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Entrevista: Dr. Luís Pisco

8 Março, 2008 0

Em termos práticos, que benefícios retiram os utentes com as USF?

Basicamente, a maior vantagem é a acessibilidade. Os utentes valorizam imenso a facilidade de obtenção de uma consulta, sobretudo em situações de doença aguda. Anteriormente, as pessoas estavam habituadas a ir ao Serviço de Apoio Permanente (SAP) ou a um hospital. Hoje em dia, as USF têm resposta para essas situações no momento.

Através do sistema de intersubstituição, nas USF existe sempre alguém que poderá assistir os utentes. Esta é a base do segredo para as USF poderem prestar uma maior continuidade de cuidados e com personalização. Até porque o processo clínico, que contém os dados e histórico do utente, está sempre disponível para consulta do médico que atende.

Como se distingue uma USF do SAP?

O SAP corresponde a uma acessibilidade não personalizada e descontinuada. A pessoa não tem o seu médico, nem o sistema de informação. JÁ nas USF, o médico que atende tem acesso aos dados clínicos do utente.

Apesar de até ao momento já serem 105 USF, está previsto que esse número cresça?

Até ao final de 2008, está definida a meta de 150 USF. Julgamos que esse número vá ser ultrapassado…

Neste momento, grande parte das USF ainda estão a funcionar em modelo A…Quando é que se vai avançar com o modelo B, que supõe a remuneração pelo desempenho?

No modelo B – a aguardar regulamentação (segundo a previsão da MCSP, até ao Verão) – os médicos, os enfermeiros e os administrativos passarão a ser recompensados pelo seu desempenho. Até aqui, ter uma lista de mil ou dois mil utentes era exactamente a mesma coisa. No modelo B, a dimensão da lista tem factores de ponderação. Não conta apenas a quantidade, mas, também, a qualidade. Entram, ainda, em linha de conta os domicílios, que quase têm vindo a desaparecer, porque os médicos têm de pagar deslocação por sua conta, sem qualquer contrapartida.

Para além da abertura de mais USF, fala-se, ainda, do reagrupamento dos centros de saúde. Esta reestruturação vai ter implicações ao nível dos serviços para os utentes?

Ao passo que as USF são um processo voluntário, em que equipas têm de apresentar uma candidatar, a criação de agrupamentos nos centros de saúde (ACES) é um processo obrigatório. Enquanto que as USF são um processo de baixo para cima, as ACES são um processo de cima para baixo. Já foi aprovado um decreto-lei, em Conselho de Ministros, e, a partir daí, cada administração regional de saúde (ARS) irá dizer como é que os centros de saúde se têm de agrupar, para definir uma administração comum.

Os centros de saúde continuam abertos ao público e situados no mesmo local. O agrupamento dos centros de saúde só terá efeitos ao nível da gestão do sistema de saúde. Esta alteração enquadra-se numa tendência global de concentração, com o fim último de obtenção de economias de gestão.

APMCG celebra 25 anos de existência

A Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (APMCG) comemora, este ano, as bodas de prata. Para assinalar esta data, terá lugar o 25.º Encontro Nacional de Clínica Geral, que decorrerá entre os dias 5 e 8 de Março.

“Este evento comemorativo, que conta com a participação de vários convidados estrangeiros, permitirá cruzar impressões e conhecer um pouco aquilo que se está a passar nos outros países ao nível dos cuidados de saúde primários”, diz Luís Pisco.

Na conferência inaugural deste Encontro, vai estar presente o Prof. Hannu Vuori: o primeiro médico europeu a doutorar-se na área de qualidade em saúde. Este convidado irá falar, durante a sessão de abertura, sobre a Alma Ata – uma conferência, realizada há 30 anos, que lançou as bases para os cuidados de saúde primários.

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