Grupo de investigadores cria observatório português das Leishmanioses - Médicos de Portugal

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Grupo de investigadores cria observatório português das Leishmanioses

17 Setembro, 2008 0

Profª Lenea Campino, Presidente do ONLEISH – Observatório Nacional das Leishmanioses, apela à prevenção e educação da população: “Foi por termos detectado uma lacuna na informação disponível sobre a Leishmaniose e o desconhecimento da maioria da população para o facto dela ser transmissível ao homem que temos trabalhado no sentido de criarmos esta Associação”.

No Instituto de Higiene e Medicina Tropical, é apresentado hoje, em Lisboa, o Primeiro Observatório Nacional das Leishmanioses (ONLEISH), com o objectivo de criar uma rede de vigilância para a Leishmaniose Canina (LCan). A falta de conhecimento desta doença e o aquecimento global são os grandes responsáveis pela sua propagação que pode constituir um risco para a Saúde Pública.

A criação, pela primeira vez em Portugal, de um Observatório para as Leishmanioses tem como principal objectivo o apoio e a organização de acções de esclarecimento e sensibilização sobre a Leishmaniose à Sociedade Civil, através da organização de uma rede de vigilância epidemiológica, apoio a estudos de investigação, edição de publicações sobre a temática, estabelecimento de protocolos de colaboração com entidades públicas ou privadas, assim como a promoção e a participação em congressos e reuniões destinados a debater temas relacionados com esta patologia.

A Profª Lenea Campino, Presidente do ONLEISH alerta para a necessidade da prevenção: “A LCan é considerada grave pelo seu prognóstico e potencial propagação. Uma vez que o tratamento é prolongado e doloroso para o cão, dispendioso para os donos e, na maioria dos casos, não permite uma cura parasitária definitiva, é essencial que se utilizem as medidas preventivas actualmente disponíveis”. Perante esta necessidade a Profª Lenea Campino, alerta ainda para a falta de conhecimento geral sobre a matéria.

A LCan é uma doença parasitária infecciosa causada por um mosquito, potencialmente fatal nos cães e transmissível ao homem. Trata-se de uma patologia bastante frequente não só em Portugal como também nos restantes países da Bacia Mediterrânica. Com base em estudos já realizados podem ser consideradas zonas endémicas a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, a sub-região da Cova da Beira, o concelho da Lousã, a região de Lisboa e de Setúbal, o concelho de Évora e o Algarve, assim como algumas zonas ribatejanas.

Em Portugal, esta patologia tem vindo a aumentar significativamente. Projecções feitas recentemente indicam que a manter-se a tendência do aquecimento global, a prevalência da Leishmaniose continuará a crescer, devido ao aumento do número de meses de actividade dos insectos e à percentagem do número de dias favorável ao desenvolvimento das leishmanias nos flebótomos vectores. Esta evolução deve ser seguida de perto, pois constitui um risco para a Saúde Publica.

Embora, eventuais acções de sensibilização e esclarecimento possam ser prioritárias nas áreas de maior risco de infecção, as áreas de menor risco não deixam de ser importantes. De facto, frequentemente e com uma regularidade anual, sobretudo no Verão, ocorrem migrações de cães de áreas geográficas de menor risco para áreas de maior risco, como por exemplo, para o Algarve.

Actualmente, e não havendo uma vacina comercializada na Europa, a única forma de prevenir a doença, nos cães domésticos, é através da utilização correcta de repelentes de insectos, entre os quais, as coleiras impregnadas com deltametrina. Porém, a prevenção só será possível se os proprietários dos cães estiverem sensibilizados para esta doença.

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