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Estratégias do tratamento da dor em cirurgia do ambulatório

22 Junho, 2005 0

Após a alta

O doente submetido a cirurgia em regime de ambulatório, apesar de ficar acompanhado por um adulto responsável pelo menos nas primeiras 24 h de pós-operatório, não é directamente vigiado pela equipa de saúde da UCA a que recorreu, e convém não esquecer que a dor pós-operatória pode persistir por mais de sete dias.

De facto, os estudos disponíveis são unânimes ao recomendarem a todos os centros de cirurgia ambulatória, normas de actuação após alta do doente, e que consistem em:

• Elaboração de:

– Esquemas analgésicos protocolados de acordo com a intensidade de dor pós-operatória esperada após determinado tipo de intervenção cirúrgica(analgesia balanceada).

– Guias de tratamento, instruções por escrito de como tomar os medicamentos prescritos (dosagem, hora, duração), e os outros a que poderá recorrer se necessário.

– Informação de como, quando e onde poderá procurar apoio médico adequado.

• Follow-up do doente;
– Questionário normalizado efectuado por contacto telefónico, às 24 h de pós-operatório que permite:
– Avaliar se o doente compreendeu e está a cumprir as instruções que lhe foram dadas relacionadas com a analgesia;
– Avaliar a eficácia da medicação prescrita;
– Demonstrar o nosso cuidado, transmitindo ao doente a certeza do contínuo acompanhamento por parte do médico.
Também aqui e como já foi repetidamente referido, os fármacos são criteriosamente escolhidos dadas as suas características farmacológicas, de acordo com a idade e o estado físico do doente, e a intensidade da dor pós-operatória esperada.

Escada analgésica/dor aguda pós-operatória/cirurgia ambulatória

Opióides Clássicos
Tramadol ou Metamizol
Codeína ou Dextropropoxifeno
AINES
Paracetamol
Anestésicos Locais – AL (tópico, infilt., bloq.)

Futuro da cirurgia
de ambulatório

Num futuro próximo teremos disponíveis nos nossos hospitais, AINE inibidores específicos da COX-2, para administração endovenosa e oral. (Actualmente, a segurança do uso de alguns destes fármacos é controversa).

Assistiremos à constituição de equipas de saúde que efectuarão visitas domiciliárias aos doentes com mais patologia associada e/ou submetidos a procedimentos cirúrgicos mais dolorosos.

Tornaremos possível que um maior número de doentes e de tipos de intervenções possam ser incluídos neste regime cirúrgico. (Novas tecnologias que irão permitir a monitorização não invasiva de parâmetros clínicos que actualmente não o podem ser desse modo, novas técnicas anestésicas e fármacos analgésicos, novas técnicas cirúrgicas minimamente invasivas).

Poderemos com segurança e sempre que adequado atingir o 3.º e último degrau da escada analgésica.

Recomendações finais

Para terminar, e sobretudo para aqueles que iniciam um programa de cirurgia de ambulatório, alguns conselhos pertinentes:
– Optemos por indicações baseadas na evidência, validadas por estudos de metanálise.
– Optemos por segurança e simplicidade.
– Avaliemos e registemos frequentemente a intensidade da dor.
– Acreditemos nos doentes, devemos prescrever analgésicos de acordo com as suas necessidades, permitamos que controlem a sua analgesia.
– Escolham-se os fármacos apropriados aos doentes e optemos pela via de administração adequada.
– Não esqueçamos os medicamentos para profilaxia ou tratamento dos efeitos secundários que possam ocorrer.
– Reconheçamos a importância de educar, de informar, de esclarecer, os doentes e a própria equipa da UCA.
– Façamos o follow-up dos doentes, avaliemos e se necessário alterem-se os protocolos existentes.
A cirurgia do ambulatório é um desafio para todos os intervenientes; hospitais, equipas de saúde das unidades, doentes, familiares, sociedade.

Todos, sem excepção, estamos envolvidos.

Representa uma mais-valia para todos, sobretudo para o doente, que vê o seu sofrimento minorado, que se sente acompanhado e protegido pela equipa de saúde e pelos seus familiares e amigos, e que mais precocemente reinicia a actividade normal.

Este período conturbado constitui, afinal, uma fase de consciencialização da importância da interajuda, da necessidade de vivermos em comunidade.

Domicílio – dor esperada

LIGEIRA
Paracetamol
1 g per os 8/8 h 3 dias

+/-

Ibuprofeno
400 mg per os 8/8 h 3 dias

MODERADA
Paracetamol
1 g per os 8/8 h 5 dias

+

Ibuprofeno
400 mg per os 8/8 h 3 dias

SEVERA
Paracetamol/codeína
2 cp per os 8/8 h 5 dias
+
Cetorolac
10 mg per os 6/6 h 3 dias
+
Paracetamol
1 g per os 8/8 h 6.º e 7.º dias

Dr. José Miguel Silva Pinto*

* Assistente Hospitalar Graduado
de Anestesiologia, Unidade de Cirurgia Ambulatória do Hospital de Curry Cabral

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