Principais conclusões do Grupo de Peritos do “Portugal sem Fumo 2008”
Pelo contrário, acredita-se que uma medida legislativa isolada não fará mudar comportamentos de forma eficaz e duradoura. Exige-se assim maior envolvimento, dedicação e atribuição / distribuição de recursos a este problema, como a comparticipação de medicamentos e tratamentos para a cessação tabágica, o apoio ao desenvolvimento de outros modelos de intervenção (para além dos modelos patológicos e bio-médicos) reforçando a coesão e o apoio social, o apoio para prevenção e informação/educação, que mostre o empenho governamental neste problema e estimule a dê um verdadeiro sinal e incentivo de mudança à sociedade.
É também reconhecida a importância do aumento do preço do tabaco, sendo que o impacto desta medida é maximizado se a subida de preços também acontecer noutros países.
Apesar de tudo, após a publicação da Lei 37 / 2007, acredita-se que a populaçãoas, de uma forma geral, ficou mais sensível ao problema do tabagismo, e algumas entidades e / ou indivíduos intensificaram a sua actividade profissional nesta área e/ou desenvolveram iniciativas ou projectos relacionados. Alguns exemplos: os Programas “Cuida-te“, “InfoTabaco”, “Consegui sou livre”, “Feira do Pulmão“, “Normas de Orientação Clínica para a Cessação Tabágica”, www.portugalsemfumo.org, entre outras.
Embora com algumas dificuldades em termos de celeridade de processo e a nível operacional, considera-se que o número de consultas de cessação tabágica disponíveis quer ao nível dos Cuidados de Saúde Primários, quer ao nível hospitalar tem vindo lentamente a aumentar. Idealmente esta oferta deveria aumentar significativamente, assim como o número de profissionais com habilitação e formação própria para a abordagem ao tabagismo.
Além de tudo, torna-se ainda necessário a divulgação da existência desta oferta. Será ainda recomendável que sejam criadas as condições para que estas consultas funcionem de acordo com as melhores recomendações.
Torna-se igualmente evidente a necessidade da abordagem inicial ao fumador ser realizada pelos médicos de clínica geral e familiar e igualmente por pediatras (famílias fumadoras, prevenção primária) e cardiologistas (o tabagismo nem sempre é encarado como os outros factores de risco), para além de outras especialidades médicas, de farmacêuticos e de enfermeiros.
Tendo em conta que a abordagem do tabagismo (intervenção breve) é uma obrigação de todos os médicos e que apenas uma pequena percentagem de fumadores têm necessidade de intervenção intensiva (consultas de cessação tabágica), é fundamental adequar a formação pré e pós graduada dos médicos e outros profissionais de saúde a esta realidade.
Para terminar, conclui-se que o tabagismo foi um comportamento socialmente aceite como quase inofensivo durante muito tempo, até ser legalmente reconhecido como um problema de saúde pública. Muito tem sido feito até esta data para combater esta doença, mas o fim do caminho ainda não está no horizonte.
Podemos chamar-lhe uma longa travessia, uma grande batalha ou um imenso desafio… mas, os sinónimos só reforçam as ideias, estas só são úteis quando promovem a sua própria evolução para objectivos e metas, os quais serão estrategicamente importantes quando se transformam em acção!
Acções são verbos que aqui traduzimos por informar, prevenir e tratar o Tabagismo em Portugal com vontade política, recursos adequados e empenho de toda a sociedade. Assim se fazem os bons “sinais de fumo” num Portugal Sem Fumo!!

