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Dor: Não sofra em silêncio!

1 Setembro, 2009 0

Este é um apelo que surge associado à dor: não há razão para sofrer em silêncio. A dor é causa de sofrimento físico e emocional, pelo que não deve ser ignorada nem negligenciada: é possível tratá-la e recuperar qualidade de vida.

“Eu é que sei o que me dói!”. Este é um desabafo que se ouve com frequência, muito revelador da subjectividade que gravita em torno da dor. É que não há duas dores iguais e a mesma lesão pode desencadear sensações de intensidade distinta em duas pessoas diferentes ou até na mesma pessoa em momentos diferentes. Além disso, até há dor sem lesão aparente, o que contribui ainda mais para o seu carácter subjectivo.

A verdade é que a dor é um fenómeno complexo, que envolve uma componente sensorial mas também uma componente emocional. É, naturalmente, uma experiência desagradável, mesmo para as pessoas mais resistentes.

Apesar disso, é com frequência subestimada, quer por doentes, quer por profissionais de saúde. Talvez pela sua própria subjectividade, tende a ser escondida, negada e até negligenciada.

Com repercussões negativas na qualidade de vida: uma dor que é ignorada pode persistir, limitando a capacidade para as actividades do quotidiano.

Pela sua importância, os especialistas tendem a reconhecer a dor como o quinto sinal vital, juntando-a à frequência cardíaca, à frequência respiratória, à pressão arterial e à temperatura corporal como os parâmetros a medir no momento de avaliar o estado de saúde.

Também por isso, existe um Plano Nacional de Luta Contra a Dor, no âmbito do qual foram criadas ou estão em constituição unidades de dor nos hospitais públicos do país.

 

De amiga a inimiga

A dor é, indiscutivelmente, uma experiência desagradável, fonte de sofrimento em maior ou menor grau. Mas, em certa medida, é também uma sensação benéfica para o organismo: assim acontece com a chamada dor aguda, que funciona como um sinal de alarme, avisando para uma alteração física resultante, por exemplo, de um traumatismo, de uma úlcera gástrica ou de uma queimadura.

É, aliás, a dor que justifica a maior parte da procura de cuidados de saúde por parte da população. Seja aguda, seja crónica. A dor aguda caracteriza-se pela duração limitada, sendo, quase sempre, possível definir o seu início e a causa. Constitui, por isso, um sintoma importante para o diagnóstico de várias patologias.

Quanto à dor crónica, é persistente e recorrente, mantendo-se mesmo depois de resolvido o problema que lhe deu origem ou existindo sem causa aparente. Esta é uma dor inimiga que não apresenta qualquer vantagem: antes pelo contrário, não só causa enorme sofrimento como tem impacto negativo na saúde física e mental.

Fisiologicamente, a permanência da dor pode conduzir a alterações do sistema imunitário, diminuindo as defesas do organismo e, em consequência, tornando-o mais susceptível a infecções.

Mental e emocionalmente, a dor crónica provoca frequentemente insónias, ansiedade, depressão. Viver com a dor durante um longo período de tempo acaba por afectar a pessoa em toda a sua dimensão: limita a capacidade para trabalhar, para se divertir e até para cuidar de si mesma. E quando a dor e a incapacidade parecem desproporcionais face à lesão ou parecem não ter razão de ser é comum que o doente seja afectado nas suas relações familiares e sociais.

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