Urticária: A culpa é da urtiga? - Médicos de Portugal

A carregar...

Urticária: A culpa é da urtiga?

25 Abril, 2010 0

São muitos os factores que podem causar urticária, um problema de pele comum que herdou o nome da urtiga fresca. Manchas avermelhadas e comichão denunciam uma alergia que, quase sempre, é de curta duração.

Primavera é, quase sempre, sinónimo de alergias. Quando ela chega abre-se a época dos espirros, dos olhos lacrimejantes e do nariz a pingar. Porque é desta forma que se manifesta a maioria das alergias. A urticária não. É na pele que os sintomas da reacção alérgica são visíveis, denunciando-se pelo aparecimento de pápulas, semelhantes a manchas mas ligeiramente mais elevadas face à pele saudável. São vermelhas, mas podem apresentar-se esbranquiçadas na região central. E causam comichão, muita comichão.

Ao contrário de outras alergias primaveris, não são os pólenes que desencadeiam a urticária. A responsabilidade pode estar ligada a vários factores, entre eles os insectos, dado que quando o tempo aquece e as flores despontam os insectos multiplicam-se, esvoaçando pelos espaços verdes, o que aumenta o risco de se ser picado, tanto mais que a pele começa a ficar mais exposta.

Mas podem existir episódios sem estímulos externos identificáveis chamando-se neste caso urticária espontânea aguda (dura menos de seis semanas e não tem recorrências) ou crónica (dura mais de seis semanas ou tem recorrências ao longo do tempo). Numa pessoa com sensibilidade ao produto libertado pela picada destes insectos – alergeno – o contacto com a pele põe em movimento todo um mecanismo que desemboca nas lesões cutâneas. Células existentes na pele e noutros tecidos – e que dão pelo nome de mastócitos – libertam histamina e outras substâncias químicas envolvidas na inflamação e o resultado são as manchas típicas da urticária e a comichão.

Quando a reacção se localiza nas camadas mais profundas da pele, a urticária é acompanhada de angiodema, que se caracteriza por inchaço em zonas maiores de pele, nomeadamente à volta dos olhos e lábios, nas mãos e pés, nos genitais e até no interior da garganta. O inchaço da garganta dificulta a respiração, podendo mesmo bloquear a passagem do ar e dar origem a uma situação de emergência.

Grande parte das situações de urticária são agudas, o que significa que não se prolongam por mais de seis semanas e não têm recorrências. Nalguns casos consegue-se identificar uma relação causa-efeito, ou seja, conhece-se o que provocou a reacção alérgica da pele. A urticária denomina-se crónica quando dura mais de seis semanas ou tem recorrências, sendo que pode prolongar-se por meses ou anos.

 

Insectos, medicamentos e alimentos

As causas de urticária são várias em que se incluem os medicamentos e os alimentos. Na família dos medicamentos, a penicilina é o exemplo mais conhecido como causa de alergia, mas há outros entre os antibióticos, bem como os anti-inflamatórios não esteróides, como a aspirina e derivados.

No que respeita aos alimentos a lista inclui marisco, peixe, ovos, leite, frutos secos (amendoim, noz, amêndoa, avelã) sendo estes os mais frequentemente implicados. No entanto há casos com reacção a outros alimentos como alguns frutos frescos (morangos, kiwi, citrinos, pêssego) e outros alimentos. A esta lista juntam-se aditivos (substâncias utilizadas para dar cor, sabor, textura e consistência a produtos alimentares): caso dos sulfitos, mas também podem estar implicados aspartame e muitos outros, entre adoçantes, corantes e conservantes. E no caso de causa alimentar, evitar o contacto é primordial, dado que sempre que se contacte com o estímulo a urticária aparece, não sendo portanto uma urticária aguda propriamente dita. No adulto a causa alimentar não é muito frequente, ao contrário do que se supõe.

Páginas: 1 2 3

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.