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Dossier Enxaqueca

11 Julho, 2008 0

Cefaleia

A cefaleia típica da enxaqueca é unilateral e excruciante e qualquer actividade física rotineira ou o simples movimento da cabeça podem agravar a dor. Pode ocorrer em qualquer período do dia, mas é mais frequente durante a manhã17 e dura aproximadamente entre quatro a 72 horas15.

A cefaleia pode ser acompanhada por náuseas e vómitos18. Muitos doentes sentem hipersensibilidade à luz ou ao ruído e procuram um lugar calmo e escuro para evitar estes estímulos17.

Investigadores citam a dor excruciante, a fotofobia, a fonofobia, a náusea e a visão desfocada como os sintomas mais frequentemente associados às crises de enxaqueca.

Pósdromos

As crises de enxaqueca são frequentemente seguidas de sintomas posdrómicos que podem assemelhar-se aos pródomos e que podem durar desde horas a dias. O doente pode experimentar sentimentos de apatia, euforia, debilidade e falta de concentração19.

CLASSIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO

A International Headache Society (Sociedade Internacional de Cefaleias) classifica a enxaqueca da seguinte forma.

Classificação (IHS) da enxaqueca
• Enxaqueca sem aura
• Enxaqueca com aura
• Síndromes infantis periódicas que são habitualmente precursoras da enxaqueca
• Enxaqueca retiniana
• Complicações da enxaqueca
• Enxaqueca provável

Os diagnósticos mais frequentes da enxaqueca são a enxaqueca sem e com aura. Os critérios de diagnóstico para a enxaqueca sem aura enumerados pela IHS são os seguintes.

Critérios IHS de diagnóstico para a enxaqueca sem aura (enxaqueca comum)

A – Pelo menos cinco crises que satisfaçam os critérios B a D

B – Crises de cefaleia com a duração de quatro a 72 horas (não
tratadas ou tratadas com sucesso)

C – Cefaleia com, no mínimo, duas das seguintes características:
1. Localização unilateral
2. Tipo pulsátil
3. Intensidade moderada a grave
4. Agravamento por (ou obrigando a evitar) qualquer actividade física de rotina

D. Durante a cefaleia, no mínimo, um dos seguintes sintomas:
1. Náuseas e/ou vómitos
2. Fotofobia ou fonofobia

E. Não atribuída a qualquer outra doença

Os critérios de diagnóstico para a enxaqueca com aura enumerados pela IHS são os seguintes:

Critérios IHS de diagnóstico para a enxaqueca cem aura
(enxaqueca clássica)

A. Pelo menos duas crises que satisfaçam os critérios B e C

B. Aura consistindo, no mínimo, num dos seguintes sintomas, mas
sem perturbações motoras:
1. Sintomas visuais totalmente reversíveis, incluindo aspectos positivos (ex.: luzes, manchas ou linhas iridiscentes) e/ou aspectos negativos (ex.: perda de visão)
2. Sintomas sensoriais totalmente reversíveis, incluindo aspectos positivos (ex.: formigueiro) e/ou aspectos negativos (ex.: encortiçamento)
3. Distúrbios disfásicos da linguagem totalmente reversíveis

C. No mínimo dois dos seguintes sintomas:
1. Sintomas visuais homónimos e/ou sintomas sensoriais unilaterais
2. No mínimo um sintoma de aura desenvolvendo-se gradualmente por mais de cinco minutos e/ou diferentes sintomas de aura que ocorram em sucessão por mais de cinco minutos
3. Cada sintoma dura entre cinco a 60 minutos

D. Cefaleia preenchendo os critérios B a D para enxaqueca sem aura que se inicie durante a aura ou nos 60 minutos seguintes à aura

E. Não atribuível a outra doença

TRATAMENTO

O tratamento da enxaqueca deve resultar de um esforço de cooperação entre o médico e o doente com uma avaliação retrospectiva da frequência e da gravidade das crises, da presença e grau de incapacidade temporária, e do perfil dos sintomas associados tais como náuseas e vómitos.

A possibilidade de doenças coexistentes – doenças neurológicas ou psiquiátricas, asma, diabetes, obesidade, gravidez, hipertensão não controlada – obriga à análise da história do doente e a um cuidadoso exame físico do mesmo, para a obtenção de um programa de tratamento individualizado. O US Headache Consortium (Consórcio Americano das Cefaleias) identificou os objectivos do tratamento a longo prazo da enxaqueca como sendo:

• Reduzir a frequência e a gravidade das crises e reduzir a incapacidade

• Melhorar a qualidade de vida do doente

• Prevenir a ocorrência de cefaleias

• Evitar o aumento e o abuso dos medicamentos para tratamento das cefaleias

• Educar e capacitar os doentes a controlarem a sua doença

Qualquer programa de tratamento deve ser iniciado pela educação do doente, o que vai potencialmente melhorar a adesão. Os doentes devem começar por implementar alterações no seu estilo de vida que ajudem a controlar a enxaqueca, onde se incluem o sono regular e o exercício físico, bem como evitar os possíveis factores activadores da enxaqueca.

Os doentes devem também ser aconselhados a adoptar abordagens nãofarmacológicas como as técnicas de relaxamento e de combate ao stress. No entanto, a maioria dos doentes necessita de intervenção farmacológica.

Terapêutica farmacológica aguda

Os objectivos da terapêutica farmacológica aguda para a enxaqueca20 são:

• Tratar rapidamente as crises e limitar as recidivas

• Restabelecer a capacidade funcional do doente

• Minimizar a utilização de medicamentos de apoio e de SOS

• Optimizar a auto-ajuda e reduzir a subsequente utilização de recursos

• Fazer uma abordagem favorável dos custos e benefícios

• Assegurar a ausência ou minimizar a ocorrência de reacções adversas Como regra geral, os fármacos utilizados na terapêutica aguda não devem ser utilizados durante mais de dois ou três dias por semana, uma vez que o abuso destes fármacos pode induzir o aumento da frequência das cefaleias, assim como cefaleias crónicas diárias.

Terapêutica farmacológica profiláctica (de prevenção)

O tratamento profiláctico da enxaqueca está indicado quando os doentes têm crises frequentes, incapacidade profunda associada à enxaqueca, ou quando o tratamento agudo é ineficaz, contra-indicado, ou mal tolerado21. A terapêutica profiláctica visa reduzir a frequência, a gravidade e a duração da crise de enxaqueca, melhora a resposta ao tratamento das crises e melhora a capacidade funcional, reduzindo a incapacidade22.

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