Fígado sofre!
É precisamente por ser responsável por tantas funções críticas que o fígado é vulnerável. Quando sofre danos, essas funções ficam ameaçadas, o que pode, em última instância, pôr em risco a sobrevivência.
Uma das principais ameaças à saúde hepática provém dos hábitos de vida, nomeadamente da alimentação e do consumo de bebidas alcoólicas.
Uma das situações é a chamada doença do fígado gordo. Existe acumulação de gordura nas células do fígado (principalmente triglicéridos), mas que é considerada benigna. É das situações hepáticas mais frequentes. A causa exacta é desconhecida, embora se sugira que o primeiro passo é a resistência à insulina, estando muitas vezes ligada à obesidade. Consideram-se como outros factores de risco a diabetes e níveis elevados de colesterol e triglicéridos. Num pequeno número de casos pode evoluir para uma situação em que existe inflamação hepática (hepatite), mas esta evolução ainda não é bem compreendida.
O excesso de gorduras é prejudicial a outros órgãos, nomeadamente os do aparelho cardiovascular: quando se acumulam nas artérias, podem contribuir para o seu entupimento, dificultando a passagem de sangue – com o tempo, formam-se as placas típicas da aterosclerose.
Quanto ao álcool é mesmo considerado a principal causa de doença hepática. O álcool é tóxico para as células hepáticas, contribuindo para a sua destruição e, a prazo, para um deficiente funcionamento do fígado. Hepatite alcoólica e cirrose são duas doenças associadas ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas.
O fígado é ainda vítima frequente de vírus – é essa a causa das diversas hepatites. As hepatites A e E (esta rara na Europa Ocidental) são causadas pela ingestão de alimentos ou água contaminados infectados, enquanto a B, a C e a D se transmitem através da exposição a fluidos corporais infectados (sangue e secreções sexuais). Para a A e B existe vacina, para as restantes não.
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Entre as potenciais ameaças ao fígado encontram-se também alguns medicamentos, que tanto podem causar danos permanentes, quando há abuso, como inflamação temporária, que desaparece assim que o tratamento pára. Um dos principais riscos provém da toma excessiva de paracetamol. Trata-se de um medicamento usado para o alívio da dor e da febre que não requer receita médica e que está disponível em canais de venda que não as farmácias: este acesso fácil pode abrir caminho ao abuso, pelo que se recomenda sempre a sua aquisição na farmácia, onde o utente beneficia do aconselhamento farmacêutico.
Alguns medicamentos para controlar o colesterol e alguns antibióticos também podem perturbaro funcionamento do fígado, sendo importante que sejam tomados conforme prescrição médica ou indicação farmacêutica.
Muitas vezes, as doenças hepáticas só são descobertas numa fase avançada. E isto porque, inicialmente, os sintomas são discretos.
Fadiga, fraqueza, falta de apetite e perda de peso podem ser sinais de um deficiente funcionamento do fígado. Náuseas, vómitos e dor abdominal confirmam a existência de um problema, a estes sinais se juntando a icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), mas que aparecem numa pequena percentagem de casos, quando se consideram todas as afecções hepáticas.

