Terão os atletas maior vulnerabilidade face à morte súbita? - Médicos de Portugal

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Terão os atletas maior vulnerabilidade face à morte súbita?

10 Fevereiro, 2010 0

A incidência anual de Morte Súbita Cardíaca (MSC) em atletas jovens é baixa, sendo estimada em 1: 200.000 nos EUA e 1: 100 000 na Europa (Itália). Nos atletas com idade superior a 35 anos, a incidência anual situa-se entre 1:15.000 e 1:50.000. Em Portugal, estima-se que ocorram 250 mortes súbitas por ano em praticantes desportivos.

Os atletas são considerados pela sociedade como um grupo especial de indivíduos, aparentemente invulneráveis e com capacidades físicas extraordinárias. Por esse motivo, qualquer evento cardiovascular em atletas, sobretudo em atletas de elite, tem um enorme impacto mediático nos meios desportivos, nos profissionais de saúde e no público em geral. A MSC em atletas tem um enorme impacto mediático, emocional e social nos meios desportivos, nos profissionais de saúde e no público em geral. Tais acontecimentos têm adquirido uma enorme dimensão dado ao efeito multiplicador imprimido pelos media.

 

As causas de morte súbita são variadas e dependem da idade

As causas de MSC variam também com a idade do atleta. Naqueles com idade superior a 35 anos a principal causa é a doença arterial coronária aterosclerótica (80%), que corresponde à formação de placas de gordura (ateromas) nas paredes das artérias do coração e pode desencadear o enfarte agudo do miocárdio. Tal situação, além de provocar a morte do músculo cardíaco pode originar arritmias ventriculares fatais.

As causas de MSC nos atletas com idade inferior a 35 anos devem-se frequentemente a outras anomalias cardíacas estruturais. Em muitos casos essas anomalias não são reconhecidas previamente.

A maioria dos casos de morte súbita cardíaca (MSC) resulta de arritmias malignas como a taquicardia ventricular e a fibrilhação ventricular.

Durante a actividade competitiva, o stress físico, cardiovascular e emocional estão associados ao aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e das necessidades do consumo do oxigénio pelos músculos e coração podem desempenhar o papel de um “gatilho” para um evento arrítmico fatal. No entanto, a maioria das arritmias observadas em atletas e na população em geral é de natureza benigna e compatível com a prática de exercício.

Nos registos em atletas americanos, a miocardiopatia hipertrófica, uma doença do músculo do coração, constitui a principal causa nesta faixa etária, correspondendo a mais de um terço dos casos. Trata-se de uma patologia cardíaca genética relativamente frequente (incidência de 1:500), caracterizada por uma hipertrofia ou espessamento do músculo cardíaco, com uma arquitectura desorganizada e zonas de fibrose (cicatrizes).

A morte nesta doença geralmente ocorre durante o esforço físico e resulta da instabilidade eléctrica do músculo cardíaco que desencadeia taquiarritmias ventriculares fatais. Nas causas que se seguem estão as anomalias congénitas das artérias coronárias e a doença coronária aterosclerótica prematura, causa mais frequente num estudo em recrutas militares americanos. Nos registos Italianos (região de Veneto) a causa mais frequente é outra doença do músculo cardíaco, a miocardiopatia arritmogénica do ventrículo direito.

As diferenças entre países ou regiões têm a ver com diferenças das populações estudadas, eventuais diferenças genéticas e diferentes métodos de rastreio médico pré-competição. Existem outras causas como as doenças das válvulas cardíacas (estenose aórtica e prolapso da válvula mitral), doenças da artéria aorta, miocardites por infecções provocadas por vírus (desaconselhando competição em desportistas com viroses e febre) e embolias pulmonares (coágulos com origem nas veias dos membros inferiores após cirurgias ortopédicas, tromboflebites e outras).

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