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Dossier Enxaqueca

11 Julho, 2008 0

FACTORES GENÉTICOS

Actualmente sabe-se que as crises de enxaqueca podem ser precipitadas tanto por factores genéticos, como por factores ambientais.

Enquanto que os factores externos podem ser relativamente bem conhecidos, a responsabilidade dos factores genéticos bem como a forma como estes podem contribuir para a hiper-excitabilidade neuronal, estão apenas a começar a ser identificados.

As investigações sobre a ocorrência familiar de enxaqueca sugerem que algumas formas de doença podem ter um componente hereditário. Um estudo conduzido por Russel e Olesen concluiu que os familiares em primeiro grau dos indivíduos investigados, com enxaqueca com aura, apresentavam um risco aproximadamente quatro vezes mais elevado de virem a sofrer também de enxaqueca com aura, mas não de enxaqueca sem aura8.

Quando comparados com a população em geral, os familiares em primeiro grau dos indivíduos que sofriam de enxaqueca sem aura apresentavam um risco 1,9 vezes mais elevado de virem a sofrer de enxaqueca sem aura e um risco de 1,4 vezes de enxaqueca com aura.

Antes destes estudos terem sido conduzidos havia sido determinada a existência de mutações genéticas (gene do canal de cálcio tipo P/Q localizado no cromossoma 19) associadas com enxaqueca hemiplégica familiar9.

Um trabalho subsequente também encontrou associações entre o locus genético e outros tipos de enxaqueca, principalmente a enxaqueca com aura10,11. Estas mutações demonstram provocar alterações qualitativas na condução dos canais de cálcio P/Q com repercussões importantes na transmissão neuronal12.

AS FASES DA ENXAQUECA
Pródromos (sintomas premonitórios)

Em aproximadamente 60 por cento dos doentes ocorrem sintomas premonitórios que são, frequentemente, os primeiros sinais da iminência de uma crise de enxaqueca.

Geralmente, estes sintomas duram horas ou dias antes do início da cefaleia e podem envolver um diversidade de aspectos psicológicos somáticos, incluindo alterações no humor, no comportamento, no apetite e no nível de energia3,7. Os doentes podem apresentar uma hipersensibilidade à luz ou ao ruído. Entre outros sintomas premonitórios frequentes encontram-se a apatia, a dificuldade de concentração e a rigidez no pescoço.

Aura

A aura ocorre em somente 20 por cento dos doentes que sofre de enxaqueca13.
A aura da enxaqueca é caracterizada por sintomas neurológicos – fenómenos visuais, sensoriais ou motores, isolados ou em combinação –, que, de uma forma geral, precedem, e por vezes acompanham, uma crise.

A maioria dos sintomas da aura evolui lentamente ao longo de cinco a 20 minutos e, geralmente, dura menos de uma hora.

As auras da enxaqueca são de natureza tipicamente visual, cintilações, formas geométricas, ou escotomas. Estas perturbações podem deslocar-se ao longo do campo visual. Uma aura visual típica pode apresentar-se como um arco de luzes cintilantes que tem início no campo central da visão e que se pode expandir para uma metade do campo visual14,15.

Outras auras comuns incluem uma sensação de adormecimento ao longo de um lado da face, mão ou braço, e sensações olfactivas desagradáveis16.

Acredita-se que a aura corresponde fisiologicamente a uma onda de despolarização que, de forma lenta (1-3 mm/min) viaja ao longo do córtex. A razão para o desencadeamento deste fenómeno electroquímico permanece desconhecida, mas pensa-se que uma série de ondas de actividade neuronal (propagação de depressão cortical) activa a crise de enxaqueca subsequente.

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