Manifestação da diabetes » Pé diabético é afecção frequente, grave e complicada - Médicos de Portugal

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Manifestação da diabetes » Pé diabético é afecção frequente, grave e complicada

1 Outubro, 2004 0

O pé diabético não é uma doença que constitua objecto de uma especialidade médica, mas uma forma de abordar o tratamento dos doentes diabéticos com problemas dos pés. É uma afecção frequente, grave e a complicação tardia da diabetes é responsável por mais dias de internamento hospitalar, associada a elevados custos económicos e sociais.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define o pé diabético como toda a infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos profundos associada a alterações neurológicas e doença vascular periférica dos membros inferiores dos diabéticos.

A Dr.ª Natércia Candeias, endocrinologista da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, esclarece que «a diabetes é uma doença que se caracteriza por um aumento da glicemia (taxa de açúcar no sangue). A má utilização da glicose pelo organismo provoca uma significativa subida da glicemia e origina a diabetes tipo 1 (uma consequência da diminuição da síntese de insulina) ou a diabetes tipo 2 (resultado da diminuição da sua actividade)».

A médica explica que «a diabetes tipo 2 tem maior prevalência e desenvolve-se de forma discreta. É uma doença que pode existir sem que haja manifestações durante anos, sendo por vezes revelada por um acaso, por exemplo, em análises de rotina. E quando é diagnosticada, podem já estar presentes complicações tardias».

No que diz respeito ao pé diabético, refere que «os especialistas sentiram, em determinada altura, uma necessidade de diferenciar os cuidados ao pé diabético – Declaração de Saint Vincent (1989) –, em que se propunham reduzir para metade o número de amputações em diabéticos até ao fim do século. Ao exigir uma atenção especial, impõe também espaços diferentes, já que se trabalha segundo outra metodologia. Se o fizermos num local próprio, dedicado exclusivamente ao pé, então podemos abordá-lo especificamente, de modo a descobrir muito mais sobre o problema do doente».

A endocrinologista considera que «essa necessidade surgiu também do facto de haver um grande número de amputações em doentes diabéticos. Mais de 50% representam amputações não traumáticas dos membros inferiores.

Os números disponíveis indicam que poderão existir em Portugal cerca de 600 mil diabéticos. Estima-se que 15% desta população terá alguma vez manifestações da doença nos pés. «Estes números são influenciáveis pelo modo como cada um lida com a diabetes, a informação e o conhecimento dos problemas que possuam, que corresponde ao grau de educação do diabético», diz Natércia Candeias.

Falta de sensibilidade Relativamente à sua manifestação, a especialista refere que «o principal problema no pé do diabético é a falta de sensibilidade devido à neuropatia diabética.

A pessoa tem o pé deformado, fica com zonas de pressão aumentada, com dificuldades de se calçar, mas sem dor. Vai tolerar pisar continuamente sobre zonas que estão com pressão excessiva.

E, muitas vezes, quando o doente se apercebe, já tem feridas e algumas são profundas».

Risco mantém-se sempre «Numa consulta, é necessário, em primeiro lugar, avaliar o grau de risco do aparecimento de lesões no pé do diabético. E, conforme o risco, os pacientes são orientados e encaminhados para enfermeiros, que lhes ensinam os cuidados a ter com os pés», refere Natércia Candeias, explicando:

«Se já houver deformações, as quiropodistas vão tratar os pés aqui e ensinar o doente ou um familiar como fazê-lo em casa: a hidratação do pé, o corte das unhas, a forma de tratar as calosidades, as zonas de hiperqueratose. Posteriormente, a podóloga recomenda o calçado e faz o molde das palmilhas adequadas a cada caso específico.»

Quando já existem lesões, procede-se ao tratamento das feridas:

«Acima de tudo, há que cuidá-las aliviando a pressão na zona de lesão. Há necessidade de ajudar o doente, através do calçado ou de outro tipo de ortóteses para alívio das zonas de pressão. Como o risco se mantém sempre, contribuímos para a cicatrização das feridas já existentes e para a prevenção das futuras. Porém, actualmente, os tratamentos do pé diabético apresentam algum avanço, nomeadamente, com o aparecimento de novos materiais, a utilização de novos pensos e mesmo com a investigação desenvolvida na área da cicatrização.»

A médica refere, ainda, que «existem alguns medicamentos que permitem o alívio da dor neuropática, já que alguns doentes têm queixas dolorosas acentuadas. Certos fármacos, eventualmente, melhoram a circulação, pelo que a colaboração de cirurgiões vasculares é fundamental para a reconstrução vascular, caso seja indicado».

A endocrinologista conclui que «o tratamento do pé diabético passa exactamente pelos cuidados de prevenção, aliás, como tudo em diabetes. Fundamental, especificamente para o pé do diabético, é o ensino dos cuidados de higiene diária e o alívio da pressão em zonas de deformação».

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