Terão os atletas maior vulnerabilidade face à morte súbita?
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O diagnóstico nem sempre é possível em vida… Ou na autópsia!
A doença subjacente pode ser difícil de diagnosticar em vida pelos métodos de rastreio convencionais. No entanto em Itália, em Portugal e nas recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia é obrigatória ou recomendada a realização do electrocardiograma, ao contrário do que se passa nos Estados Unidos. Este exame para ser devidamente aproveitado nas suas potencialidades deve ser lido por peritos, distinguindo alterações benignas e habituais em atletas, das alterações indiciadoras de doença cardíaca.
Variando conforme as séries, cerca de 3% a 30% dos jovens atletas vítimas de MSC, apresentam um coração estruturalmente normal, sem uma causa definida de morte na autópsia. Tais mortes poderão resultar de anomalias eléctricas do coração que predispõem a arritmias cardíacas malignas como as Síndromes de Wolf-Parkinson-White, do QT longo, do QT curto, e de Brugada, e a Taquicardia Ventricular Polimórfica Catecolaminérgica, situações e nomes técnicos que exemplificam o grau de complexidade dos diagnósticos possíveis, associadas a anomalias dos canais do sódio, do potássio e do cálcio nas células e com características de transmissão genética (canalopatias).
Uma causa rara de MSC sem qualquer anomalia cardíaca identificável é o Commotio Cordis, na qual a morte é provocada por um traumatismo não penetrante na caixa torácica, por exemplo com bola de basebol, disco ou bola de hockey, atingindo o coração num período vulnerável de milésimos de segundo (é preciso ter azar!), desencadeando uma arritmia que pode ser fatal.
Há que pensar nas causas externas e substâncias perigosas…
Não devem ser esquecidas causas externas como a prática desportiva em condições extremas de altitude, de frio ou de calor, de humidade e profundidade (mergulho), que devem ser prevenidas por regras de segurança e cumprimento das normas médicas. A desidratação, ou ao contrário a sobre-hidratação, e o sobretreino com desrespeito pelos limites das capacidades físicas podem ocasionar situações clínicas graves e eventualmente fatais, mesmo em indivíduos saudáveis. Nas causas externas convém lembrar o uso de substâncias ilícitas como as anfetaminas, os esteróides anabolizantes, a eritropoitina e substâncias aparentadas, a cocaína e muitas outras, usadas com substância dopantes ou drogas recreativas e que estão implicadas em casos de morte por arritmias ou fenómenos de trombose.
Importância do exame médico – desportivo
O exame médico – desportivo-, através da história clínica pessoal e familiar, do exame físico e do electrocardiograma, permitem identificar muitos, mas não todos, os atletas com risco potencial de morte súbita, ou com situações que aconselham a proibição ou restrição de actividade competitiva e de prática de exercício.
Nas situações de risco identificado ou suspeitas de risco tem de recorrer-se a métodos de investigação adicional. São exemplos o ecocardiograma, registos prolongados do electrocardiograma como o Holter e registo de eventos, as provas de esforço, ressonância magnética, tomografia computorizada, estudo electrofisiológico, cateterismo cardíaco e o estudo genético. Estes exames, alguns muito sofisticados, são complexos, dispendiosos e têm sempre um papel auxiliar da clínica, não dando sempre resultados “milagrosos”.

