto ao cálcio pode ser obtido através de alimentos como o leite, as sardinhas, o salmão e os brócolos, assim se beneficiando o desenvolvimento ósseo dos bebés. Já o ferro é necessário para a hemoglobina, a substâncias das células vermelhas do sangue que transporta o oxigénio até aos tecidos: sem ele, pode surgir anemia, causa de perda de apetite e de fadiga acentuada durante a gravidez, bem como de menor fornecimento de oxigénio aos fetos. No que diz respeito às proteínas, elas são essenciais para a construção dos tecidos e para a regulação das reacções químicas envolvidas no crescimento, pelo que a sua ingestão não pode ser descurada. Não se trata de multiplicar o que se come pelo número de bebés, mas há que assegurar uma alimentação adequada: afinal, é natural que mais bebés necessitem de mais nutrientes.

