Arquivo de Entrevista - Médicos de Portugal

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O Prof. António Vaz Carneiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência e adepto das ferramentas de aprendizagem online, certifica as vantagens da utilização deste instrumento de apoio à actividade clínica e único em Portugal.



Hoje em dia, informação é poder. Esta premissa também se aplica à prática clínica?


Os médicos precisam de informação clínica de alta qualidade. Hoje é impensável não assentar a prática clínica em ciência sólida. Claro que, quando há necessidade de informação válida e de qualidade, as fontes são várias. Desde logo, os livros de textos, as chamadas fontes clássicas, e os softwares médicos. Há, ainda, as guidelines, que, traduzido para português, significa normas de orientação clínica. Mas a grande questão não é encontrar uma resposta para as dúvidas, no meio da parafernália de meios... mas se a informação que se obtém é ou não fidedigna.



Convém, no entanto, que as respostas surjam em tempo útil...


No momento em que estou a encarar o doente, preciso de responder às dúvidas rapidamente. Esta informação que é fornecida assenta em dados factuais, em evidência clínica. Isto significa que o médico deverá manter-se actualizado diariamente sobre as novidades que vão sendo publicadas. Se o clínico estiver na posse desta informação "refrescada" conseguirá dar atender melhor o utente e de um modo mais célere.



Como pode o univadis ajudar os médicos a manterem-se actualizados, sem que, para isso, tenham de ler centenas de artigos científicos?


Todos os profissionais sabem que transportar os dados da investigação para o doente individual é a arte da medicina. E esta é uma questão complexa, porque, mais do que ler uma panóplia de livros ou artigos científicos, o médico necessita de informação detalhada e de fácil interpretação, no momento em que está com o doente à frente. Assim, o univadis apresenta-se como um instrumento que ajuda a desenvolver o raciocínio clínico.



E como?


A investigação dá-nos peças discretas: como trato esta doença, como estabeleço o prognóstico, entre outras informações. Mas, quando se está a assistir doentes individuais, é preciso um outro tipo de conhecimento que essas peças de investigação não facultam. Os cursos do BMJ da Univadis mimetizam aquilo que se passa no dia-a-dia, ou seja, os chamados casos clínicos. Através de múltiplas opções, os médicos vão sendo conduzidos a respostas. Trata-se de uma maneira muito sofisticada de ensinar: a uma cultura científica de base junta-se o raciocínio.





Como surgiu o convite para encabeçar a campanha da Valormed?
Depois de efectuar alguns estudos de mercado sobre figuras públicas, que têm desenvolvido trabalho sobre responsabilidade social, a Valormed chegou à conclusão de que eu tinha um posicionamento interessante. Talvez porque, ao longo destes anos todos, fui abraçando projectos de responsabilidade social. A nível ambiental ainda não o tinha feito. Mas a Valormed decidiu lançar-me o desafio, até mesmo para testarem a minha sensibilidade na área ambiental.


E como reagiu ao convite?
Mantenho uma preocupação ambiental há já vários anos. E, nesta matéria, sou uma autodidacta, porque procuro obter informação para melhorar os meus comportamentos ambientais. Por estas razões, fiquei muito satisfeita com a ideia de poder abraçar este projecto. Pelo que leio, Portugal é o país que mais medicamentos consome, mas, também, aquele que mais desperdiça. Esta campanha tem um objectivo bem delineado: mudar o comportamento dos portugueses em matéria de reciclagem dos medicamentos.


Qual a sua postura em relação a esta campanha?
Tenho a preocupação de me informar previamente sobre as campanhas que abraço. Não pretendo apenas emprestar apenas a minha imagem, sob pena de não passar disso mesmo: de uma imagem. Quero ir mais além do que inteirar-me da campanha.


Ultimamente tem aparecido associada a várias campanhas de produtos de saúde e de ambiente. Estes são temas que a preocupam no seu dia-a-dia?
Sou muito criteriosa em relação às campanhas a que me associo. Recuso-me a dar a cara por campanhas que possam defraudar a população. No caso da Valormed, não tive dúvidas em aceitar o convite. Esta é uma campanha que qualquer figura pública com o mínimo de responsabilidade social e ambiental aceitaria encabeçar.


O que pensa deste tipo de acções de sensibilização?
Modificar os comportamentos e as práticas ambientais é um passo obrigatório. Isto porque ainda há pouca consciência ambiental e um longo caminho por desbravar. Nota positiva para o facto de as crianças, hoje em dia, terem uma consciência ambiental mais apurada, fruto da formação escolar. Mas esse comportamento ainda não é uniforme. Em Portugal, continuam-se a praticar atrocidades ambientais.


O slogan "Habitue-se a esta ideia" resume, no fundo, o comportamento ainda avesso dos portugueses no que toca à reciclagem de medicamentos fora de uso?
É tudo uma questão de mentalidade. Julgo que há, ainda, um comportamento tipicamente português. E digo ainda, porque acredito que, mais dia, menos dia, as atitudes vão mudar. Logo que esta questão esteja devidamente assimilada, passa a ser algo consensual. Ao nível dos medicamentos, julgo que há um certo desleixo e até preguiça, juntamente com falta de informação. Em meios pequenos, muitas pessoas não sabem que destino dar aos medicamentos fora de uso. Partem do princípio de que os medicamentos podem ser atirados para o recipiente do lixo comum.





A "Saúde em Revista" entrevistou o Presidente, António Lúcio Baptista, especialista de cirurgia cardiovascular, sobre a importância da regulação deste sector e sobre o panorama da saúde em Portugal.


Nos últimos anos, a utilização do laser no tratamento de diversas doenças tem ganho muitos adeptos em Portugal. Com o objectivo de informar os profissionais de saúde e os utentes sobre as inovações tecnológicas nesta área da medicina, foi criada em 2008 a Associação de Laserterapia e Tecnologias Afins (ALTEC), que pretende auxiliar na aplicação das normas de segurança no uso do laser e na avaliação da regulamentação internacional.


"A ALTEC surgiu da necessidade de uma maior regulação do sector da Laserterapia, uma vez que sendo o laser uma tecnologia de ponta e em evolução permanente, há uma necessidade continuada de aperfeiçoar e de ter informação actualizada", explica António Lúcio Baptista, Presidente da ALTEC.


A associação, de cariz ibérico e sem fins lucrativos, é composta por um Conselho Directivo, constituído por profissionais médicos e não médicos de Portugal e Espanha. "São médicos, engenheiros, juristas e farmacêuticos com formação e experiência na área do laser médico", explica o especialista.


E acrescenta: "Paralelamente, contamos com um Conselho Científico, constituído por profissionais médicos e engenheiros doutorados, que vão formar o Business Advisory Board, uma área de consultoria científica e de negócios. No futuro, um dos objectivos da ALTEC passa por estabelecer parcerias com algumas universidades, de forma a desenvolver projectos com interesse económico na Península Ibérica".


Para o médico, o laser é um equipamento com resultados muito favoráveis na medicina, mas é preciso ser aplicado com máxima segurança quer para os técnicos, quer para os utentes. Segundo o programa TopVarizes, um projecto desenvolvido por António Lúcio Baptista e que sistematiza as técnicas disponíveis para o tratamento de varizes, "em 6 mil tratamentos de laserterapia, os utentes apresentaram um grau de satisfação de 91% e uma taxa de pequenas complicações de 2/1000".


É por isso fundamental a regulação do sector. "Para o biénio 2008 e 2009, a ALTEC pretende desenvolver um «código de boas práticas» para que o sector possa proporcionar os melhores cuidados a todos os players do mercado: prestadores, empresas, utilizadores e principalmente, os utentes", conclui.


No âmbito destas iniciativas, foram apresentadas 10 medidas para a reforma da saúde em Portugal e só agora, passados mais de 15 anos, algumas começam a ser implementadas. Outras propostas continuam por implementar, mas devido à sua actualidade, continuam a ser válidas no panorama da saúde português.





Curiosamente algumas populações e etnias procuram apenas o Médico quando grávidas, por a considerarem situação particular de alto investimento. Ficam então por realizar muitas medidas preventivas...

 


Quais os métodos contraceptivos mais adequados às diferentes fases da vida de uma mulher?


O melhor método é aquele que mais se adequa às necessidades do casal. Não devem existir preconceitos, pois tudo vai depender da filosofia de vida das pessoas, das suas convicções e das condicionantes existentes.


Existem porém orientações consensualisadas e pressões de mercado e diferenças de acessibilidade que fazem prever o que mais será de esperar. Assim, por razões ligadas aos distúrbios menstruais e a necessidade de elevada eficácia são os contraceptivos hormonais os mais orientados para as jovens e mulheres sem filhos, os dispositivos intra-uterinos adequam-se melhor à mulher com descendência, a esterilização destina-se a quem tem "garantia" de uma reprodução concluída, enquanto que os métodos de longa duração (implante e dispositivo) são particularmente úteis para situações de gravidez de risco a curto/médio prazo.


 


As DST's continuam a ser assunto tabu entre a população portuguesa?


Estou certo de não poder ser afirmativo. Julgo que o que sucede é que não sendo tabu é tema quase esquecido. A assimetria causada pela alta importância e relevância dada às infecções pelo HIV acabou por fazer esquecer as outras, mesmo as clássicas, à cerca das quais persistimos em nada querer saber e até mesmo ignorar. É uma pena...


 


O cancro do colo do útero é o 2º cancro mais frequente no sexo feminino. A que se deve esta grande incidência?


Os problemas prendem-se com dois níveis de actuação:
1- A prevenção primária, hoje possível em grande parte através dos programas de vacinação contra o HPV;


2- A detecção das alterações pré-malignas através dos programas de rastreio, que existe apenas organizado na região centro de Portugal e mesmo aí com algumas limitações.
A primeira apenas evidenciará os seus efeitos dentro de alguns anos, poder-se-á dizer que a alta incidência resulta da ineficácia da detecção das alterações que vão levar ao cancro e respectivo tratamento atempado.






 


Em entrevista à "Saúde em Revista", Tomé Lopes, Director do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte e Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Urologia, fala-nos da importância da fusão pela melhoria da acessibilidade dos utentes com doença do foro urológico, tanto a nível de consultas como de exames complementares de diagnóstico e tratamentos médicos ou cirúrgicos.


 


Como se desencadeou o processo de fusão entre os serviços de Urologia do Hospital Pulido Valente e do Hospital de Stª Maria?


Tomé Lopes - Esta fusão surge na sequência da criação do Centro Hospitalar Lisboa Norte que uniu os Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente. Com a necessidade de modernizar o Serviço de Urologia do Hospital de Sta. Maria entendeu--se que, investindo numa só unidade seria possível potenciar o que de bom tinham os dois Serviços, ultrapassando limitações individuais.


Pode-se, desta forma, ambicionar um Departamento de Urologia ao nível dos melhores centros europeus, com tecnologia moderna e avançada para o tratamento das mais diversas patologias. A nível de recursos humanos, teremos uma equipa de especialistas que, para além de toda a Urologia Geral, têm também experiência em várias sub-especialidades desta valência.


 


O que poderão encontrar os utentes quando se dirigirem ao novo Serviço de Urologia do Hospital de Stª Maria?


Com o novo Serviço de Urologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte, que estará concluído dentro de alguns meses, os utentes terão à sua disposição modernas instalações, quer para o internamento quer para o ambulatório. São objectivos importantes a melhoria da acessibilidade dos utentes com doença do foro urológico, tanto a nível de consultas como de exames complementares de diagnóstico e tratamentos médicos ou cirúrgicos.


As doenças oncológicas urológicas e, especialmente, o cancro da próstata serão área de especial interesse deste Serviço. Também outras áreas, como a Urologia feminina, o tratamento dos cálculos urinários, a cirurgia reconstrutiva do aparelho urinário e a cirurgia laparoscópica serão merecedoras de grande desenvolvimento.





Estas estruturas – compostas por médicos, enfermeiros e administrativos – permitem, nas palavras do Dr. Luís Pisco, coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), “melhorar a acessibilidade e os serviços prestados aos cidadãos”. Até ao final de 2008, prevê-se que o número de USF ascenda a 150.


JSC: Até que ponto se obtêm ganhos em saúde com os cuidados de saúde primários?

Dr. Luís Pisco: Os cuidados de saúde primários resolvem cerca de 95% das necessidades de saúde de uma população. Apenas 5% dos utentes precisam de um hospital ou de um serviço de urgência. Acontece, porém, que, em Portugal, esta realidade ainda está um pouco invertida. O facto de haver tantos hospitais a prestar serviço de urgência, acaba por retirar capacidade de resolução aos cuidados primários.

Os utentes acabam por se dirigir directamente aos serviços de urgência. Ainda se tem a ideia de que a abundância de medicamentos e exames complementares de diagnóstico significa mais qualidade. O que não é verdade. Se virmos um estudo, realizado recentemente pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Coimbra, reparamos que cerca de 50% dos medicamentos adquiridos pela população não são consumidos. E esta situação traduz-se em desperdício de recursos.

Acontece, porém, que muitos dos utentes em Portugal ainda não têm médico de família….Tem ideia do número de utentes que se encontram nesta situação?

Objectivamente, não se consegue avançar com um número. Calcula-se que cerca de 500 mil pessoas estão sem médico de família. Nos últimos tempos, a abertura das 105 Unidades de Saúde Familiar (USF) já criou médico de família para 150 mil pessoas. Os médicos aumentaram a sua lista de utentes de 1500 para 1750. Mas ainda não é suficiente. Vão ser precisos mais médicos de família.


Quais as zonas do País onde esta realidade é mais frequente?

Ao contrário do que se possa pensar, o local onde há menos médicos de família é na periferia das grandes cidades e não no Interior do País. Setúbal e Braga – esta capital de distrito cresceu, mas a dotação de médicos manteve-se – são as cidades do País que regista o maior número de utentes sem médico de família.



Esta reforma dos cuidados de saúde primários vai ajudar a colmatar esta falha?

Nós não conseguimos fazer milagres, nem temos uma varinha de condão que nos permita ter mais médicos de família. Obviamente que gostaríamos que todos os utentes tivessem médicos de família. Mas o grande objectivo é melhorar os cuidados que são prestados. Com as USF obteve-se uma melhoria no acesso – acabaram as filas à porta do centro de saúde para obter uma consulta. Muitas USF estão abertas até às 22h e, em alguns casos, aos fins-de-semana. Se o utente não for assistido pelo médico de família, será assistido por um médico da equipa, que tem acesso ao processo clínico.





É necessário, portanto, descrever o que é a anestesia, qual o papel do anestesista nas suas diversas áreas de intervenção e aconselhar o utente para que, quando confrontado com necessidade de ser anestesiado, esteja minimamente informado.



O Dr. Lucindo Ormonde, presidente da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia (SPA) responde a algumas questões para desmistificar as preocupações que envolvem este tema.



O que é uma anestesia e em que consiste?

Uma anestesia consiste na insensibilização de uma determinada parte do corpo ou do corpo em geral para que se possa proceder a uma intervenção cirúrgica ou outro tipo de intervenção que necessite que o doente esteja inconsciente, insensível ou imóvel.

Há várias formas e técnicas de anestesia, todas elas são válidas e têm a sua indicação e quando são utilizadas, os fármacos e os instrumentos indicados, têm regras a seguir. Se as regras forem cumpridas, a anestesia é bem efectuada, caso contrário, independentemente de serem usadas as mesmas técnicas ou os mesmos instrumentos, a anestesia pode ter resultados danosos.



Quando se deve administrar uma anestesia geral e uma loco-regional? Quais são as indicações?

Uma anestesia geral pode ser usada para quase todos os procedimentos. No entanto, esta tem determinados efeitos secundários e, por isso, é indicado efectuar-se uma anestesia, à qual se dá o nome de loco-regional.

Esta consiste na injecção de determinados fármacos num local específico, deixando o indivíduo sem sensibilidade nessa zona. Exemplo deste tipo de anestesia é a epidural ou a anestesia do braço ou até na perna, entre outros.

As indicações e as consignações são muitas e são tema de discussão entre os anestesistas, mas existe uma ideia à volta das anestesias de que, comparando uma com a outra, a anestesia loco-regional tem vantagens sobre a anestesia geral por ser, primeiro que tudo, mais segura e mais barata.

Mais segura porque, e temos um exemplo que é paradigmático que é o das cesarianas, em que nós sabemos a grande causa de morte da mãe cesariada era a difícil entoação, e com a introdução das anestesias loco-regionais a mortalidade desceu drasticamente.

Não se quer com isto dizer que esta situação não aconteça, mas com a utilização desta anestesia surgiu outro tipo de problemas que, comparativamente com a morte, são muito menores.





De que forma a SPEM ajuda os doentes de EM?

Há várias maneiras das pessoas cá chegarem. O contacto é fácil e pode ser logo feito por telefone. Depois, é agendada uma visita às instalações e uma consulta com a assistente social.

Qualquer pessoa pode associar-se à SPEM. Convidamos os próprios familiares a tornarem-se sócios e até os cidadãos em geral, de forma a ajudarem a instituição. A quota mínima é de 2,5 euros mensais. Contudo, se a pessoa provar que tem dificuldades financeiras, quer em relação à quota, quer em relação ao usufruto de algum serviço da SPEM, é avaliada a situação financeira e são consideradas reduções ou mesmo isenções.

A SPEM tem uma rede de delegações e núcleos no País onde procura disponibilizar informações úteis, bem como apoio social e psicológico aos associados.

A acção da SPEM traduz-se essencialmente na tentativa de proporcionar respostas em falta na comunidade e adequadas a esta população.

Neste sentido, temos a funcionar em Lisboa um centro de apoio integrado para pessoas com EM, que compreende um centro de actividades ocupacionais, uma unidade de neuro-reabilitação um serviço de apoio domiciliário, consultas de psicologia, serviço social e apoio jurídico.



Na sua opinião, qual a importância das jornadas de institucionalização do Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla?

Essencialmente, a criação de um espaço de diálogo e de sinergias a favor das pessoas com esclerose múltipla. É importante que a doença seja conhecida.

Nas jornadas serão abordados temas relacionados com a patologia, a qualidade de vida dos portadores de EM e os cuidados de saúde necessários. A institucionalização do Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla deve-se à apresentação de uma proposta nesse sentido, por parte da SPEM, que mereceu acolhimento favorável em Conselho de Ministros.

Com efeito, é assim criada uma oportunidade para dar a conhecer a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar a progressão rápida da doença.

Torna-se também possível um reforço na divulgação das dificuldades com que se deparam doentes e familiares e na procura de soluções adequadas.


“A SPEM procura dar as respostas em falta na comunidade e adequadas a esta população”


Para mais informações:

SPEM - Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla
Rua Zófimo Pedroso, n.º 66
1950-291 Lisboa
Telf. 218 650 480 – Fax. 218 650 489
Email: spem@spem.org
www.spem.org





Cirurgião plástico há 23 anos, é o actual director de serviço no Hospital Egas Moniz. Esteve três anos no Instituto Português de Oncologia (IPO), onde conviveu de perto com situações em que a cirurgia plástica é essencial à sobrevivência das pessoas.

Na entrevista que concedeu ao Jornal do Centro de Saúde confessa ter optado por esta especialidade médica por ter ficado “muito impressionado com o carácter reconstrutivo que era necessário, a todos os níveis, nomeadamente físico, orgânico, psicológico e social”.



Há quantos anos é cirurgião plástico?

Sou especialista há 23 anos. Fui clínico geral e estive em cirurgia geral, como é obrigatório. Depois, fiz a especialidade em cirurgia plástica. Trabalhei três anos em Inglaterra e seis meses na Suíça. Estive também três anos no IPO, em Lisboa.



O que o levou a escolher esta especialidade?

Escolhi a especialidade de cirurgia plástica devido à minha passagem pelo IPO. Trabalhei com o Dr. Francisco Gentil Martins. Assisti a mutilações, amputações e a grandes mastectomias. Fiquei muito impressionado com o carácter reconstrutivo que era necessário, a todos os níveis, nomeadamente físico, orgânico, psicológico e social.



Que tipo de cirurgia plástica faz com mais frequência?

Sou director de serviço e coordeno três áreas no Hospital Egas Moniz: a cirurgia plástica, a cirurgia maxilo-facial e a estomatologia. Estas áreas envolvem cerca de 22 especialistas - dezasseis de cirurgia plástica e seis de estomatologia. Os restantes estão em formação, totalizando cerca de 30 médicos. É o serviço com mais internos da especialidade. E muito procurado a nível nacional.

Estas três especialidades estão intimamente ligadas. Por exemplo, uma destruição da face, que é uma situação muito frequente, envolve a cirurgia plástica, para recompor a face, a maxilo-facial que repõe os ossos e os dentes na respectiva anatomia e a estomatologia, para dar sequência a tudo isto. Se fossem especialidades isoladas, a pessoa perderia tempo, pois teria de ser encaminhada para diferentes serviços e especialistas. Esta reunião das especialidades é assim de particular interesse para os cidadãos.





Inicialmente, julgou-se que o seu problema seria de origem nervosa, até que uma oclusão intestinal precipitou uma cirurgia e revelou o diagnóstico correcto.

O facto de ser doente fez com que se interessasse mais e se aproximasse da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI), à qual preside. A APDI foi criada em 1994 e “pretende apoiar e aproximar todos os doentes que sofrem de doença de Crohn ou colite ulcerosa e permitir que troquem experiências e conhecimentos sobre o problema.

Acreditamos que um doente que está bem informado tem melhor qualidade de vida”. Em entrevista ao Jornal do Centro de Saúde, a Presidente da APDI dá-nos a conhecer um site importante para quem sofre de doença de Crohn.



Quantos associados tem a APDI?

Somos cerca de dois mil associados para 25 mil doentes em Portugal. Apelo a que as pessoas se tornem associadas, pois quantos mais formos, mais força temos para desenvolver a nossa actividade.



O que é preciso fazer para ser sócio?

Quem estiver interessado em ser sócio, deverá preencher uma ficha de inscrição e enviar para a APDI. Podem ser sócios os doentes e os familiares, sendo a quota anual de quinze euros. A partir daí, passa a receber toda a documentação e a participar nos nossos encontros gratuitamente.



Que tipo de apoio é necessário divulgar?

Para além dos donativos que nos possam dar, aquilo por que mais lutamos, e não temos conseguido, é a aquisição de um espaço próprio. Temos uma sede mas pagamos mensalmente uma renda muito elevada. Pretendíamos acordar com alguma Câmara Municipal, ou outro organismo, a disponibilização de um espaço através de um protocolo com uma renda simbólica. Não queremos que nos dêem nada, mas gostaríamos de ter alguma parceria em que a renda a pagar fosse mínima porque iria permitir que a APDI crescesse e desenvolvesse a sua actividade.



Como e de que forma descobriu a doença?

Sou doente há dezassete anos. Como quase todos os casos, o diagnóstico foi demorado. Foram cerca de seis meses de incerteza até saber que tinha a doença de Crohn.


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