Luísa Soares Branco, doente de DPOC: “O benefício de usar oxigénio é muito maior do que o constrangimento que se possa sentir” - Médicos de Portugal

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Luísa Soares Branco, doente de DPOC: “O benefício de usar oxigénio é muito maior do que o constrangimento que se possa sentir”

9 Março, 2008 0

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) está normalmente associada a hábitos tabágicos. Facilmente se percebe que o acto de deixar de fumar é um dos passos decisivos para prevenir o seu aparecimento. As populações expostas a poluição em recintos fechados correm também um risco agravado de vir a sofrer de DPOC.

Por norma, os doentes têm mais de 40 anos e desenvolvem alguns sintomas típicos que limitam o seu dia-a-dia e as actividades quotidianas normais: limitação crónica do fluxo de ar, falta de ar (dispneia), tosse, pieira e aumento da produção de expectoração. De acordo com o relatório mundial anual da Organização Mundial de Saúde, cerca de 600 milhões de pessoas sofrem de DPOC, e destes, cerca de três milhões morrem.

Luísa Soares Branco sabe bem o que é ter falta de ar. Conhece bem a dificuldade de querer respirar e não conseguir. Fumadora desde os seus vinte anos de idade, nunca pensou vir a sofrer de DPOC. Fumava e queimava “dois maços por dia”. Com uma DPOC grave, teve que se habituar à ideia de ser acompanhada diariamente “por um aparelho que veio para ficar” na sua vida.

Actualmente, tem de fazer Oxigenoterapia de Longa Duração (OLD) de dezasseis horas/dia: débito de um litro de oxigénio em repouso, que aumenta para dois litros se tiver necessidade de fazer exercício físico ou outro esforço suplementar.

Quando lhe perguntamos se sente alguma vergonha por andar com o aparelho de oxigénio na rua, Luísa Soares Branco responde rapidamente: “Eu acho que o benefício é maior do que o constrangimento das pessoas olharem para nós na rua. É óbvio que têm de observar porque é diferente”. Acrescenta ainda que “se as pessoas olham para nós, é porque somos muito mais interessantes com este aparelho do que sem ele”.

Lamenta a atitude de muitos doentes que omitem a utilização do oxigénio e considera que não deveriam ter pudor de assumir a sua doença. “Deixar de ter vergonha é fundamental, tal como partilhar a experiência com outras pessoas.

Eu acho que devemos encarar as coisas. A doença é séria mas devemos encará-la com positividade”, afirma Luísa Soares Branco. Foi necessário reformar-se aos 53 anos por invalidez, ainda lhe custa a aceitar que teve de deixar de trabalhar. “Sempre fui muito activa e tive de aprender a abrandar o ritmo”.

Associação Respira

As suas fortes convicções levaram-na a assumir o cargo de Presidente da Associação Respira, composta por um grupo de pessoas com doenças respiratórias crónicas. Esta Instituição Privada de Solidariedade Social, de âmbito nacional, que comemorou o primeiro ano de existência no passado dia 9 de Fevereiro, tem como objectivo global, fomentar, apoiar e promover os programas de prevenção da saúde respiratória.

Pretende ainda desenvolver as melhores práticas existentes, elaborar e implementar programas de acompanhamento e apoio às pessoas com doenças respiratórias crónicas e lutar pelos direitos específicos a que têm direito.

Uma das lutas actuais da Associação Respira passa pelo direito ao acesso a lugares de estacionamento para pessoas com deficiência. “Os doentes respiratórios não têm esse privilégio”. Luísa Soares Branco afirma que muitos doentes não saem de casa.

“Muitos doentes, do grau III ou IV, que necessitam de oxigénio para viver, querem ir a um centro comercial mas estacionam tão longe que, quando lá chegam, já estão de rastos. Eu tenho um carro parado à porta de casa porque apesar de conduzir com oxigénio, chego a estar duas horas para arrumar o carro perto de casa e numa rua plana”.

A Presidente da Respira defende ainda “a comparticipação adequada dos medicamentos porque isso evitaria que muitos doentes deixassem o tratamento a meio. Muitos doentes não comportam os custos das despesas na farmácia todos os meses.

Se há pessoas que têm de despender entre 100 a 120 euros mensais e se têm uma reforma abaixo do salário mínimo nacional, ficam sem dinheiro para os bens essenciais, como a alimentação”.

Este e outros alertas são defendidos por esta associação, com o intuito de promover a melhoria da qualidade de vida para pessoas com DPOC e com outras doenças respiratórias crónicas mais raras, como a cifoescoliose e a fibrose pulmonar.

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1050-124 Lisboa

Telf. 964 926 708 / 914 632 239

Email. respiradrc@gmail.com

Site www.respira.pt

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