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Dossier Enxaqueca

11 Julho, 2008 0

A enxaqueca é uma doença neurológica crónica caracterizada por episódios dolorosos e debilitantes de cefaleia. As crises de enxaqueca interferem com as actividades pessoais e profissionais dos indivíduos atingidos e determinam custos significativos para a sociedade devido aos dias de trabalho perdidos e à redução da produtividade.

Os indivíduos que sofrem de enxaqueca são obrigados a viver uma vida com restrições, preocupando-se em manter uma alimentação regular e adequada, evitando os factores conhecidos que despoletam as crises de enxaqueca, como a privação do sono, o stress, ruídos fortes, luzes brilhantes, álcool, chocolate, vinho tinto e alguma variedades de queijo.

Também têm de conviver com a incerteza de quando ocorrerá a crise seguinte e qual será a gravidade da mesma. Durante uma crise grave de enxaqueca, a incapacidade do doente é comparável à de um tetraplégico1. As complicações de uma crise de enxaqueca podem incluir graves alterações morfológicas no cérebro, que podem ser detectadas através de técnicas de ressonância magnética.

Estudos sugerem que a enxaqueca não é apenas uma doença crónica. Em alguns doentes, a doença apresenta uma natureza progressiva, com uma frequência e gravidade crescentes das crises. O reconhecimento dos factores desencadeantes das crises de enxaqueca pode contribuir para que os doentes adoptem mudanças no seu estilo de vida que ajudem a minimizar a frequência das mesmas.

O reconhecimento das doenças coexistentes pode ajudar os médicos a desenvolverem regimes terapêuticos individualizados que tratem também as múltiplas doenças subjacentes. Esta abordagem abrangente para a prevenção ou tratamento agudo dos sintomas da enxaqueca, pode incluir tanto medidas não-farmacológicas, como farmacológicas.

PREVALÊNCIA E IMPACTO

Nos Estados Unidos da América a prevalência anual da enxaqueca foi calculada em aproximadamente 18 por cento para as mulheres e em 6 por cento para os homens2.

Num estudo efectuado no Reino Unido, a incidência global em crianças (entre os 3 e os 11 anos) foi de 4%3. A prevalência da enxaqueca aumenta durante a adolescência e a idade adulta e atinge o pico aproximadamente aos 45 anos, declinando daí em diante2. Algumas crianças desenvolvem enxaqueca no início da adolescência e têm uma prevalência desproporcional das mulheres2. Esta prevalência mais acentuada nas mulheres está, em parte, relacionada com as alterações hormonais associadas com os ciclos menstruais. Cerca de 60 por cento das crises que ocorrem em mulheres com enxaqueca estão relacionadas com os seus períodos menstruais4.

A enxaqueca está associada a efeitos múltiplos nos indivíduos afectados. Enquanto a crise, por si mesma, se caracteriza por uma cefaleia intensa, por náuseas e vómitos, assim como fotofobia (intolerância à luz) ou fonofobia (intolerância ao ruído), a enxaqueca também exerce um impacto negativo entre as crises, contribuindo para uma redução da qualidade de vida e da produtividade dos doentes5.

De acordo com um inquérito internacional, em 2001, os doentes que sofrem de enxaqueca perdem praticamente um dia de trabalho por mês devido ao absentismo associado à doença, e entre 17 a 24 dias por ano devido à combinação entre o absentismo e a perda de produtividade.

As cefaleias provocadas pela enxaqueca também estão associadas com três a quatro consultas médicas, consultas de urgência ou hospitalizações, por ano e por doente.

Outros inquéritos conduzidos nos EUA6,7 concluíram que a enxaqueca está relacionada com:

• Custos sociais indirectos de 13 mil milhões de dólares (8 mil milhões em dias de trabalho perdidos e 5 mil milhões em perda de produtividade);

• Cinco a seis dias pedidos por ano entre os doentes mais atingidos;

• Incapacidade funcional em 91 por cento dos doentes;

• Perda de oportunidades de tempo passado com a família ou de participar em actividades sociais em 59 por cento dos doentes.

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