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Doença de Meniere: Ouvido sob pressão

10 Abril, 2010 0

Sob pressão fica o ouvido de quem sofre de doença de Meniere. As vertigens são o sintoma mais comum desta patologia ainda mal conhecida e que pode implicar perda de audição.

Da doença de Meniere conhecem-se melhor os sintomas do que as causas. Mas sabe-se que a sua origem está relacionada com o fluido existente no ouvido interno, uma das três partes do nosso órgão auditivo.

O ouvido interno é constituído por uma rede de passagens e cavidades chamada labirinto, sendo a sua parte mais exterior formada por osso e a interior por membrana, a qual contém um fluido e é revestida por sensores semelhantes a cabelos que reagem aos movimentos desse fluido. São estes sensores que desencadeiam os impulsos nervosos que são transmitidos ao cérebro.

Cada parte do ouvido interno é responsável por um tipo diferente de percepção sensorial: o vestíbulo (secção central do labirinto) permite-nos detectar a aceleração do movimento, os canais semicirculares (três voltas que saem de um dos lados do vestíbulo) permitem-nos identificar os movimentos rotativos, o que é fundamental para mantermos o equilíbrio, enquanto a cóclea (estrutura semelhante a um caracol existente no outro lado do vestíbulo) capta os sons – as vibrações dos pequenos ossos do ouvido médio criam ondas no fluido do ouvido interno, cujos sensores as convertem em impulsos e enviam ao cérebro, para interpretação.

Para que todos estes processos decorram normalmente é preciso que haja um determinado volume de fluido e que a sua composição química e a pressão que exerce no ouvido se mantenham.

Quando este equilíbrio é perturbado, podem surgir os sintomas que caracterizam a doença de Meniere. O que não se sabe, ainda, é que factores estão na origem desse desequilíbrio.

 

Entre o equilíbrio e a audição

É quase sempre entre os 40 e os 50 anos que a doença se manifesta, localizada apenas num dos ouvidos.

Muito raramente afecta os dois. Os sintomas declaram-se por surtos, em que predominam as vertigens: o doente sente que o espaço onde se encontra gira à sua volta, sem parar, acabando por perder o equilíbrio.

Assim acontece sem aviso e, geralmente, por 20 minutos ou mais, sendo que os casos mais severos são acompanhados de náuseas e vómitos.

Uma sensação de ruído e de entupimento no ouvido afectado é igualmente comum: é como se o ouvido estivesse sujeito a uma enorme pressão. Paralelamente, pode ocorrer perda auditiva, sobretudo relacionada com os sons mais baixos, mas na maioria das vezes a audição só é afectada durante os surtos, sendo depois restaurada. Só nalguns casos há danos permanentes.

A duração, frequência e gravidade destes problemas sensoriais dependem de pessoa para pessoa e até de episódio para episódio numa mesma pessoa. Pode acontecer que haja surtos com vertigens severas mas praticamente desprovidos dos restantes sintomas e outros em que predomine a pressão no ouvido, por exemplo.

Os sintomas são o ponto de partida para um diagnóstico que envolve a realização de testes específicos, nomeadamente para avaliar a capacidade auditiva e a função de equilíbrio.

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