Principais conclusões do Grupo de Peritos do “Portugal sem Fumo 2008” - Página 5 de 7 - Médicos de Portugal

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Principais conclusões do Grupo de Peritos do “Portugal sem Fumo 2008”

18 Setembro, 2008 0

Apesar de Portugal ter prevalência de fumadores abaixo dos restantes países europeus, podemos constatar no Inquérito Nacional de Saúde 2005 / 2006 uma estabilização da prevalência de fumadores entre os homens, por contraste com o aumento nas mulheres e nos jovens.

A prevenção primária parece ser um dos pilares mais importantes da intervenção necessária. Esta deve começar em idade pediátrica, muito especificamente nos alunos do 1º ciclo e ser reforçada no início do 2º ciclo. Existem estudos internacionais que suportam a eficácia de intervenção precoce bem estruturada. Estas intervenções devem contar com a participação activa de educadores e profissionais de saúde e devem ser monitorizadas e avaliadas de forma sistemática, como contrapartida do seu financiamento.

Existe carência de informação simples, apelativa, socialmente integradora, estrategicamente dirigida a populações específicas, que apele essencialmente a comportamentos saudáveis, apesar de esclarecedora dos malefícios do tabaco.

É essencial o desenvolvimento de campanhas de comunicação de uma forma periódica, que apelem directamente aos modelos de identificação (educadores, professores, médicos, figuras públicas, entre outras) das populações-alvo a que se dirigem, que façam uso das tecnologias de comunicação adequadas a esses grupos e estejam presentes nos seus ambientes habituais, que utilizem linguagem simples e adequada a uma correcta apreensão das principais mensagens e, sobretudo, que sejam alvo de avaliação sistemática do impacto das mesmas.

O esforço de informação e comunicação deve ser realizado de uma forma integrada com a participação de vários sectores e valências. Os meios de comunicação social podem ser um elemento participativo chave em todo este processo.

Todavia, existem exemplos internacionais de que estratégias de saúde que não contemplem simultaneamente os 3 vértices do triângulo educação – prevenção – tratamento têm menos eficácia, devido à dinâmica populacional própria desta epidemia. Assim, assume-se também que o tratamento do tabagismo deve ser estrategicamente alvo de acção planeada, concertada do ponto de vista de abordagem multidiscipinar e multisectorial e acessível e equitativo para a maioria dos fumadores.

Recentemente, em termos de política de saúde, a medida de maior importância e visibilidade mediática que procurou responder genericamente a este problema de saúde pública foi a publicação e implementação da Lei 37 / 2007 (Protecção dos cidadãos à exposição involuntária ao fumo do tabaco). Contudo, considera-se que ainda não existe tempo suficiente para uma avaliação efectiva e quantitativa do impacto daquela.

Ao nível das percepções, acredita-se que o ar ambiental dos locais públicos melhorou significativamente e que a adesão ao cumprimento do imposto pela Lei foi muito elevada. Todavia, os serviços pediátricos continuam a tratar elevado número de crianças com patologias respiratórias associadas ao fumo passivo, reveladoras de que o comportamento social ao nível das famílias em ambiente domiciliário ainda não mudou.

As restrições nos espaços públicos e locais de trabalho e a censura social podem mesmo levar a um aumento da exposição ao fumo de tabaco nos domicílios e transportes particulares. Daí ser fundamental retomar a explicação dos fundamentos da lei (protecção da saúde dos não fumadores).

Considera-se que a publicação de uma legislação deste nível, ainda que não tinha sido totalmente explicada nem debatida antes da sua publicação, se viera a ser correctamente enquadrada num plano de acção estruturado e concertado que envolva medidas não coercivas (informação, educação, prevenção, tratamento), poderá ter um elevado impacto sobre a redução efectiva e sustentada do tabagismo.

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