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Grupo de investigadores cria observatório português das Leishmanioses

17 Setembro, 2008 0

A LCan em Portugal – O que sabem os donos dos cães acerca desta doença?

Com base num questionário sobre a LCan realizado junto de proprietários de cães que visitaram Centros de Atendimento Médico-Veterinário, uma equipa multidisciplinar de veterinários e investigadores efectuou um estudo que nos permite ter uma ideia do nível de conhecimento da Leishmaniose, em Portugal.

• 40% a 70% dos donos dos cães não conhecem a LCan;
• 55% a 80% não sabem qual o resultado do tratamento;
• 60% a 75% não sabem como prevenir esta doença;
• 70% a 85% desconhecem quais os sinais clínicos típicos;
• Só 20% considera que a LCan pode ser transmitida ao homem;
• Cerca de 71% consideram que a vacinação é uma forma de prevenção da LCan;

Apenas entre 6% a 12% dos donos dos animais inquiridos demonstram ter um conhecimento satisfatório acerca da LCan.
Estes resultados permitem concluir que o nível de conhecimento acerca da doença é reduzido, tornando-se evidente a necessidade de serem desenvolvidos esforços de sensibilização e esclarecimento junto dos donos dos cães acerca desta parasitose.

 

Sobre a LCan

A Leishmaniose é uma doença parasitária infecciosa causada por um mosquito, o flebótomo, é transmitida ao cão, a animais silvestres, como os roedores, e ao homem. Surge, normalmente, em cães com mais ou menos um ano de idade e mais frequentemente em animais de pêlo curto e/ou que vivem no exterior. A doença pode desenvolver-se de duas formas distintas – através de feridas na pele que não cicatrizam e pode ainda atingir determinados órgãos internos. Os cães desenvolvem sempre as duas formas simultaneamente.

Os animais afectados pode apresentar um ou mais dos seguintes sintomas – queda de pelo, emagrecimento, fraqueza geral, apatia, febre irregular, feridas persistentes (Leishmaniose Cutânea), dilatação do fígado ou do baço (Leishmaniose Visceral), aumento exagerado das unhas, vómito e sangramento nasal.

Um cão que está dentro de casa, bem alimentado, desparasitado e vacinado, constitui um risco mínimo de infecção. Contudo, um cão abandonado está mais sujeito a agentes infecciosos.

No Instituto de Higiene e Medicina Tropical, é apresentado hoje, em Lisboa, o Primeiro Observatório Nacional das Leishmanioses (ONLEISH), com o objectivo de criar uma rede de vigilância para a Leishmaniose Canina (LCan). A falta de conhecimento desta doença e o aquecimento global são os grandes responsáveis pela sua propagação que pode constituir um risco para a Saúde Pública.

A criação, pela primeira vez em Portugal, de um Observatório para as Leishmanioses tem como principal objectivo o apoio e a organização de acções de esclarecimento e sensibilização sobre a Leishmaniose à Sociedade Civil, através da organização de uma rede de vigilância epidemiológica, apoio a estudos de investigação, edição de publicações sobre a temática, estabelecimento de protocolos de colaboração com entidades públicas ou privadas, assim como a promoção e a participação em congressos e reuniões destinados a debater temas relacionados com esta patologia.

A Profª Lenea Campino, Presidente do ONLEISH alerta para a necessidade da prevenção: “A LCan é considerada grave pelo seu prognóstico e potencial propagação. Uma vez que o tratamento é prolongado e doloroso para o cão, dispendioso para os donos e, na maioria dos casos, não permite uma cura parasitária definitiva, é essencial que se utilizem as medidas preventivas actualmente disponíveis”. Perante esta necessidade a Profª Lenea Campino, alerta ainda para a falta de conhecimento geral sobre a matéria.

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