Entrevista: Dr. Luís Pisco - Médicos de Portugal

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Entrevista: Dr. Luís Pisco

8 Março, 2008 0

Em apenas um ano em meio, no âmbito da reforma dos cuidados de saúde primários, já foram criadas, um pouco por todo o território nacional, 105 Unidades de Saúde Familiar (USF).

Estas estruturas – compostas por médicos, enfermeiros e administrativos – permitem, nas palavras do Dr. Luís Pisco, coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), “melhorar a acessibilidade e os serviços prestados aos cidadãos”. Até ao final de 2008, prevê-se que o número de USF ascenda a 150.

JSC: Até que ponto se obtêm ganhos em saúde com os cuidados de saúde primários?

Dr. Luís Pisco: Os cuidados de saúde primários resolvem cerca de 95% das necessidades de saúde de uma população. Apenas 5% dos utentes precisam de um hospital ou de um serviço de urgência. Acontece, porém, que, em Portugal, esta realidade ainda está um pouco invertida. O facto de haver tantos hospitais a prestar serviço de urgência, acaba por retirar capacidade de resolução aos cuidados primários.

Os utentes acabam por se dirigir directamente aos serviços de urgência. Ainda se tem a ideia de que a abundância de medicamentos e exames complementares de diagnóstico significa mais qualidade. O que não é verdade. Se virmos um estudo, realizado recentemente pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Coimbra, reparamos que cerca de 50% dos medicamentos adquiridos pela população não são consumidos. E esta situação traduz-se em desperdício de recursos.

Acontece, porém, que muitos dos utentes em Portugal ainda não têm médico de família….Tem ideia do número de utentes que se encontram nesta situação?

Objectivamente, não se consegue avançar com um número. Calcula-se que cerca de 500 mil pessoas estão sem médico de família. Nos últimos tempos, a abertura das 105 Unidades de Saúde Familiar (USF) já criou médico de família para 150 mil pessoas. Os médicos aumentaram a sua lista de utentes de 1500 para 1750. Mas ainda não é suficiente. Vão ser precisos mais médicos de família.

Quais as zonas do País onde esta realidade é mais frequente?

Ao contrário do que se possa pensar, o local onde há menos médicos de família é na periferia das grandes cidades e não no Interior do País. Setúbal e Braga – esta capital de distrito cresceu, mas a dotação de médicos manteve-se – são as cidades do País que regista o maior número de utentes sem médico de família.

Esta reforma dos cuidados de saúde primários vai ajudar a colmatar esta falha?

Nós não conseguimos fazer milagres, nem temos uma varinha de condão que nos permita ter mais médicos de família. Obviamente que gostaríamos que todos os utentes tivessem médicos de família. Mas o grande objectivo é melhorar os cuidados que são prestados. Com as USF obteve-se uma melhoria no acesso – acabaram as filas à porta do centro de saúde para obter uma consulta. Muitas USF estão abertas até às 22h e, em alguns casos, aos fins-de-semana. Se o utente não for assistido pelo médico de família, será assistido por um médico da equipa, que tem acesso ao processo clínico.

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